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Quotidianos

«Barreiro, A Cidade da Empresa»Por Hugo Cruz
Barreiro

Na nostalgia de um inconformado que dorme pouco como eu, não se concebe um Barreiro cidade dormitório. É contra o ADN barreirense. Esse ADN empreendedor, de empresa, de trabalho, de desenvolvimento económico como alavanca da qualidade de vida e do desenvolvimento social. É o que distingue o Barreiro de grande parte dos concelhos da chamada “Margem Sul”, a que os barreirenses orgulhosamente torcem o nariz quando lhes dizem que a ela pertencem, e prontamente afirmam: “Eu sou do Barreiro!”.

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«Barreiro, A Cidade da Empresa» Por Hugo Cruz Barreiro

Por Jornal Rostos

Porém, longos anos de ambiente hostil ao investimento privado, “de lutas”, de “direitos” sem “deveres” levaram à completa descaracterização da nossa cidade, do nosso concelho, ao progressivo e sistemático abandono e decadência de empresas e, consequentemente, à fuga e mais difícil condição social de pessoas.

Ao ponto dos profissionais da reivindicação, da luta, da greve e do protesto terem que o fazer noutros concelhos. No Barreiro, (infelizmente) poucas serão já as empresas contra as quais se possam atualmente manifestar.
Felizmente, esses, que defenderam durante décadas a lógica do “quanto pior, melhor” (uma estratégia de poder) são já mais passado que presente, e se se mantiverem nesse caminho, dificilmente voltarão a ser futuro.
São muros que se vão derrubando, são amarras ideológicas que se perdem, e que deixam de toldar a visão, para um concelho moderno, sustentável e de futuro.

Contudo, inverter a tendência de descaracterização e de dormitório do nosso Barreiro não é algo que se possa fazer de forma amadora, impreparada, extemporânea. Nem com betão por betão. Aliás, sobretudo, não é com vídeos bonitos e propaganda sistemática. Esses visam a manutenção do “poder pelo poder”, o “auto-elogio” e não qualquer benefício para a generalidade dos barreirenses e do concelho.

É fundamental exigir e influenciar os decisores governativos centrais no sentido da defesa ativa dos interesses do Barreiro e dos barreirenses. Essa defesa e exigência hoje não existem. Investimento atrás de investimento vão caindo com uma passividade quase absoluta do Partido Socialista local perante o Governo Socialista. Uma subserviência e passividade, que nos prejudicam sistematicamente.

Porém e sobretudo é precisa uma estratégia integrada própria de desenvolvimento económico sustentável para a cidade, que abranja todo o concelho, não se podendo descurar desde logo que os territórios, os concelhos, as cidades, competem entre si. Essa estratégia hoje não existe.

É preciso, assim, entre outros fatores:
a) Apoiar e reter as empresas barreirenses, das micro às grandes empresas;
b) Atrair para o Barreiro empresas já existentes noutros locais;
c) Atrair para o Barreiro investidores e novos projetos e empresas;
d) Incentivar os barreirenses a empreender, criando as suas próprias empresas.

Como? Por exemplo:
a) Criando a Barreiro Invest – Agência Local de Investimento, que potencie o trabalho iniciado com a Startup Barreiro (incubadora de empresas, em criação/desenvolvimento, por iniciativa do PSD-Barreiro), e a iniciativa privada para o desenvolvimento económico, de forma profissionalizada e eficaz;
b) Fomentando a criação de Parques Industriais/Tecnológicos/Logísticos modernos e competitivos comparativamente com os Concelhos limítrofes, argumentando com a localização geoestratégica ímpar do Barreiro;
c) Potenciando a frente ribeirinha como catalisador de investimentos relacionados com o desporto, lazer, hotelaria ou restauração;
d) Desburocratizando procedimentos que permitam licenciamento de atividades económicas num prazo de 30 dias;
e) Racionalizando e reorganizando Serviços para que se facilite uma análise integral das propostas/pedidos apresentados, garantindo assim de uma só vez, a resposta completa à identificação dos elementos que necessitam ser corrigidos para aprovação da proposta/pedido;

f) Cooperando com o ensino superior e ensino técnico, nomeadamente o Instituto Politécnico de Setúbal e outras entidades, para uma cada vez maior adequação dos cursos lecionados/a lecionar aos objetivos de desenvolvimento económico do Barreiro, permitindo emprego de mão-de-obra qualificada e focalizada em áreas tais como as novas tecnologias, logística, ambiente/energias renováveis;
g) Potenciando a realização de protocolos entre as empresas e os estabelecimentos de ensino para promover projetos dos alunos nas empresas, estágios ou outro tipo de parcerias e iniciativas conjuntas;
h) Criando um ambiente fiscal municipal atrativo para fixação das empresas, nomeadamente, através da derrama e licenciamentos a tarifas reduzidas;

i) Definindo com os comerciantes e empresários políticas de dinamização e promoção do espaço público, através da realização de feiras, animação de rua, publicidade e outros eventos que potenciem e revitalizem o Comércio Tradicional;
j) Revendo as Regras e Regulamentos Municipais, diminuindo os valores atualmente praticados, nomeadamente nas taxas aplicáveis ao sector da restauração, Comércio Tradicional e publicidade;
k) Revendo as tarifas da água a aplicar ao comércio;
l) Facilitando a vida aos empresários na sua relação com o Município;

m) Escrutinando e controlando a instalação de novas grandes e médias superfícies comerciais no concelho, permitindo o desenvolvimento do comércio local;
n) Permitindo a análise e a aprovação de propostas de instalação, remodelação e construção no prazo de 90 dias;
o) Ajudando a criar uma independente e verdadeira Associação de Defesa do Comércio Tradicional;
p) Fomentando a desburocratização de procedimentos e garantindo a obtenção de resposta em prazos aceitáveis;
q) Gerindo com eficiência e equilíbrio os espaços dos mercados municipais. Adaptando à realidade e onde se reduza o excesso de pessoal e os gastos de energia (com vista à redução dos custos);

r) Criando o Balcão do Munícipe, em cada mercado, para servir de “loja-âncora”, atraindo os munícipes aos mercados municipais para aí tratarem de qualquer questão na sua relação com o município, como por exemplo: pagar a água, comprar o passe dos TCB e pedir/obter informações;
s) Revendo os regulamentos dos mercados, tendo em atenção as opiniões e sugestões dos comerciantes, com vista à simplificação de regras e promovendo a celeridade no processo de concessão de bancas;
t) Promovendo a atividade turística enquanto cidade ribeirinha e de proximidade em relação a Lisboa.

Estes são apenas alguns exemplos de ações que podem potenciar a criação de uma variável diferencial do Barreiro, no contexto da Península de Setúbal e da Área Metropolitana de Lisboa, que sirvam como catalisador do desenvolvimento económico e social não só do Barreiro mas de toda uma região.
Em suma, o Barreiro, a Cidade da Empresa!

Hugo Cruz
Candidato do PSD-Barreiro à Assembleia Municipal do Barreiro

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