Psicologia - Notas ReflexivasINTEGRAÇÃO DO PSICÓLOGO EM CONTEXTO DE APOIO DOMICILIÁRIO - PARTE II
(Notas sobre o Apoio Domiciliário, Interdisciplinaridade e a importância da psicologia)
Por Rui Grilo
Barreiro

Por Jornal Rostos
C) – Apoio domiciliário
“O serviço de apoio domiciliário (S.A.D) é uma resposta social que consiste na prestação de cuidados individualizados e personalizados no domicilio, a indivíduos e famílias quando, por motivo de doença, deficiência ou outro impedimento, não possam assegurar temporária ou permanentemente, a satisfação das suas necessidades básicas e/ou actividades da vida diária.”
Núcleo de documentação técnica e
divulgação (Bonfim, C; Veiga, S; 1998)
De acordo com a definição anterior, torna-se clara a importância do Serviço de Apoio Domiciliário, não só relativo às pessoas idosas que acabam por ser a população privilegiada neste apoio, bem como, pessoas que por algum motivo, estão incapacitadas de organizar e satisfazer as suas necessidades do dia a dia.
Assim, os objectivos gerais do Serviço de Apoio Domiciliário passam por:
a) Contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos e famílias;
b) Contribuir para retardar ou evitar a institucionalização;
Os objectivos específicos do Serviço de Apoio Domiciliário são, nomeadamente:
1) Assegurar aos indivíduos e famílias satisfação de necessidades básicas;
2) Prestar cuidados de ordem física e apoio psico-social aos indivíduos e famílias, de modo a contribuir para o seu equilíbrio e bem-estar;
3) Colaborar na prestação de cuidados de saúde.
O Serviço de Apoio Domiciliário deve ainda proporcionar os seguintes serviços:
1) Prestação de cuidados de higiene e conforto
2) Arrumação e pequenas limpezas no domicilio
3) Confecção, transporte e/ou distribuição de refeições
d) Tratamento de roupas
(D) – Interdisciplinaridade e a importância da psicologia
A psicologia integrada no Serviço de Apoio Domiciliário (S.A.D.), pretende como objectivo geral, intervir maioritariamente com a população idosa em situações de risco e de perda, prevenindo-as ou trabalhando-as quandobsão um facto e já estão instaladas.
Assim, para se intervir de uma forma eficaz com o idoso, o psicólogo não deverá centrar- se apenas na patologia e nos aspectos relativos à personalidade, mas sim, ter uma visão global e abrangente da pessoa e das redes de suporte social e familiar, de forma a poder salientar e trabalhar os aspectos positivos.
No fundo, será importante o psicólogo averiguar as situações, no sentido de adequar uma resposta às necessidades do indivíduo, aumentando com isso, a sua autonomia e independência.
Até então, as áreas respeitantes à gerontologia, privilegiaram os aspectos cognitivos, salientando as perdas e os défices,... Contudo, hoje em dia com a inclusão da psicologia neste panorama, contemplam- se aspectos como os: “…problemas sócio – familiares, as condições de ‘ajustamento ’ da pessoa nas suas relações com o meio que a rodeia e o debater temas ligados à personalidade, sexualidade, etc.” (Jerónimo, L; 2000). Seguindo esta perspectiva, o nosso foco não são os défices, mas sim privilegiar as competências psicossociais.
Desta forma, a interdisciplinaridade é extremamente importante, já que “…constitui um número (variável) de profissionais com competências complementares mas unidos por um objectivo comum: contribuir para o bem- estar e melhoria da qualidade de vida dos idosos.” (Jerónimo, L; 2000)
De entre os vários profissionais que poderão coexistir no modelo de interdisciplinaridade, destaca-se o médico, técnico de serviço social, psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, nutricionista, enfermeiro, monitores, pessoal auxiliar, entre outros.
Então, “ … o trabalho em equipa permite a divisão de responsabilidades na tomada de decisões quanto ao caminho a tomar no âmbito dos tratamentos. Isso não significa que a responsabilidade de cada profissional diminua em relação ao paciente, mas sim que várias pessoas, pensando sobre os casos a partir de pontos de vista diferentes, têm maiores hipóteses de levar em conta as implicações existentes antes de decidirem condutas.” (Laham, C; 2000).
Penso que a ideia anterior explícita adequadamente o conceito de interdisciplinaridade, contudo será relevante não descurar as diferenças óbvias entre as diversas disciplinas enumeradas, já que o que nos interessa principalmente, será reforçar a ideia de complementaridade estando as tarefas na linha umas das outras.
Assim, a comunicação entre os diversos profissionais deverá fluir, e para tal, é importante que cada um deles entenda os objectivos de cada uma das áreas, e não apenas da sua.
Geralmente, os profissionais de saúde tendem a perceber o paciente de uma forma muito objectiva, sempre associada à sua área de intervenção, contudo, o psicólogo poderá trazer alguma subjectividade do próprio paciente aos outros elementos da equipa, aos cuidadores e à família.
Seria importante, que o psicólogo fosse igualmente um facilitador na comunicação entre a equipa e os pacientes / familiares.
Acima de tudo, o trabalho em equipa favorece os profissionais, na medida que poderão partilhar informação sobre o mesmo utente e arranjar estratégias de intervenção em conjunto, como também o idoso, que terá ao seu dispôr uma série de técnicos habilitados na área da gerontologia.
Um bem haja.
Rui Grilo














