Psicologia – Notas ReflexivasINTEGRAÇÃO DO PSICÓLOGO EM CONTEXTO DE APOIO DOMICILIÁRIO - PARTE VII
(Notas sobre a temática da morte, propostas de intervenção interdisciplinar e considerações finais)
Por Rui Grilo
Barreiro
Intervir com doentes crónicos que já não respondem ao apoio, e com um elevado grau de detioração fisica e mental, implica a vivência vivenciar de processos de luto por parte dos cuidadores e da própria pessoa.
De certa forma, vivencia-se uma situação emocional intensa e desgastante, sendo que o psicólogo terá que adequar a melhor conduta a seguir junto da família e do paciente.

Por Jornal Rostos
Numa primeira instância, deverá rever e esclarecer se todas as alternativas terapêuticas foram esgotadas.
Posteriormente, os medos, as incertezas do paciente e dos familiares deverão ser escutados atentamente, e os seus desejos devem sempre ser respeitados.
No fundo, o psicólogo actua como um facilitador no processo de morrer, facilitando a expressão dos afectos e possibilitando a resolução de conflitos existentes através da comunicação.
Apesar da morte ser considerada pelos familiares com um processo normal no idoso, esta origina sempre desiquilibrios e um enorme sofrimento humano, daí ser importante trabalhar a crise e a inaptidão que evidenciam perante a realidade que lhes é imposta. (Leite, E. 2002)
(K) Propostas de intervenção interdisciplinar
De seguida, gostaria de evidenciar algumas propostas que venham no sentido de uma consequente melhoraria na comunicação e nas relações interpessoais entre familiares – cuidadores/ técnicos, e técnicos/ técnicos
1. Grupos de Apoio aos Familiares (cuidadores)
Como falámos anteriormente, os familiares são as pessoas com um contacto mais próximo do idoso, e como tal, estão sujeitos a uma enorme pressão ao nível emocional e afectivo.
Várias são as dúvidas que os avassalam, no que diz respeito aos sentimentos provocados pela situação que estão a vivenciar, sendo benéfico, a criação de grupos de apoio aos familiares de forma a poderem partilhar as suas experiências, os seus sucessos e fracassos.
É importante que os familiares sintam que têm disponível um espaço e um técnico que os compreenda, e que lhes possa oferecer um apoio contentor e empático.
2. Reuniões de Equipa
Julgo ser extremamente importante a partilha de informação e uma comunicação persistente entre os diversos técnicos que compõem a equipa interdisciplinar.
A eficiência no tratamento do paciente nos mais variados níveis, depende da comunicação que os técnicos têm, bem como, um conhecimento profundo sobre o idoso.
Estas reuniões deverão ser quinzenais, contudo, perante situações mais graves, essas reuniões poderão ser com mais frequência.
Além da comunicação direta com a técnica de serviço social que está na linha da frente do SAD, será relevante a articulação também com a área da saúde nos mais diversos níveis.
3. Reuniões com as auxiliares de acção directa
Estas reuniões permitem às auxiliares de acção directa, que estão sujeitas a um desgaste emocional e fisico intenso, poderem partilhar as suas angustias e duvidas no que diz respeito à relação que estabelecem com os idosos que cuidam.
Além disso, a temática da morte é sempre algo de difícil verbalização por parte das mesmas, já que criam laços afectivos muito fortes com os utentes.
O psicólogo, pode e deve ter aqui uma função de suporte emocional, e mais importante ainda, estar disponivel para escutar.
4. Formação dirigida ás auxiliares de acção directa
Formações e sessões de esclarecimento nas mais diversas áreas são também muito importantes, já que poderão esclarecer algumas dúvidas que as profissionais tenham na relação entre si com os idosos.
A psicofarmacologia e os efeitos dos mesmos, a gestão de conflitos, a assertividade e questões ligadas com a morte, são exemplos de possíveis temáticas a debater.
(L) Considerações finais
A psicologia é um serviço relativamente recente no âmbito do apoio domiciliário, contudo, penso estar-se a caminhar a passos largos para uma efectividade da sua integração neste contexto tão específico.
A população idosa é sem dúvida uma aposta a considerar por parte dos psicólogos, já que poderão desempenhar e ter uma função extremamente útil, contribuindo claramente para proporcionar uma melhor satisfação e qualidade de vida, minimizando o isolamento social.
O psicólogo integrado nas equipas interdisciplinares do apoio domiciliário, deverá ser encarado como um técnico especializado na compreensão da história de vida dos idosos, na intervenção perante situações de crise e perda, nas relações interpessoais, e acima de tudo, como um “colaborador” disposto a reduzir situações demarcadas por uma componente ansiogénica e depressiva.
Tal como foi descrito ao longo dos vários textos, a intervenção do psicólogo ao nível do domicílio terá concerteza desvantagens, contudo, penso que as vantagens as superam em larga medida já que, se “a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha”, ou seja, se o utente não pode ir até ao serviço, irá o serviço até ao utente.
Acima de tudo, o psicólogo deverá fazer ver aos demais (técnicos e utentes) a importância do seu trabalho, tendo como resistências, não só uma população geriátrica pouco habituada a lidar com esta ciência, como também a necessidade dos mesmos na obtenção de resultados ao nível de melhorias visíveis nos idosos.
Finalmente, julgo ser extremamente importante capacitar o idoso de forma a que ele participe activamente no seu processo de reabilitação, e tal como na frase descrita anteriormente por Hernest Hemingway, a pessoa idosa não se deve considerar vencida pela doença orgânica ou psíquica.
A psicologia poderá ajudar a reforçar a auto-estima, o auto-conceito, a valorizar, a compreender, a escutar, estar disponível, enfim, a relação.
Referências Bibliográficas
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Domicílio e o Trabalho em Equipe, http://www.cepsic.org.br/revista/Artigo s
Leite, É., P; (2202). Atendimento psicológico Domiciliar: Interdisciplinaridade e Cuidados Paliativos.
Sousa, L; Figueiredo, D; Cerqueira, M; (2004).
Envelhecer em Família
- Os cuidados familiares na velhice, 1ª edição, Porto, Âmbar.
Spar, J; Rue, A. (1998). Guia de psiquiatria geriátrica, 1ª edição, Lisboa.
Um bem haja
Rui Grilo














