O Barreiro sente-sePor João Neves
Barreiro

Por Jornal Rostos
É talvez nesta relação que os rios nos proporcionam que constatamos que, mesmo que a vida nos leve a procurar outras margens, nunca saímos verdadeiramente daquela de onde partimos. E, tal como o barco do Barreiro, é aqui que acabamos sempre por acostar, mesmo que seja em pensamento.
O que é relevante não será tanto o ter-se nascido no Barreiro, mas algo ainda mais forte. Uma afirmação que nada tem de exagero, que não se perde com explicações quando o que está em causa é um sentir que guarda em si mesmo todas as respostas.
Por isso, pouco importa a distância do cais, que ventos nos tenham empurrado para longe ou se o regresso a casa seja um plano repetidamente adiado; sentimo-nos sempre do Barreiro e reconhecemo-nos em qualquer parte do mundo.
Sem nos apercebermos, transportamos valores, que, não sendo um exclusivo do Barreiro, fazem parte deste imenso património que foi sendo construído na solidariedade, no humanismo, no trabalho, na luta e na dura resistência, muito antes da palavra resiliência ter sido inventada.
Tendo cada um de nós diferentes experiências, e opiniões tantas vezes conflituantes que serão o resultado de todas as nossas vivências, tais circunstâncias raramente interferem com essa realidade.
Com tudo o que isso tem de subjetivo não existirá, portanto, um só entendimento ou uma fórmula única de o sentir, mas uma multiplicidade infindável de possibilidades de dar expressão a esse sentimento de pertença.
Contudo, não restará qualquer dúvida em relação a um aspeto muito particular e comum a todos aqueles que partilham desta concepção. Que ninguém ouse diminuir o Barreiro ou transformá-lo ao ponto de se perder a sua identidade e a sua essência, que aprendemos desde cedo a respeitar.
Neste Dia da Cidade, viva o Barreiro!
João Neves














