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Quotidianos

Quanto vale a Quinta do Braamcamp? ( 2 )Por Rui Lopo
Barreiro

A verdade é que a aquisição da Quinta do Braamcamp se inseriu na estratégia que tínhamos de devolver os rios ao Barreiro (velas nos moinhos, construção de uma muleta – símbolo único e há muito ausente dos nossos rios), às pessoas, em todo o concelho um trabalho de décadas, que deveria ser mantido, nunca alienando as intenções, mas também nunca o território.

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Quanto vale a Quinta do Braamcamp? ( 2 ) Por Rui Lopo Barreiro

Por Jornal Rostos

Sabemos hoje que a especulação imobiliária é um dos principais desenraizadores das dinâmicas locais e sejamos francos, com tantos problemas de reabilitação urbana em várias áreas do concelho, a prioridade do Barreiro não é a construção de habitação nova: veja-se o Barreiro velho, o Lavradio ou o alto do Seixalinho. São milhares as casas que devolutas identificadas nos últimos censos no nosso concelho, devido à perda e falta de emprego local ou mais recentemente a famigerada crise.

Enquanto vereador com o pelouro do urbanismo iniciei com o presidente Carlos Humberto um conjunto de negociações com a entidade bancária que passou a ser proprietária da Quinta do Braamcamp (de 2010 a 2015). Os valores iniciais eram de quase 10 milhões de euros e passados 5 anos conseguimos fechar a negociação por menos de 3 milhões.
Tudo em linha com a estratégica de negociarmos / comprarmos parte significativa de territórios ribeirinhos em que o município não podia intervir porque não são territórios da sua responsabilidade (quimiparque, moinhos e caldeiras de alburrica adquiridos, estação de Sul e Sueste, polis, barra-a-barra, reserva local do sapal do rio coina, etc.).

Compramos o moinho e a caldeira grande em alburrica e a Quinta do Braamcamp. De imediato candidatamos estes territórios e este património a financiamento comunitário, que lhe permitissem ser agregadores de vivências urbanas, de lazer, de desporto. Verbas e candidaturas que estão em curso e a serem utilizadas pela atual gestão autárquica.

A quinta então adquirida, foi candidata a financiamento comunitário, que ficou garantido acima de 1 milhão e meio de euros (para reabilitar e converter economicamente o moinho de maré e o arranque da qualificação paisagística).
Trouxemos vários gabinetes de arquitetura referenciados pelos serviços da autarquia como tendo potencial, conhecimento e talento para poder discutir com a população, e criar uma matriz de desenvolvimento daquele território. Ficaram fascinados com o que viram. Nenhum preconizou habitação nas múltiplas conversas mantidas. Bem pelo contrário.

Foram muitas as conversas e as perspetivas. Não me esqueço de um arquiteto com quem hoje posso afirmar, que estabeleci uma relação de amizade pessoal, que me disse “deviam fazer disto uma quinta de Serralves”.
Também na sessão pública que realizamos para debater as perspetivas sobre aquele território não vi ninguém a clamar pela necessidade de habitação naquele local. Houve quem falasse de hotelaria, equipamentos, mas nada de habitação.

A verdade é que a aquisição da Quinta do Braamcamp se inseriu na estratégia que tínhamos de devolver os rios ao Barreiro (velas nos moinhos, construção de uma muleta – símbolo único e há muito ausente dos nossos rios), às pessoas, em todo o concelho um trabalho de décadas, que deveria ser mantido, nunca alienando as intenções, mas também nunca o território.

E nessa estratégia não pode caber a construção de habitação nova, que não é uma prioridade no Barreiro face aos problemas de reabilitação que temos, e muito menos na nossa frente ribeirinha; e muito menos na Quinta Braamcamp.
Continua…

Rui Lopo
Vereador da CDU na Câmara Municipal do Barreiro

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