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Quotidianos

Para quem só usa um martelo, tudo parece um prego.Por José Paulo Rodrigues
Barreiro

É minha convicção que, no Barreiro, o próximo mandato autárquico precisa construir uma relação que nos permita manter estabilidade financeira, onde a visibilidade da aplicação dos impostos e dos fundos comunitários façam sentido, ajudem a fixar os que cá estão a viver e criem incentivos para os que queiram morar no Barreiro e aqui constituir família.

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Para quem só usa um martelo, tudo parece um prego. Por José Paulo Rodrigues Barreiro

Por Jornal Rostos

Por isso, o próximo executivo camarário deverá focalizar a sua ação num objetivo estratégico, centrado na melhoria do nível e da qualidade de vida dos barreirenses, numa comunidade socialmente integrada e economicamente forte.

Hoje, olhar para a nossa cidade sem os filtros da paixão e da emoção, próprios de quem a ama pelas suas raízes é perceber que, no Barreiro, os esforços que têm sido empregues na tentativa de melhoria geral da cidade, ficam muito aquém da necessária transformação que ambicionamos e são insuficientes para uma população que aspira voltar a ver na sua cidade um dos principais eixos de modernidade do País.

Que Barreiro temos hoje?
Hoje, temos um Barreiro dos vídeos, das rotundas, de algumas melhorias que a ação de manutenção evolutiva do atual executivo camarário tem levado a cabo, mas também temos o Barreiro da estagnação económica, da fuga dos jovens, da não criação de emprego qualificado, da deterioração das condições de vida e de trabalho, o Barreiro da falta de esperança na sua recuperação, um Barreiro politicamente submisso, resignado e pouco reivindicativo.
Temos no Barreiro uma gestão autárquica focada nos objetivos partidários de perpetuação no poder e centrada em mostrar que o futuro da cidade está no betão e no asfalto. É claro que nada disto é de estranhar, pois para quem só sabe trabalhar com um martelo, tudo lhe parece um prego.

A atração de investimento gerador de riqueza e impulsionador da criação de postos de trabalho, enquanto estratégia fundamental para fixar pessoas, garantir emprego e desenvolver economicamente o concelho, deve ser uma preocupação dominante no nosso Município.

Obviamente que a atração deste tipo de investimento põe-nos em concorrência com todos os outros municípios da Área Metropolitana de Lisboa, que também procuram para os seus territórios e para as suas populações, investimento, desenvolvimento e bem-estar social. Por isso, atrair investimento só com base em medidas de redução de taxas, distribuição de benefícios fiscais, subsídios ou benesses, não é suficiente.

Precisamos de procurar oportunidades para construir um projeto estruturante que ajude a transformar de novo a cidade, com capacidade de gerar crescimento, criação de emprego e sobretudo de produzir um impacto forte no concelho, ao nível do seu desenvolvimento e crescimento.

Trata-se obviamente de uma ação complexa e um grande desafio no plano político. Mas é preciso vencer o preconceito ideológico que nos impede de contribuir para o fortalecimento da classe média, alavancando-a como dinamizadora da economia local. É crucial derrubar os muros ideológicos que são associados ao Barreiro.

Defendo a necessidade de uma estratégia clara de atração de investimento, onde teria de ser trabalhada uma nova imagem do Barreiro. Este trabalho não pode ser elaborado com medidas isoladas ou esporádicas e que deve ser coordenado através de uma entidade a criar: uma Agência Local de Investimento do Barreiro.

É preciso criar condições e trabalhar ativamente para trazer novos projetos de investimento para o Barreiro. Projetos de investimento com capacidade de criação de emprego qualificado, que não assente a sua competitividade numa política de baixos salários, com capacidade de crescimento e de dinamização da envolvente económica barreirense, que permita atrair e fixar população mais jovem e preparada para os desafios profissionais do futuro.

Conseguir que novos projetos se fixem no Barreiro implica um trabalho continuado e planeado, envolvendo diversos agentes internos e externos, de forma coordenada, sendo este também um dos objetivos que com a criação da Agência de Investimento Local se pretende atingir.

Esta, em cumprimento de objetivos estratégicos a definir e a consagrar no Plano Diretor Municipal e noutros documentos de definição de estratégias locais de desenvolvimento, deverá visar o apoio à inovação tecnológica, a modernização das empresas e comércio local e sobretudo estimular um ambiente favorável ao investimento no concelho.

Para alguns dos leitores, virá à memória a Startup Barreiro que, recordo, tem uma essência totalmente diferente de uma Agência de Investimento. Obviamente que as start-ups fazem falta e é preciso ajudá-las, mas através da ação articulada com uma Agência de Investimento Local, que tem de ser estruturada em objetivos e processos equiparados aos de uma agência nacional de investimento, relacionando-a com os níveis governamentais de País e da União Europeia, das melhores empresas, Universidades e Centros de Investigação.

Este é um caminho em que os resultados não são observáveis ao fim de 6 meses ou 2 anos, mas que pode ser capaz de mudar a face da nossa terra num período de 10 anos.

José Paulo Rodrigues
Candidato Independente à Câmara Municipal do Barreiro, nas listas do PSD

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