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Quotidianos

Rendas das casas no Barreiro a caminho de serem incomportáveisLuís Tavares Bravo
Barreiro

“É quando a maré baixa que se vê quem estava a nadar sem calções”. Esta é uma frase que um dos mais bem-sucedidos investidores de sempre, o norte americano Warren Buffet, usava para se referir sobre empresas cuja solidez era sobrestimada pela perceção geral. Esta é uma perceção que acompanha como regra na minha área profissional, para olhar para olhar para a realidade dos factos fundamentais, e fugir ao fluxo da narrativa à volta de entusiasmos exacerbados, e que são comuns nos mercados financeiros, como em muitas coisas na vida, como por exemplo a análise da realidade de contexto da nossa cidade.

5 min de leitura
Rendas das casas no Barreiro a caminho de serem incomportáveis Luís Tavares Bravo Barreiro

Por Jornal Rostos

Barreiro, cidade onde mais subiram, e de longe, as rendas a nível nacional

Esta foi a frase de que me recordei, quando ontem vi a notícia produzida pelo jornal semanário NOVO (link para o artigo) sobre a evolução das rendas no nosso município, e que salienta de forma clara a evolução vertiginosa dos custos do arrendamento , sobretudo quando comparado com o resto do das cidade comparáveis:

"Entre as 35 cidades nacionais mais populosas do país, o Barreiro é, de longe, aquela onde a explosão de preços mais se tem feito sentir: nos últimos três anos, o valor mediano das rendas por metro quadrado dos novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares cresceu a um ritmo médio de 13,21% por ano; e o valor mediano das vendas por metro quadrado disparou, em média, 16% por ano. Isto significa que entre o primeiro semestre de 2018 e o primeiro semestre de 2021, o preço das casas na cidade do Barreiro teve um incremento global de 56% e que as rendas dos novos contratos de arrendamento aumentaram 45%. Por exemplo, em 2018, um apartamento com 100 metros quadrados estaria no mercado à venda, em média, por 73,5 mil euros e hoje supera os 114 mil. No caso das rendas, o mesmo imóvel poderia ser arrendado no final do primeiro semestre de 2018 por cerca de 479 euros por mês e, hoje, por não menos do que 700 euros."

A evolução vertiginosa das rendas é mais um bloqueio na já grave e estrutural erosão demográfica Barreirense

Esta é infelizmente, mais uma evidência que não pode surpreender quem acompanha as leituras estatísticas sobre o concelho, e que o Partido Social Democrata deu evidência durante a campanha autárquica, quando produziu os 21 barómetros do Barreiro no século XXI. Como tive oportunidade de escrever aqui num artigo de maio em “A acentuada degradação das condições económicas das famílias do Barreiro” é mais caro para uma família ter condições para viver no Barreiro agora que no princípio do século XXI. O valor médio das rendas mais que duplicou desde o princípio do século (uma habitação com cerca de 60 m2 custa hoje cerca de 401 euros por mês, quando no princípio do século custaria cerca de 185 euros por mês), e o peso destas rendas sobre o ganho mensal dos trabalhadores por conta outrem subiu significativamente em mais de 14 pontos percentuais, de cerca de 22% para 36% dos salários, o que tem um impacte crescente e relevante no orçamento das famílias barreirenses.

O peso crescente das rendas das casas sobre o rendimento disponível médio dos habitantes subiu de forma muito significativa, e hoje vive uma situação que pode rapidamente tornar-se um fator de bloqueio para fixação de jovens na idade de constituir família, e aumentar o carácter estrutural da erosão demográfica da cidade. Se considerarmos, adicionalmente que o poder de compra das famílias Barreirenses degradou-se e é agora pior que a média do Distrito de Setúbal e abaixo da média nacional, quando no princípio do século XXI, esta métrica estava acima destes comparáveis, a atual situação potencia uma gravidade ainda maior a prazo.

Problema estrutural precisa de estratégia local e não de delegação em soluções incertas nacionais

Este é um tema que foi introduzido na última campanha autárquica pela nossa candidatura, e um dos mais emergentes problemas estruturais da cidade. De acordo com estes dados novos uma renda de um pequeno apartamento familiar pode custar hoje em dia mais de metade do rendimento médio bruto de um Barreirense, que rondará os 1110 euros mensais (Pordata).
A ausência atual de uma estratégia municipal que responda a estas questões concretas, que vão além da habitação social (ainda assim bastante errática e insuficiente) é uma falha que urge colmatar, e colocar em cima da mesa de forma séria e com um compromisso político e de financiamento agregador para dois mandatos, de forma que seja uma resposta musculada, rapidamente executável, e resiliente no tempo. Uma solução que o PSD estará sempre disponível para defender e implementar, em nome de um Barreiro que inverta as suas fragilidades estruturais, e se torne novamente atrativo para os jovens se fixarem e constituírem família. A promoção do orgulho, marca e marketing Barreirenses, ainda que populares, não serão suficientes.

Luís Tavares Bravo
Presidente da secção do Partido Social Democrata no Barreiro

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