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Quotidianos

Em que é que eu estou a pensar?Por Isabel Mateus Braga
Barreiro

E também não deixa de ser estranho que fosse necessário uma Algarvia, que reside no Barreiro, desde 1971, iniciar um movimento fotográfico que tomou uma enorme escala na terra do saudoso, esse sim, grande fotógrafo, Augusto Cabrita.
Fico contente por ter contribuído, de alguma forma, para que algumas máquinas fotográficas saíssem do sótão.

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Em que é que eu estou a pensar? Por Isabel Mateus Braga Barreiro

Por Jornal Rostos

Estou a pensar que me está entalado na garganta desde 2011, data em que realizei a primeira exposição de fotografia, “Ao Lado do Rio”, no espaço da antiga Galeria de Arte no Barreiro, e desde que criei o Grupo no Facebook “Uma Fotografia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia”, e que conta já com cerca de 1,6 mil membros, o facto dos que se apelidam de fotógrafos Barreirenses começaram a aparecer que nem cogumelos.
Não deixa, também, de ser estranha a criação do Grupo “Fotógrafos do Barreiro”, criado por elementos que integravam e ainda integram o grupo de fotografia do Facebook atrás mencionado, exactamente a seguir à apresentação das minhas exposições e a seguir a vários workshops que visavam o tema “fotografia” que dinamizei.
E também não deixa de ser estranho que fosse necessário uma Algarvia, que reside no Barreiro, desde 1971, iniciar um movimento fotográfico que tomou uma enorme escala na terra do saudoso, esse sim, grande fotógrafo, Augusto Cabrita.
Fico contente por ter contribuído, de alguma forma, para que algumas máquinas fotográficas saíssem do sótão.
Houve até uma situação caricata que me aconteceu e passo a descrever: Quando me deslocava para a montagem da exposição “Ao lado do Rio”, fui abordada por um senhor que disse que queria comprar uma das fotografias que eu transportava. Confesso que fiquei um pouco vaidosa. Não é muito normal a aquisição de fotografias em exposições. Até porque a maioria das pessoas pensa que tirar uma fotografia basta carregar no botanito. Acordei com o senhor que ia marcar a fotografia, na exposição, como vendida e que, no final da mesma, o senhor levantaria a fotografia em troca do seu pagamento, e assim foi.

A título de curiosidade, vendi algumas fotografias, cujo valor da venda foi entregue ao Instituto dos Ferroviários. Passadas algumas semanas, a filha do senhor que me tinha adquirido a fotografia, dirigiu-se a mim com um ar um tanto preocupado e pediu-me: - Isabel, por favor não diga ao meu filho que o meu pai lhe comprou a fotografia, porque o meu filho também é fotógrafo e o avô nunca lhe comprou nenhuma fotografia. Ele não pode saber. Com a promessa que nunca diria ao rapaz que o avô me tinha comprado uma fotografia, lá segui o meu caminho pensativa.
Quero deixar aqui bem claro que não me considero fotógrafa. Sou professora de Inglês e de Alemão, desde 1979, no ensino secundário, o que me deixa muito orgulhosa. Com alunos mais ou menos problemáticos, tenho levado o meu barco a bom porto, com algumas tempestades pelo caminho. Faço fotografia como hobby, nada mais.

Os fotógrafos Barreirenses podem ficar tranquilos porque eu nunca tencionei roubar-lhes o protagonismo. Eu gosto de ir por aí explorar as cores do mundo que nos rodeia. De todas as artes, a pintura abstracta é a mais difícil porque exige que o artista tenha conhecimentos profundos de como pintar bem e uma enorme sensibilidade para a composição e cor. Eu sinto o mesmo relativamente à fotografia abstracta. Parece fácil e simples mas, na realidade, requer muita atenção e sensibilidade. Eu gosto de captar texturas e, em minha opinião, resultam em grandes cliques abstractos.
A fotografia abstracta envolve mistério. É partir o mundo em elementos. Mas, mais do que isso, captar as suas formas puras, as suas cores e as suas luzes.
Tenham um Santo Natal e que 2021 vos traga tudo de bom, incluindo o esquecimento de que 2020 alguma vez existiu.

Isabel Mateus Braga
17 / 12 / 2021

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