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Quotidianos

Quanto vale a Quinta do Braamcamp? (3 )Por Rui Lopo
Barreiro

Esta é uma matéria que está muito para além das questões partidárias, sendo absolutamente imprescindível que a sociedade barreirense se mobilize para que não se concretize este mau negócio para a nossa terra.

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Quanto vale a Quinta do Braamcamp? (3 ) Por Rui Lopo Barreiro

Por Jornal Rostos

Estamos em 2019 e já tivemos experiências adquiridas, quanto baste, de atores políticos que venderam ativos públicos por meia “dúzia de tostões” e que, individualmente ou coletivamente, da direita à esquerda, condenamos a prática, afirmando ou reconhecendo que afinal se trataram de bons negócios apenas para alguns.

A margem sul, esteve também ela, refém desses interesses em vários terrenos do estado (processos recentemente transitados em julgado) não sendo, também por isso, admissível que hoje se afirme a construção “pura e dura” como a tábua de salvação das cidades, dos territórios das sociedades.
Será lógico que os que criticam o PDM do Barreiro (de 1994) por estar desatualizado, por permitir demasiada habitação, queiram agora usar o que aquele instrumento permite preconizar (não sendo por isso obrigatório ou determinístico) para atingir os seus objetivos?

Se está desadequado, e hoje em dia está de facto desatualizado, devemos assumir e alterar, em todo o seu espectro. Sobretudo na Quinta do Braamcamp, tal com amplamente assumido com a concordância dos vários órgãos municipais.
Será lógico que os que criticam os fenómenos de gentrificação (um palavrão moderno para a criação de condições de alteração do padrão de sociedade, colocando em risco a manutenção dos padrões atuais – normalmente associado à perda de poder de compra local) concordem com a construção de fogos de habitação na primeira linha da zona ribeirinha do Barreiro?

Será lógico que tendo-se votado unanimemente a aquisição da Quinta em reunião de câmara e de assembleia municipal, se venha poucos anos depois, estimular a sua alienação? Ou já seria entendido por todos os partidos políticos como um ativo estratégico ou não era… deveremos mudar de opinião, como diz o povo “como quem muda de camisa”? E se mais tarde nos arrependermos?

Tenhamos em conta que colocando num sentido lato, a edificação de habitação na Quinta do Braamcamp consegue criar um espaço que muitos de nós podemos vir a considerar agradável, ou “bem arranjado”, sobretudo porque é esse o padrão ao qual estamos habituados. Mas como seria se de facto não fosse assim? Que futuro hipotecamos ao construir onde não devíamos? Não deveríamos estar a criar espaços desafogo, zonas e espaços verdes com equipamentos, hotelaria e afins, num dos concelhos com maior densidade populacional do pais?

E há a questão do valor… quanto vale de facto a Quinta do Braamcamp? Tem sido conhecido uma oferta num valor superior a 5 milhões de euros que podemos empiricamente considerar baixo. Mas devemos vender se os interessados quiserem comprar por 15 milhões? E se derem ao país 200 milhões de euros pelo Mosteiro dos Jerónimos, vendemos? E se o argumento apresentado por quem vende, for o de que não há verba para manter o Mosteiro dos Jerónimos, isso já faz daquele património um ativo alienável?

Termino como comecei no primeiro texto que escrevi: a Quinta do Braamcamp pode valer muito dinheiro para quem compra, 5 milhões, 10 milhões, 15 milhões… mas vale certamente muito mais para os Barreirenses, atuais e futuros.
Esta é uma matéria que está muito para além das questões partidárias, sendo absolutamente imprescindível que a sociedade barreirense se mobilize para que não se concretize este mau negócio para a nossa terra.

Rui Lopo
Vereador da CDU na Câmara Municipal do Barreiro

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