Deixai vir até mim as Criançaspor Luís Batista
Barreiro

Por Jornal Rostos
Em noite de São João, mas onde acaba por ser "Santa Clara" a chamar até si todas as atenções, eis que neste propósito mais espiritual, deixo a tal inquietude percorrer, num breve imaginário "teofânico", um dos discursos de Jesus nos evangelhos Sinóticos:
"Deixai vir até mim as Crianças". "Deixai os meninos, e não os impeçais de virem a mim..."
Eis que toda esta centelha ganha forma na surpreendente iniciativa que o executivo da Câmara Municipal do Barreiro, imaginou, para responder a um ataque, letal, proferido pela deputada da CDU, Márcia Calafate, na Sessão de 7 de maio último e sobre o ponto 2.3 da ordem de trabalhos: Ratificaçao “Resolução Fundamentada” – QUINTA BRAAMCAMP.
Foi então preparada para esta sessão de Junho, uma resposta que deveriam saber na ponta da língua quando foram ridicularizados com os irrepreensíveis ataques da deputada da CDU e, trouxeram meia dúzia de adolescentes para ler uns documentos, montados à medida, e como se fossem da sua autoria. Nas suas intervenções elencaram algumas das obras e acções deste executivo nestes três anos e, sem chama e sem fulgor, não conseguem agarrar como sendo "seus" tais linhas tão tecnicamente perfeitas.
Mau demais, um teatro pobre e sem imaginação e onde chegou a ser confrangedor o desconforto dos miúdos a ler um texto que não tinham escrito.
De recordar que na altura, a intervenção da deputada Márcia Calafate, reduziu a escombros a débil muralha do executivo que ficou sem resposta quando confrontado com todos os argumentos e com todas a obras que contrariavam as considerações politico-ideológicas de que, nos últimos 30 anos, se assistiu a um Neoconservadorismo no Barreiro.
Medem-se as capelinhas, chamam-se as criancinhas e, num ambiente quase tipo escolar, ficaram a saber e porque leram, que no Barreiro se fala em "inépcia", em "fruição", "imobilismo" e, pasmemo-nos, descobriram uma "Trilogia Atávica". Como se tudo isto não bastasse, conseguem ainda cair no erro de garantir que, no Barreiro, há um pensar pseudo-científico e pseudo-ambientalista.
Nem no mais voluntarioso esforço alguém consegue acreditar na douta visão destes adolescentes que, conseguem ter certezas absolutas de tudo. Certezas essas igualmente de índole pseudo-científica e pseudo-ambiental.
Minudências, como alguém salientou.
Resta-nos, para já, caminhar na esperança que da diferença possa um dia nascer a unidade. O Barreiro precisa urgentemente de se construir. O acto de caminhar, como nos disse um dia Michel de Certeau, "é a tentativa de construir um lugar, já que caminhar é ter falta de lugar." não podia estar mais de acordo e, nesse enquadramento, temos falta de Barreiro, de mais Barreiro, de um Barreiro caminhado e construído, com o coração dos Homens.
Enquanto não encontramos esse caminho, vamos tacteando essa ideia de infinito e, como nos canta esse poeta do Norte, na sua inconfundível voz, vamos escutando as conversas, importantes ou ambíguas. Mas, efectivamente, o que gostamos é de aparências.
Disse
Luís Batista














