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Quotidianos

O “BARREIRO RECONHECIDO”... IRRECONHECIVEL(a atribuir no Dia da Cidade/28 de Junho de 2021)
Por João Simões

Eu aqui tão longe e recebo notícias tão tristes
Apesar da CUF já não existir, continuam a chegar ao nosso Barreiro, pessoas vindas dos mais diversos cantos e recantos do nosso país.

O emprego ou a criação de emprego, por aqui já não abunda, direi mesmo que é nula, o investimento tem-se revelado escasso, apesar da forte aposta no Parque Empresarial Baía do Tejo, de forma a dinamizar, uma vasta área de terrenos e edificações, que diária e rapidamente caminhavam para a degradação.

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O “BARREIRO RECONHECIDO”... IRRECONHECIVEL (a atribuir no Dia da Cidade/28 de Junho de 2021) Por João Simões

Por Jornal Rostos

Desses que chegam a maioria procura habitação para comprar ou arrendar, a custo mais baixo, nas zonas degradadas do Alto do Seixalinho ou Lavradio, nem que para isso tenham que pagar um preço alto, numa deficiente e morosa travessia de um Tejo, cujas margens há muitos anos, pedem aposta em algo de atractivo e rentável, assim como as margens do Coina, pedem algo mais respeitável do que a actividade de “senhoras respeitáveis” à beira de uma estrada, exploradas por chulos, que vendendo “carne” atrás de um pinheiro, publicitam vender “um bom bife” num quarto de um novo apartamento à beira de uma praia que se quer inventada.

Isto representa bem a roda gigante de uma vida, que alguns querem como cartaz. Outros querem a natureza abandonada, que as coisas abandonadas são sinais de uma desgraça inevitável e duradoura, num istmo do “orgulhosamente estamos para aqui”, que assim é, mesmo antes de 1521.

Nesta terra que anda à sombra de muitos e na penumbra de alguns, que reclamam como seu isto e mais aquilo, que agora sou eu que faço, tu não fazes nada, mas já fiz e não te deixo fazer, em que alguns apresentam-se agora a correr como nadadores salvadores, mas que, quando estiveram a vigiar a praia, em surdina e na esquina diziam que “gosto muito desta terra, mas sou funcionário de quem manda em mim” e também os outros, os que saltando para a cadeira, são os DDT, pedantes, arrogantes, mandões, que desejam ser, não sabendo ser aquilo que devem ser.

Ninguém ainda compreendeu, que esta terra, o Barreiro, não é de ninguém, esta terra é livre, esta terra é dos barreirenses, esta terra não é e nunca será deste ou daquele partido?

Ninguém ainda compreendeu que esta terra, o Barreiro, não é, nem nunca será joguete de interesses?
Ninguém ainda compreendeu, que esta terra, o Barreiro, quer ser nova, quer ser futuro, quer ter memória, quer ter orgulho no que foi e no que muitos fizeram e lutaram dentro dos seus limites?
Nesta confusão, uso e abuso, em que o Barreiro anda há décadas embrulhado, além de aparecerem os inocentes carregados dos seus silêncios, os tais que só procuram uma casita para viver, aparecem também os outros e entre eles, um outro, o mais esperto que conheço, sorrateiramente.

O outro, o mais esperto que conheço, não procura casa, mas procura espaço para amontoar papéis, livros, discos, postais, manuscritos, faixas, bandeiras, cartazes, mais isto e aquilo, que esta nossa terra o Barreiro, alguns sabem outros não, tem acervos e espólios que roçam fronteiras para além deste mundo.
Quando chegado ao nosso Barreiro, o outro, o mais esperto que conheço, grita alto e bom som, “Então os papéis? Onde andam os papéis? Preciso de papéis!!”, tal como a “Múmia de Boliqueime” gritou para o “Bochechas” anos atrás.

O outro, o mais esperto que conheço, tão esperto que balouçando entre a esquerda e a direita, de forma fidedigna e exemplar, consegue escrever a biografia de Álvaro, uma obra para a história deste país. O outro, o mais esperto que conheço, ganhou então, um enorme campo de acção político e social, para exponenciar a sua Disposofobia, que tomou forma e lugar na Marmeleira e veio agora assentar praça no nosso Barreiro.

Procurou ajuda entre incautos e voluntários barreirenses, que com seus contactos lhe traçaram caminho para “saborosos e desejados” acervos e espólios, que à vista de todos aqueles que visitam o local da Associação Ephemera, estão amontoados, mal catalogados, sem conservação, ensacados nas fibras sintéticas com publicidade a um qualquer hipermercado, expostos à humidade, manuseados de forma incorrecta e pasme-se sem qualquer sistema de incêndio a prevenir, aquilo que poderá acontecer, nem mesmo um extintor.

Com pompa e circunstância inaugurou o local. Políticos locais, políticos nacionais, a imprensa local, a imprensa nacional e……uma banda filarmónica. Fiquei de boca aberta, o outro, o mais esperto que conheço, estando no Barreiro e inaugurando o local, já com espólio de barreirenses na sua posse, coloca a Banda Filarmónica da Casa do Povo da Vila da Marmeleira, no centro da acção. O outro, o mais esperto que conheço, ignora a Banda Filarmónica que existe na terra, essa terra que deu a mão à sua Disposofobia.

Os barreirenses que deram acervos e espólios ao outro, o mais esperto que conheço, perante a Disposofobia e anarquia visível no local, desde bem cedo, mantêm um diferendo com o mesmo, pois querem reaver os seus acervos e espólios de volta, para que sejam conservados por si ou outros que de forma profissional, correcta e segura o façam, pois é bem visível que naquele local a Memória de todos nós, será perdida para sempre.
E eis que a Câmara Municipal do Barreiro, nomeia o outro, o mais esperto que conheço, para a Medalha de Barreiro Reconhecido 2021.

Não sei quem foi o autor da ideia, mas parece-me que aqueles de quem dizem nunca terem feito nada, aconselharam aqueles que agora dizem que fazem tudo, a nomear o outro, o mais esperto que conheço.
Pedra num sapato? Pagamento pela memória de alguém que lutou pelos outros? Nomear os dois armazéns, como os melhores na “cidade dos arquivos”?
Respeito pelos barreirenses, não é!!! Até porque o Barreiro Reconhecido, sempre teve o intuito de reconhecer alguém que através do tempo, tudo de si deu ao Barreiro e aos barreirenses, e nunca quem num momento apareceu no Barreiro e pelos barreirenses nada fez.

Tenho a certeza que o outro, o mais esperto que conheço, vai recusar receber tal distinção! Porquê?
Porque sendo esperto, sabe que por esta terra, que é o Barreiro, não fez nada, absolutamente nada, tão nada, nada, que nem tocou a pandeireta ou o saxofone da Banda Municipal do Barreiro, na inauguração da sua (só sua) Associação Ephemera.

João Simões

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