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Quotidianos

Psicologia - Notas ReflexivasPSICOSE E O DELÍRIO - PARTE III
Notas Reflexivas (Prosa Poética)
Por Rui Grilo
Barreiro

Preso, amarrado, acorrentado aos pensamentos...

Um misto de insanidade sadia, de ter e não possuir...
O conflito interior, a incerteza, a suspeita...

Uma imagem disforme, formada em si mesmo...
A loucura indesejada (ou desejada) que permanece...

2 min de leitura
Psicologia - Notas Reflexivas PSICOSE E O DELÍRIO - PARTE III Notas Reflexivas (Prosa Poética) Por Rui Grilo Barreiro

Por Jornal Rostos

O Delirio revela se através de um sofrimento psíquico angustiante, como se a pessoa fosse privada e castrada da realidade. No fundo é incapaz de enfrentar a sua personalidade, tornando-se alguém impotente sem qualquer tipo de insight para interpretar os seus pensamentos... os seus delírios...

Será apenas numa fase depressiva, que a consciencialização de si se torna evidente, e aí, poderá reflectir sobre o seu estado psicológico...

Obviamente que o deprimir e o contacto com realidade externa torna-se de tal forma insuportável, que o que resta, será um retorno à sua própria realidade delirante,... que sendo agoniante, é o seu refugio...

Desta forma, a psicose e o delírio estão envoltos em ambivalências sequenciais, o querer deprimir e entender, o confrontar e sofrer, o delirar...

A psicose é então um conjunto de relações patológicas e perturbadoras que o paciente estabelece, e que por fragilidade psíquica e organizacional, levam a comportamentos de conteúdo delirante e alucinatório...

Existe um desfasamento da realidade psíquica e uma reorganização da realidade fantasmática, realidade patológica...

O aspecto enlouquecedor subjacente é de tal forma desesperante, a realidade externa é vivenciada de forma tão insuportável e desagregada, que é a realidade interna delirante a única a possibilitar a sobrevivência mental...

Estes aspectos são retratados de forma exemplar no filme “A Repulsa”, de Roman Polansky, em que uma mulher muito só, desenvolve uma crise psicótica e posterior descompensação, tendo por base pensamentos sórdidos e perversos...

A incapacidade em estabelecer relações sãs, a inveja que coloca sobre os outros e a culpabilização, levou-a a um estado de isolamento doentio, seguido de uma consequente clivagem com a realidade...
Um bem haja...

Rui Grilo

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