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Quotidianos

O QUE EU PENSO, E ESPERO, SER UMA PRIORIDADE NAS AUTÁRQUICAS 2021, DO CANDIDATO CARLOS HUMBERTOPor João Soares
Barreiro

Será fulcral para as próximas décadas, afirmar e colocar o papel que o Barreiro pode vir a ter, como esfera de garantia e promoção de direitos, de que nunca foi devidamente acautelado e muito menos ressarcido, por ter sido um pulmão industrial do País, o qual deixou e provocou danos ambientais, alguns deles irreversíveis.

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O QUE EU PENSO, E ESPERO, SER UMA PRIORIDADE NAS AUTÁRQUICAS 2021, DO CANDIDATO CARLOS HUMBERTO Por João Soares Barreiro

Por Jornal Rostos

O QUE EU PENSO, E ESPERO, SER UMA PRIORIDADE NAS AUTÁRQUICAS 2021, DO CANDIDATO CARLOS HUMBERTO

A descentralização territorial, permite e disponibiliza mecanismos na concretização de políticas públicas, mas que não podem ser concebidas sem a existência de uma participação activa das populações, na esfera pública, e na construção de uma agenda de superação de desigualdades sociais e da distinção territorial de direitos, envolvendo os diversos agentes nas decisões, consagrando os valores consignados pelas sociedades democráticas, na construção das cidades.
Na gestão da coisa pública, existem um conjunto de factores e premissas na mudança e formulação de estratégias, numa escala de inclusão territorial numa região, nunca descurando as preocupações sociais, as possibilidades e os limites consignados ao poder local, para garantir e assegurar os direitos dos cidadãos.
Ao considerarmos o Barreiro, como um município inserido numa região com dinâmicas e interações diferenciadas, conflitos e contradições reveladoras da sua complexidade, que tem aglutinado na Capital o centro e o foco desta mesma região, coloca uma maior dificuldade, a cada um dos municípios integrantes da AML, secundarizados e utilizados como simples dormitórios e apêndices de empresas e serviços menos preponderantes no desenvolvimento desses mesmos territórios.
Como resultado desta acção, teremos que começar a olhar para a cidade, não como mais um depósito de famílias, que apenas usam a cidade como residência condicionada ao seu trabalho na Capital e arredores, na outra margem do Tejo, onde as rendas estão há muito inflaccionadas, mas sim, como um polo que pode atrair e cimentar actividades rentáveis e oferta de emprego.
É preciso que os eleitos nas próximas autárquicas, se foquem, tenham a visão e a capacidade negocial para defender e exigir ao Poder Central, e à região a requalificação de acessibilidades, como a construção da Terceira Ponte, há tantos anos prometida e desejada pelos cidadãos, mas sempre adiada, proporcionando com a fixação dessas actividades, industriais, comerciais ou de serviços, uma oferta de mão de obra e combate ao desemprego no Concelho.
Será fulcral para as próximas décadas, afirmar e colocar o papel que o Barreiro pode vir a ter, como esfera de garantia e promoção de direitos, de que nunca foi devidamente acautelado e muito menos ressarcido, por ter sido um pulmão industrial do País, o qual deixou e provocou danos ambientais, alguns deles irreversíveis.
Exemplo do que afirmo, a situação decadente de alguns bairros e aos grupos sociais e indivíduos em situação de enorme vulnerabilidade social, como o Bairro das Palmeiras, colocando em questão o direito à Cidade das famílias aí residentes, transformado num gueto que nunca conseguiu superar as desigualdades socio-econômicas e degradação habitacional.
Se olharmos em termos estrutural, o Barreiro constitui-se num mosaico valioso, mas desfigurado e remendado, onde a própria centralidade do Concelho, deixou de ser aquele espaço onde havia vida ao longo do dia e noite, nos espaços públicos, tornando-se uma zona triste e sem qualquer atracção ou motivação, para ser ocupada e visitada.
O encerramento de algumas artérias, no centro da cidade, ao trânsito rodoviário, poderia ser e transformar-se numa experiência e motivar os empreendedores locais, e não só, a optarem para a instalação dos seus negócios, como a restauração, lazer e comércio tradicional, criando vida onde hoje se assiste a um deambular de meia dúzia de pessoas, apenas para se deslocarem de e para os seus empregos.
Já o referi, em anteriores publicações que, criar centralidades numa qualquer cidade, não passa só, a troco de melhoramentos superficiais e urbanísticos, deixar proliferar grandes superfícies, como cogumelos, as quais nunca foram objecto de mobilização de vida na cidade, mas apenas exploração e o extermínio do negócio tradicional.
Infelizmente, não é só o Barreiro a adoptar esta estratégia, para apresentar alterações urbanas como obra feita nos seus mandatos, mas que no fim, se confrontarmos os resultados, não passam de uma montra inconsequente, sem o devido planeamento e enquadramento, sem oferta que atraia ou satisfaça os clientes, que são os cidadãos.
É essa falta de oferta, na diversidade de opções, que faz do Barreiro, e de outras cidades similares, padecendo, cada uma, dos seus problemas específicos, cidades moribundas, objectivamente perdidas no contexto regional, onde o crescimento e a valorização do território, não acontece, perdendo-se inevitavelmente no tempo, os sonhos e as aspirações dos seus cidadãos.
A ênfase atribuída ao mercado de trabalho local, como referencial e factor de desenvolvimento, na vida da própria sociedade, e do próprio papel do Poder Local na sua concretização, deverão orientar programaticamente, as equipas que se propõem a liderar os Concelhos, a deixar o pragmatismo das promessas irrealizáveis, e focarem-se em programas acessíveis, concretizáveis e com viabilidade de encaixe nas dinâmicas regionais, onde se inserem.
Muitas coisas globalizaram-se de uma década para outra, e generalizam-se, como as novas tecnologias.
As grandes empresas multinacionais, servindo-se das facilidades proporcionadas pelas novas tecnologias substituem, cada vez mais, a mão de obra convencional, habituadas a trabalhar a uma escala global, dependem em grande parte de iniciativas locais implementadas, algumas responsabilidade do Poder Local, outras a nivel Governamental.
De entre muitas condições preferenciais, ressaltam o atendimento médico e assistencial ao nível de apoio à saúde, normalmente pública, a qualidade das escolas para os filhos dos trabalhadores, a riqueza e a aposta cultural na cidade ou nos nossos bairros, a fluidez de trânsito e a diversidade de acessibilidades disponibilizadas, as soluções existentes e a implementar no tratamento dos resíduos, a segurança do espaço público, os níveis de poluição, a própria dinâmica e qualidade das micro e pequenas empresas existentes no Concelho.
Resumindo, por outras palavras, torna-se imperativo um conjunto de elementos centrais e fundamentais para a atractibilidade, revalorizando o território e a qualidade de vida dos cidadãos.
Estas, são no meu entender, algumas das questões que cada candidatura deverá discutir, absorver e validar nos seus programas, naquilo que, realmente, deve interessar aos eleitores, pois a escolha do nosso território, para a implantação de empresas e serviços que geram trabalho, e criam as condições de preferência, para todos quantos pretenderem escolher o Barreiro para trabalhar e viver, tornando dessa forma, as pessoas mais felizes.
Em sentido oposto, promessas a qualquer custo, inexistência de um Plano de Desenvolvimento Integrado e participado, minimizando o conhecimento e competências dos diversos agentes, que compõem a sociedade barreirense, caminhamos irremediávelmente para uma tragédia urbanística, sem retorno.

João Soares

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