Psicologia - Notas ReflexivasMEMÓRIAS DE UM PASSADO RECENTE
(Notas sobre o confinamento pandémico, Esperança e emocionalidade)
Por Rui Grilo
Barreiro
Quando em tempos o nosso espaço pessoal e privado foi motivo para validar a família como unidade, previligiando-se a casa como um contexto associado ao refúgio e à segurança... Hoje, em muitos casos, é sentido como uma limitação da nossa liberdade em poder viver e sentir o mundo... Como se já nada fosse seguro, onde apenas através das barras da nossa prisão, podemos vislumbrar e ouvir os pássaros...

Por Jornal Rostos
O isolamento social é devastador, contrário a tudo aquilo que construímos ao longo de uma vida em termos de socialização e de promoção de relacionamentos interpessoais....
Quando o contexto de domicílio promovia um estado de acalmia e de recuperação psicológica, como resposta quase terapêutica perante um mundo feroz e avassalador....Revela-se agora um local, com uma intensa probabilidade de se potenciar fragilidades emocionais, bem como dificuldades do ponto de vista da saúde mental...
Agora sim... Percebo o que é ser um pássaro, com capacidades para voar, e estar limitado por uma prisão em si...
Que venha rápido a luz que nos devolva novamente a liberdade...
...e a Esperança... emoção sentida por tantos e tão desejada nos dias que correm...
Esperança num futuro melhor...ou pelo menos... Esperança que o nosso presente, seja pelo menos semelhante ao nosso passado recente...
Aí, onde as relações eram vividas de forma intensa...sem obstáculos ao contato e ao toque... sem que estivéssemos bloqueados por esta máscara, que cada vez mais se torna uma máscara emocional interna... castradora e inibidora do sentir...castradora do olhar seguro sem receio do outro....sem receio de nós próprios...
Somos seres adaptativos... de facto...
Mas que adaptação tão forçada, que nos inibiu nos relacionamentos pessoais e sociais....?
Mas que adaptação tão forçada, que nos retirou a cor e pintou de cinzento...?
Mas...Sim... temos de ter a convicção inabalável no Homem e na sua capacidade de resiliência...na sua capacidade em acreditar...
Sim... temos de ter esperança que as nossas crianças irão novamente sentir o ar que respiramos sem medo...que poderão brincar sem comprometimento...que voltarão a ser coloridos e a transmitir a alegria de que são feitos...
Esperança que em breve possamos dar um abraço....porque somos seres emocionais e da relação...precisamos uns dos outros...
Está na nossa natureza sermos assim...
E todos temos um papel preponderante neste enredo...um papel de superação...
Sei que ainda vamos voltar a sorrir, porque a esperança reside em cada um de nós...
Um bem haja
Rui Grilo














