7 Portais, 7 TormentasPor Miguel Ângelo Mendes
Barreiro

Por Jornal Rostos
Antes de mais, gostaria de começar por fazer um elogio ao atual executivo da Câmara Municipal do Barreiro, pois na verdade, têm demonstrado ser pessoas de obra/trabalho, uma vez que são várias as empreitadas que estão a decorrer em simultâneo em vários pontos do concelho do Barreiro, no entanto, e porque nada é perfeito na vida, fica a
sensação que a palavra “Planeamento” não esteve em primeiro lugar na lista de prioridades do executivo do PS, uma vez que as obras começam, duram imenso tempo e teimam em não terminar.
Bem sei que não é fácil planear obras de infraestruturas viárias, e que é quase impossível materializar projetos de grande porte que não incomodem os munícipes, mas esse é um dos desígnios que se exige a quem governa e trabalha com o espaço publico, pois um governante deve planear, fazer e preocupar-se com a qualidade das suas intervenções, minimizando o impacto na vida nos munícipes.~
Analisemos, de uma forma particular, a mega intervenção urbanística que está a decorrer em torno da urbanização dos 7 Portais, pois parece ser um exemplo cabal de uma obra que não foi, ou está a ser, bem delineada, uma vez que foram
estabelecidas diversas frentes de obra em simultâneo que têm tornado difícil a mobilidade em Santo André, a saber:
A) Obra de construção da nova rotunda que ligará a Av. Escola dos Fuzileiros Navais com as ruas Capitães de Abril e Humberto Delgado (incluindo sistema de drenagem dos arruamentos);
B) Obra de materialização de uma bacia de retenção e vala de drenagem pluvial a céu aberto no jardim da urbanização dos 7 Portais. Esta obra teve a particularidade de ter sido iniciada sem que os moradores tenham sido consultados ou informados. Assim sendo, fica a sensação que a intervenção urbanística em causa foi projetada e delineada “à revelia” dos moradores dos 7 Portais, e neste caso, estamos a falar de uma intervenção num espaço público que terá um tremendo impacte visual num lugar que tinha sido pensado para ser um simples e pacato jardim;
C) Obra de repavimentação da EN10-3 entre Santo André e Coina;
Resumindo, estamos a falar de um “filme construtivo” que praticamente transformou a urbanização dos 7 Portais no “Triângulo das Bermudas”, onde existem dias onde as pessoas não conseguem chegar à porta de suas casas, ou dias em que os moradores acordam e descobrem que não têm água para tomar um simples banho antes de ir trabalhar... Já para não falar no péssimo aspeto do estaleiro global onde os moradores da urbanização se encontram mergulhados…
E este triângulo prolonga-se há meses, suportado por avisos camarários de corte de água que ocorrem em dias não estabelecidos e por avisos no desvio do trânsito (miseravelmente executados) que não permitem que as pessoas consigam chegar à sua rua.
Planear é difícil? Sim é verdade… Mas é fundamental e é para isso que se desenvolvem projetos antecipadamente, projetos que devem ser estabelecidos e assentes em listas de prioridades e necessidades concretas para que as pessoas não sejam
prejudicadas, ou que, sejam prejudicadas o mínimo possivel.
Com tudo isto, importa esclarecer que as pessoas não estão contra a realização de obras e contra a melhoria do espaço público… Não, antes pelo contrário, pois pelo menos eu congratulo-me pelo facto de estarem a ser materializadas obras de forte importância para a cidade do Barreiro, no entanto, acho que importa desenvolver mecanismos que possam dar espaço para ouvir as pessoas, informar os munícipes e executar o planeado sobre mapas de intervenção devidamente estudados e que possam ir ao encontro dos anseios dos barreirenses.
Julgo que uma forte vantagem para qualquer executivo passará por ter a capacidade de saber colocar as pessoas a participar nos projetos do concelho, e depois, saber informar e explicar por que razão foram tomadas certas opções, pois só
desse modo, será possível mostrar que as escolhas e as decisões foram as melhores possíveis.
Sim, queremos e precisamos das obras que estão a ser realizadas em torno da urbanização dos 7 Portais, principalmente da nova rotunda, mas sentimos que esta intervenção tão importante para os habitantes de Santo André não mereceu uma análise e planeamento ajustados ao que a obra exige, e sentimos também, que os moradores não foram ouvidos no que diz respeito a uma alteração de forte impacte ambiental e arquitetónico no que diz respeito aos trabalhos previstos para o jardim da urbanização, local que nos foi “prometido” para ser um local de excelência e para servir os barreirenses... E sim, foi este jardim que muito ajudou a promover uma urbanização onde muitos gostam de viver e repousar.
Espero, acima de tudo, que o futuro coloque na agenda do atual executivo da CMBarreiro as palavras “Planeamento” e “Participação Publica”, pois só assim conseguirão fazer os barreirenses verdadeiramente felizes e agradecidos.
Eu costumo pensar que uma obra mal planeada é como um quadro lindíssimo que para ser pintado obrigou a salpicar a casa toda... Por isso, não estraguemos a pintura.
Miguel Ângelo Mendes
Vice-presidente do CDS Barreiro














