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Quotidianos

Psicologia - Notas ReflexivasINTEGRAÇÃO DO PSICÓLOGO EM CONTEXTO DE APOIO DOMICILIÁRIO - PARTE III
(Notas sobre a avaliação psicológica e fases)
Por Rui Grilo
Barreiro

(E) – Avaliação psicológica do idoso e fases

Após a integração do psicólogo no Serviço de Apoio domiciliário, terá de existir por parte do mesmo, um conhecimento dos casos sinalizados pela técnica de serviço social como os que poderão necessitar de apoio psicológico.

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Psicologia - Notas Reflexivas INTEGRAÇÃO DO PSICÓLOGO EM CONTEXTO DE APOIO DOMICILIÁRIO - PARTE III (Notas sobre a avaliação psicológica e fases) Por Rui Grilo Barreiro

Por Jornal Rostos

Será então, que o técnico irá fazer uma avaliação da situação, no sentido de perceber se existe realmente indicação para iniciar um tratamento.

Contudo, terá que ter em atenção alguns aspectos relevantes para que possa efectuar essa avaliação, e José Ermida, descreve alguns itens que contribuem para a compreensão da importância da avaliação nos cuidados do idoso:

1. “ O idoso é um individuo física, psíquica e socialmente diminuído e cuja capacidade de recuperar e repor o seu equilíbrio é mais lenta e difícil.”

2. “ O padrão de doença de um idoso decorre de um terreno diminuído, de uma patologia múltipla e frequentemente pouca expressiva, e tem uma relação com o social.”

3. “As soluções para os problemas do idoso têm quase sempre um carácter multidisciplinar e interdisciplinar, e envolvem profissionais de sectores diversos.”

(Ermida, J; 1994)

De certa forma, pretende-se fazer uma avaliação que compreenda o estado de saúde do idoso nos planos físico, mental e funcional, bem como, um enquadramento na realidade familiar e social em que vive.

Assim, torna-se relevante, o psicólogo elaborar:

1. Anamnese: Através desta metodologia, o psicólogo centra-se numa entrevista ao idoso, aos familiares e às pessoas com quem vive, sendo que, a recolha desta história de vida nem sempre se torna fácil ou credível devido às diminuições do idoso.

2. Exame físico: Aqui é extremamente importante uma colaboração dos familiares ou pessoas mais próximas, no sentido de esclarecer o psicólogo das alterações físicas que ocorreram devido ao envelhecimento, bem como, quais as doenças orgânicas existentes e que medicação é utilizada.

3. Exame mental: O psicólogo deverá avaliar o estado psíquico e mental do idoso. Não se trata de um exame mental muito profundo, mas sim, do estado afectivo e cognitivo. Além de um conhecimento acerca das alterações sobre o envelhecimento psicológico, deverá igualmente estar atento às mudanças comportamentais e deterioração mental.

4. Avaliação funcional: Obviamente que nas deslocações à casa do idoso, o psicólogo deverá ter em atenção todos os aspectos referidos anteriormente, como também todos os aspectos que condicionam a autonomia e que retiram qualidade de vida ao geronto.

Assim, é muito importante que o psicólogo perceba quais as tarefas que a pessoa idosa consegue executar sozinha ou com ajuda, a que José Ermida chama de

Actividades de Vida Diária (A.V.D.) e que são:
- Tomar banho, vestir-se, alimentar-se, andar e comunicar

Além das anteriores descritas, existem ainda as

Actividades Instrumentais de Vida Diária (A.I.V.D.) e que são:
- Escrever, ler, telefonar, cozinhar, arrumar a casa, fazer as compras, utilizar transportes, lidar com dinheiro e tomar medicação.

Luís Jerónimo define algumas fases acerca da intervenção do psicólogo ao nível do apoio domiciliário, fases essas que espero poder complementar com base na minha prática profissional.

1. Avaliação / Diagnóstico –

Será importante procedermos a uma primeira avaliação da situação com base nos 4 aspectos definidos anteriormente. Contudo, a primeira avaliação nunca será efectuada pelo psicólogo, já que será primordialmente a técnica de serviço social que fará uma primeira sinalização e que encaminhará ao psicólogo.

De qualquer forma, cabe sempre ao psicólogo avaliar em termos psíquicos o idoso e efectuar o seu parecer final. É também muito importante, que na primeira visita domiciliária, o psicólogo possa ser acompanhado da técnica responsável pela instituição, no sentido do idoso não percepcionar o profissional como um intruso.

No que diz respeito ao diagnóstico, penso que não será num primeiro instante relevante definir o mesmo, mas sim, perceber o estado afectivo, relacional, familiar e cognitivo do idoso, bem como, a rede de suporte social e as competências psicossociais.

Numa fase posterior então, será importante perceber o diagnóstico, até porque nos vai ajudar na complementaridade da nossa intervenção, sendo que as patologias predominantes, centram-se na depressão e questões demênciais.

2. Planeamento de intervenção –

Aqui é extremamente pertinente elaborar objectivos terapêuticos individuais para cada uma das situações, planeando quais os aspectos onde se deve centrar a intervenção do psicólogo.

No fundo, pretende-se individualizar o idoso como pessoa e adequar o melhor tratamento para ela. Deve-se igualmente estipular a planificação das visitas domiciliárias, sendo que numa primeira fase, é importante fazer visitas semanalmente. Contudo, nem sempre isso é possível, passando as visitas a ter um intervalo quinzenal.
Os registos sistemáticos das visitas domiciliárias, são igualmente importantes.

3. (Re) avaliação e (re) definição de estratégias do plano de intervenção –

No decorrer do apoio, o técnico vai estabelecendo uma relação com utente e conseguindo perceber as problemáticas associadas ao sofrimento.

Geralmente, após um espaço de 6 meses, deverá fazer-se uma reavaliação da estrutura psiquica do individuo, alterando, se necessário, os objectivos e as estratégias deliniadas incialmente. Contudo, penso que nunca será de mais, o psicólogo ir fazendo constantes avaliações, no sentido de ir percebendo os avanços e retrocessos.

4. Recuperação e reposição do equilíbrio mental, melhorando a qualidade de vida –

Esta será a fase mais desejada mas mais complexa de alcançar. Acima de tudo, podemos verificar uma redução na sintomatologia depressiva e ansiogénica, mas quase sempre, acompanhada de oscilações constantes qu e poderão culminar em instabilidade emocional acentuada. Importante, será podermos contribuir para um aumento da qualidade de vida da pessoa idosa.

Os testes de avaliação psicológica também poderão ser utilizados, mas talvez mais ao nivel da definição do diagnóstico.

Acima de tudo, o psicólogo deverá avaliar como o paciente está a enfrentar a sua doença ou situação de vida, bem como os recursos psíquicos que estão disponíveis a pessoa.

Um bem haja.
Rui Grilo

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