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Quotidianos

Simetrias assimétricas ou os milhões perdidos pela Península de Setúbal - e o Barreiro a ver navios.Por Fernando Catarino

O que hoje é verdade e amanhã é mentira é algo a que este Governo já nos habituou. Que o executivo camarário do Barreiro compactua com esta jigajoga de posições em matérias que essenciais para o nosso Concelho, também não é novidade para ninguém (veja-se a questão do Aeroporto, do Terminal de Contentores, da Terceira Travessia do Tejo). Mais uma vez, a história repete-se: pelo silêncio, ausência de poder negocial e total falta de influência.

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Simetrias assimétricas ou os milhões perdidos pela Península de Setúbal - e o Barreiro a ver navios. Por Fernando Catarino

Por Jornal Rostos

Desta vez, a questão prende-se com o acesso a fundos comunitários. Conforme noticia o Público, a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, decidiu que a Península de Setúbal (Barreiro incluído) se manteria na mesma área (NUT) de acesso a fundos comunitários que Lisboa, Oeiras e Cascais contrariamente ao que havia afirmado em 04 de Novembro de 2020, quando ressalvou a necessidade de subdividir a Península de Setúbal.

Se à primeira vista esta questão pode parecer de pouca importância, a verdade é que é um dos fatores mais decisivos para o nosso desenvolvimento económico e social no decurso da próxima década. Como referi anteriormente, adensa-se a certeza de que não existe uma estratégia do Executivo para os próximos 10 anos – e esta inércia é exemplo disso.

Qual o impacto desta decisão? É que voltaremos a ficar impedidos de receber comparticipações da União Europeia para os nossos projetos, sejam eles pessoais, associativos, empresariais ou mesmo municipais e estatais além dos 40%.
Estaremos, uma vez mais, votados à estagnação e à fuga do investimento, sem que, no momento chave, o executivo tenha agido em prol dos nossos interesses – algo que certamente todos esperavam de uma governação municipal da mesma cor partidária do Governo.

Vamos a um exemplo:
Decido, em 2022, criar uma fábrica de lâmpadas LED no Barreiro. Para esse negócio, prevejo investir um total de 1 Milhão de euros, gerando 100 postos de trabalho diretos e 50 indiretos. Como o projeto envolve criação de emprego e inovação, tento obter fundos europeus.

Aqui, no Barreiro, dada a decisão do Governo e passividade do executivo camarário, apenas poderei ter acesso a um máximo de 400 000€ de financiamento através da União Europeia. Se decidir investir o mesmo montante, no mesmo negócio, em Santarém, terei acesso até 700 000€ em apoios.

Ora, se o meu projeto puder ser criado e desenvolvido em ambas as cidades, qual acham que seria a minha escolha para a criação do mesmo? Pois… E o número de postos de trabalho que, em 10 anos, não serão criados na nossa região? Pois… E onde iria o executivo municipal encomendar lâmpadas LED? Pois…
Numa região que é já fortemente castigada pelo desemprego, pelo encerramento constante e sucessivo de indústrias e estruturas de apoio, mais 10 anos de desinvestimento só podem conduzir a um aumento das assimetrias e desigualdades face a muitos municípios da Margem Norte do Tejo.

Concluindo, o Governo a dizer-nos que iremos continuar a assistir a desinvestimento na nossa região, a um aumento do desemprego em que a única saída que nos restará será procurar trabalho do outro lado da margem ou noutros Concelhos. E temos um executivo camarário resignado, que encolhe os braços, que não é capaz de fazer frente e bater o pé ao Governo, ao invés do que faz aos moradores de Sete Portais. Quiçá, porque questões partidárias se sobrepõem ao Barreiro.

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