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Quotidianos

Só preciso de taco e bolas. O saco levo euPor Emanuel Góis
Barreiro

"Marinha constrói campo de golfe na base naval do Alfeite"

O Gabinete do Chefe de Estado-Maior da Armada justifica a medida como uma forma de aproveitar um terreno que servia para despejar detritos e uma resposta "a necessidade de edificar uma capacidade de treino" nesta modalidade.

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Só preciso de taco e bolas. O saco levo eu Por Emanuel Góis Barreiro

Por Jornal Rostos

Ora, aqui está uma decisão acessível apenas a pessoas predestinadas.

De facto, não é fácil em muitas das ocasiões em que os militares não têm nada para fazer - o que parece não ser o caso, tendo em atenção a razão da ostentação de tantas medalhas no peito, quando jã não andamos em guerra há 47 anos - tomar decisões de alto risco e inatingíveis à grande parte, senão mesmo, a quase totalidade da população.

No meu caso, que andei pela Força Aérea, nunca me passaria pela cabeça, seria imodéstia da minha parte, tomar a ousadia de mandar fazer um campo de golfe numa base aérea, fazendo os 18 buracos na pista, aproveitando os mísseis dos Fiat para tacos e arranjar um "caddy" entre os faxinas.

Mesmo que isto fosse para treino de voo.
Era só a marinha, não!
"Não se trata de um campo de golfe, pois a área em apreço apenas permite o ensino da modalidade, tendo assim também como objetivo desportivo incentivar a prática de mais esta modalidade, estendendo-a duma forma generalizada a oficiais, cadetes, sargentos e praças, e respetivas famílias, exatamente à semelhança daquilo que já acontece com a prática de outros desportos nas instalações da Base Naval de Lisboa e do Centro de Educação Física da Armada" assim reza a notícia.

Eu por mim, acho bem, em prol da igualdade constitucional. Ver o almirante a jogar com o cabo e o sargento a dar mocadas no gauda marinha.

Era o que mais falta, fazer figuras como a tropa macaca do exército: "Em relação ao Exército, porém, foi possível saber, junto a fonte que pratica esta modalidade, que este Ramo tem um Clube de golfe, mas não tem campo, fazendo protocolos com clubes que o têm". (sic)

Daí que não seja por mero acaso que tal tomada de posição, de louvar, aliás, tenha em conta pensar em Portugal e nos superiores interesses da Nação, ao mandar construir um campo de golfo numa base naval.

De facto, sendo a marinha uma força militar habituada a andar nos pantanos ( perdão, esses são os fuzileiros) nas águas e límpidas, até nas profundezas dos oceanos - que o diga o nossso glorioso submarino Barracuda e o porta aviões americano (os submarinos alemães devem ir para apoio ao bar) ou para fazer de carrinho para levar os jogadores, sacos e bolas no percurso do jogo.

Dizia eu que, numa altura em que todos tentamos fugir à pandemia e quando a nossa economia braceja e sem colete de salvação para ver se chega a bom porto piscatório ( leia-se turístico) nada melhor que transformar uma propriedade estatal e de Defesa Nacional num campo de golfe.

Por mim, que até acho aquelas fardas branquinhas um primor, que mais brancas não há (o Omo já não se vende) eis a brilhante ideia de entreter os nossos marinheiros que, sem barcos e sem guerras - tirando a viagem da Sagres que leva os caloiros a passear por esse mundo de Gama e de Cabral - .

Não nos esqueçamos que, muitas vezes sucede, estando os militares em momentos de ócio, podem pensar em golpes de estado.

Neste aspecto, não receio, por que ainda hoje não sei o que andava aquela "caravela" a fazer frente ao Terreiro do Paço no dia 25 de Abril. Se calhar, esperava a melhor oportunidade para atracar.
Anda por aí tanta gente sempre à espreita do melhor local e momento para abarcar, perdão, atracar.
Bem, por mim, que me habituei a ser influenciado por uma educação rígida e republicana a respeitar a hierarquia, de tal sorte que na tropa, "cumpres primeiro e depois protestas" que o superior tem sempre razão, não me oponho à ideia, desde que tenha em conta três aspectos:

1- Que seja permitido aos reformados, como é o meu caso, poder jogar, desde que me cedam os tacos e as bolas, que as minhas, já as perdi, creio, há uns anos no canal 18, perdão, buraco 18.

2- Que seja criado um recinto para os grumetes poderem jogar uma lerpa enquanto os senhores almirantes e comandantes jogam;( por que não vai haver tempo para eles, quanto mais para as famílias. Já nem o Inatel é.

3- Que o sargento da messe tenha direito a um apartamento perto, não vá estragar-se a comida enquanto se prepara o almoço.

Por fim, que à inauguração, esteja presente o senhor Presidente da República como Comandante Supremo das Forças Armadas e que, nessa altura, o senhor comandante promotor de tão brilhantes decisão, não se esqueça de lhe oferecer uns calções e toalha, para ele dar um mergulho depois junto ao cais das colunas, ali mesmo em frente ao futuro campo de golfe.
Ai, meu Portugal...

Emanuel Gois

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