Barreiro - O Diário da Stôra a cinco anos da AposentaçãoDe Tabuada em Tabuada, lá tenho levado o barco a bom porto há cerca de 40 anos.
Por Isabel Mateus Braga
No meu primeiro horário constavam as disciplinas de Português e Inglês no Segundo Ciclo e uma Direcção de Turma.

Por Jornal Rostos
Resumindo;
Leccionava 5 horas de Português,4 horas de Inglês e a Direcção de Turma .Tudo na mesma turma.
Claro que apanhei alunos do piorio em termos de comportamento.
Mas, como fui sempre muito acertiva, eles não faziam farinha comigo.
Havia um aluno, o Tabuada, que um dia se meteu dentro de um armário e pensou que eu não tinha reparado.
Dei início à aula e, ao fazer a chamada, perguntei se os colegas sabiam onde é que o Tabuada estava.
Claro que ninguém o denunciou.
Comecei a aula fingindo que não me tinha apercebido que o bendito Tabuada estava enfiado no armário.
Passada meia hora, comecei a ouvir o Tabuada a mexer-se dentro do armário.
Os colegas começaram a ficar preocupados e eu, na maior a leccionar o Inglês.
De repente, comecei a ouvir:
- Está-me a faltar o ar!
Fingindo que não tinha ouvido nada, os alunos começaram a gritar:
- Stôra, o Tabuada está dentro do armário!
- Ai está? Não pode ser. Ele não cabe dentro do armário.
- Stôra, ele está mesmo dentro do armário!
- Aí está?
Agora vai ficar o resto da aula dentro do armário!
Claro que eu certifiquei-me que não havia perigo porque o armário era aberto da parte de trás.
À rasca, o Tabuada lá teve que se aguentar mais uns minutitos.
Nunca mais o Tabuada abriu o bico nas aulas de Inglês.
No final do ano, durante o período das matrículas quer eram efectuadas pelos Directores de Turma, apareceu-me uma gaiata com a mãos atrás das costas:
- Stôra, eu passei ou chumbei?
- Então não foste ver a pauta?
- Eu não! É que eu trago uma caixa de chocolates que a minha mãe mandou.
Se eu passei, a caixa de xicolates é para si. Se não passei, é para mim.
- Guarda a caixa de chocolates.
Fica com ela.
A seguir, apareceu um Encarregado de Educação que vinha matricular o seu rebento.
Depois de eu ter ajudado a preencher a papelada da matrícula, o senhor sacou de uma nota de 20 escudos, esticou a mão e disse:
- É para beber uma cervejinha.
Nos entretantos, pedi aos alunos para redigirem uma composição com o tema “Uma viagem que nunca mais esqueci”.
Numa das composições estava escrito:
“Eu fiz uma viajem a Paris que gostei muito. Mas não vi nada porque passei lá de noite.”
De Tabuada em Tabuada, lá tenho levado o barco a bom porto há cerca de 40 anos.
Feliz Ano Novo para todos e, se souberem o que é que foi feito do Tabuada, dêem-lhe cumprimentos meus.
Isabel Mateus Braga














