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Quotidianos

Processo da Quinta do BraamcampO que dirá o leitor, o eleitor e o contribuinte?
Por Rui Lopo
Barreiro

O processo da Quinta do Braamcamp é um processo polémico que se funde, com conceitos de cidade de desenvolvimento, de futuro, que não têm de ser convergentes pelas forças políticas que legitimamente ganharam a possibilidade de votar as diferentes opções nos órgãos autárquicos.

5 min de leitura
Processo da Quinta do Braamcamp O que dirá o leitor, o eleitor e o contribuinte? Por Rui Lopo Barreiro

Por Jornal Rostos

A única nota que se pode desviar de um percurso tendencialmente uniforme, é que a maioria que atualmente governa a câmara (PS + PSD) votou a favor da sua aquisição em 2016 (sim, da Quinta só foi possível negociar a sua compra em 2016) para que a Quinta saísse do mercado imobiliário (está escrito assim nos documentos votados nos órgãos!), e agora são quem a pretende vender, para a construção de 30 prédios em regime de condomínio fechado.

O processo avançou e terá o desfecho que tiver já fora dos domínios dos órgãos autárquicos, até ver.

Mas agora que o debate político poderá ser feito com “outros ouvidos”, escreverei três tópicos curtos em três dias para que se possa pelo menos pensar, refletir sobre as nossas opções e sobre o que dizemos ou pensamos num determinado momento da nossa vida, isto porque a mesma é curta e quem cá ficar inevitavelmente sujeitar-se-á ás opções que fazermos concretizamos no território. Opções como a que está a ser feita para a Quinta do Braamcamp, são-no para 100 anos no mínimo.

O primeiro raciocínio que proponho é:

E se fosse a CDU a optar por vender a Quinta do Braamcamp para a construção de prédios de habitação em regime de condomínio fechado na nossa frente ribeirinha?

Imagine o leitor, contribuinte, que após a compra da Quinta em meados de 2016 (leu bem, 3 anos e qualquer coisa), seriam os eleitos da CDU a dizer em 2018 e a concretizar em 2020, a Venda da Quinta do Braamcamp por hasta pública a um construtor civil, e que antes de tudo estar tratado, a mesma CDU pedia um parecer ao presidente da Quercus e que na sequência das promiscuidades partidárias (provadas internamente na
associação) o dito presidente se demite, ou que a CDU, mesmo antes de tudo estar tratado, fazia uma divulgação massiva de vídeos em 3D e plantava notícias diversas em jornais e televisões sobre o brilhante futuro da Quinta agora reconstruída, em planos de imagem fantásticos?

Que diria o leitor, contribuinte, se entre a compra em meados de 2016 até agora junho de 2020, com 4 anos de posse, 4 anos de propriedade sobre a Quinta do Braamcamp, e com 3 anos de uma câmara presidida pela CDU não tivesse feito uma única limpeza naquele território, se não tivesse sido promovido nenhuma discussão pública sobre as opções, se não tivesse sido gasto um cêntimo de uma candidatura a fundos comunitários aprovados para a Quinta (cerca de 2,5 milhões de euros)?

Que diria o leitor, contribuinte, se das promessas feitas pela CDU sobre a Quinta do Braamcamp, que 95% do território seria devolvido para a população, (mesmo que nestes 95% estejam 30% que são água) e agora se falasse em 80% depois dos condomínios feitos?

Que diria o leitor, contribuinte, se quando questionados, quem gere a câmara, dissesse que seria bem provável que aparecessem interessados que possam dar 7 milhões ou milhões pela Quinta, ou até mais, porque 5 milhões é apenas o preço base e a melhor proposta é de 5 milhões e uns trocos…

Que diria o eleitor, contribuinte, que viu vídeos 3D sobre a dinamização turística da Quinta do Braamcamp, com uma questionável roda gigante e afins, antes das eleições de 2017, e agora vê um negócio de habitação com uma barreira colossal de prédios em frente ao rio?

Não faltariam centenas, ou mesmo milhares de comentários nas redes sociais de quem achasse que tinham sido enganados e que “a CDU só faz opções pelo betão”, ou “estão-nos a roubar a vista para lisboa”.
Diriam que a CDU instrumentaliza tudo e todos, servindo-se da Quercus para atingir os fins da construção civil. Que por estas razões o Barreiro não passa da cepa torta, só tem prédios e habitação, não tem empresas nem empregos, veja-se os Fidalguinhos ou os Loios no Lavradio, em que nos projetos era prometido uma coisa (à data não havia 3D) e agora estão lá opções bem diferentes.

Lá viria a retórica de que: “isto é a mesma coisa há 40 anos”, ou “Não se respeita a natureza e a relação com o rio”, e ainda, “Os comunistas agiram sempre desta forma, para quê mais habitação se o Barreiro tem mais de 5 mil apartamentos abandonados e sem uso, esses sim deveriam ser usados”. Diriam os entendidos que “se devia apostar na reabilitação urbana, veja-se o Barreiro velho, eles que são responsáveis por o Barreiro velho estar assim degradado” ou que, “O respeito pela frente ribeirinha é que é o futuro do Barreiro e não a habitação”.

Recordo o leitor, eleitor e contribuinte, que a gestão da câmara do Barreiro é hoje assegurada pelo PS e pelo PSD e que estes dois partidos são responsáveis pela venda da Quinta do Braamcamp e pela construção de 30 prédios em regime de condomínio fechado na Quinta do Braamcamp, mesmo na primeira linha de frente de rio.

O que dirá o leitor, o eleitor e o contribuinte?

Rui Lopo, vereador eleito pela CDU na câmara Municipal do Barreiro

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