Saltar para o conteúdo
Quotidianos

Psicologia - Notas ReflexivasINTEGRAÇÃO DO PSICÓLOGO EM CONTEXTO DE APOIO DOMICILIÁRIO - PARTE I
(Notas sobre o envelhecimento psicológico)
Por Rui Grilo
Barreiro

Uma das características essenciais do envelhecimento psicológico, diz respeito à dificuldade na capacidade de adaptação. Acima de tudo, o idoso deseja manter um ambiente estável, e qualquer mudança, pode correr o risco de ser rejeitada e originar alterações emocionais.

4 min de leitura
Psicologia - Notas Reflexivas INTEGRAÇÃO DO PSICÓLOGO EM CONTEXTO DE APOIO DOMICILIÁRIO - PARTE I (Notas sobre o envelhecimento psicológico) Por Rui Grilo Barreiro

Por Jornal Rostos

“Tudo nele e dele era velho, menos os olhos, que eram da cor do mar, alegres e não vencidos…”
Hernest Hemingway
O Velho e o Mar

(A)– Introdução

A temática da terceira idade reveste-se de extrema importância, já que na actualidade existe uma elevada percentagem de pessoas idosas em Portugal, e como tal, a elaboração de estratégias e a prevenção da institucionalização é o objectivo essencial dos técnicos ligados à área do Serviço de Apoio Domiciliário.

Com a presente reflexão dividida em diversas partes, pretende-se discutir alguns aspectos relacionados com a integração do psicólogo no S.A.D., percebendo quais as limitações e possibilidades da sua intervenção no domicilio.

Pretende-se igualmente demonstrar a importância do trabalho interdisciplinar, de forma a realçar o papel da psicologia no trabalho com a população idosa.

As características do psicólogo neste âmbito, são algo de muito importante a considerar, já que se trata de uma forma de intervenção muito peculiar, com um grau bastante elevado de exigência e flexibilidade por parte do técnico.

Será meu propósito também, referir quais as patologias mais frequentes e qual a abordagem terapêutica a utilizar, nunca descurando uma observação global do funcionamento do idoso e da sua história de vida.

Finalmente, gostaria de evidenciar a importância do cuidador na vida das pessoas idosas, e de que forma, o psicólogo poderá contribuir para um aumento da satisfação e consequentemente, para a prevenção do aparecimento de perturbações psíquicas.

(B)– Envelhecimento psicológico

O envelhecer, “…é uma fase da existência dominada por grandes transformações nos planos físico, psíquico e social, de origem interna ou externa; naturais e esperadas umas, súbitas e imprevistas outras.

Tais transformações reflectem-se tanto no comportamento como na experiência subjectiva da pessoa que envelhece, concorrendo muitas vezes para o aparecimento de certas formas de doença psíquica. A fronteira entre o normal e o anormal é aqui especialmente difícil de delimitar.” (Barreto, J., 1988).

Perante a ideia anterior, a incerteza sobre os processos psicológicos na terceira idade, é algo que ainda poderá ser bastante explorado e que de certa forma, o psicólogo poderá assumir um papel importante.

O envelhecimento é um fenómeno que pode ser apreendido a diversos níveis, quer biológico em que existe um aumento das doenças e das modificações do aspecto; quer social em que ocorre uma mudança de estatuto provocada pela passagem à reforma; quer ao nível psicológico em que existem modificações das actividades intelectuais e das motivações dos idosos.
Daí poderão resultar dificuldades de adaptação a novos papeis; dificuldade em planear o futuro, baixa auto – estima e desvalorização pessoal.

Conhecendo o desenvolvimento biopsicosocial da pessoa idosas, permitirá ao psicólogo, compreender as necessidades afectivas da mesma, criar relações humanas de boa qualidade e explicar algum comportamento considerado mais confuso.

Uma das características essenciais do envelhecimento psicológico, diz respeito à dificuldade na capacidade de adaptação. Acima de tudo, o idoso deseja manter um ambiente estável, e qualquer mudança, pode correr o risco de ser rejeitada e originar alterações emocionais. Esta capacidade de adaptação está muito relacionada com os factores de personalidade construídos pela pessoa ao longo da sua vida.

Existe igualmente uma diminuição da eficiência intelectual, notando-se dificuldades na resolução de problemas novos e alterações na aprendizagem, imaginação e intuição.

As funções intelectuais estão também atingidas relativamente à visão e audição, levando ao isolamento e a sentimentos de fragilidade psíquica.

O envelhecimento da memória é também muito frequente nos gerontos, já que deixa de ser exigida, reforçada e mantida pelo próprio. A dificuldade não consiste na aquisição de nova informação, mas sim, na recuperação da mesma.

A psicologia deverá então intervir sobre todos estes factores, reforçando sempre que possível, os aspectos positivos do envelhecimento.

Um bem haja.
Rui Grilo

(I Parte de texto publicado na Revista Psicologia na Atualidade)

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção