CRIME DISSERAM ELES!Por Armando Sousa Teixeira
Barreiro

Por Jornal Rostos
CRIME DISSERAM ELES!
E têm razão, o rio já se está a vingar!
As obras em curso no “Moinho Grande” e na “Caldeira do Sangue”, configuram, na apreciação crítica de um cidadão barreirense, triste e constrangido, um crime ecológico, uma desgraça ambiental, um absurdo construtivo, um desperdício económico, um atentado patrimonial.
A – Crime Ecológico
A destruição da Caldeira do Moinho Grande, um esteiro e sapal do Tejo, matando a microbiótica alimentar da fauna e da flora do estuário magnífico, eliminando um espaço crucial para aconchegar o aumento inexorável do nível das águas, um espaço vital para as aves autóctones, exiladas para a pobre Caldeira do Moinho do Cabo (sem renovação controlada das águas vivificantes) configura um crime ecológico.
B – Desgraça Ambiental
Os ecossistemas da bacia hidrográfica do Tejo, seriamente ameaçados pela salinização consequente ao aumento do nível dos oceanos (já subiram 20cm!) são fundamentais para a sobrevivência de garças, gaivotas, poupinhas, corvos, andorinhas-do-mar e outras espécies que animam com as suas asas brancas ou coloridas a área vital da Alburrica/Quinta Braamcamp. O Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), preocupado com as cagarras da Madeira e os caracóis de Porto Santo, não olha para esta desgraça?
C – Absurdo Construtivo
A destruição total do Moinho Grande sem um projecto reconstrutivo que se conheça e aprecie só poderia dar na situação absurda e caótica que se vive, com uma máquina atolada durante um mês! Um caos inextrincável, com pedras basilares dispersas e sem numeração, buracos e aterros incompreensíveis que privam o sapal da água da vida. Terá sido assim a sua construção primitiva há dois ou três séculos? Não foi com certeza, eram sábios os nossos antepassados!
D – Desperdício Económico
A Agência Portuguesa do Ambiente selecionou a CMB para um “Projecto de defesa do ambiental”, com uma comparticipação financeira de cerca de 2 milhões de euros. Mas não autorizou, que tenhamos lido, a ideia peregrina de fazer uma “praia fluvial artificial”, com a retirada de milhares de toneladas de lodos agora em putrefação. Trata-se de um projecto megalómano da Câmara, sem sustentação utilitária (já temos 5 praias fluviais naturais!) A APA não tem nada a dizer sobre isto?
E – Atentado Patrimonial
A zona de Alburrica, onde o Moinho Grande está integrado, deve ser tratada como um todo patrimonial, com os seus 3 moinhos de maré, os 3 moinhos de vento, a excepcional Quinta Braamcamp, os naturais sapais/caldeiras, as 4 praias fluviais (Moinhos, Alburrica, Norte, e Mexilhoeiro) a Av. de Sapadores e a Estação ferro-fluvial do Barreiro – Mar.
Todo o espaço vital do logradouro privilegiado do Barreiro, uma área extraordinária onde o Sol tem mais esplendor, deverá ser tratado na sua integralidade com projectos parciais que se enquadrem numa estratégia global. Onde estão?
F – Conclusão
Que projecto levou à reconstrução inenarrável do Moinho Pequeno?
Que projecto sustenta a intervenção crítica e caótica no Moinho Grande?
A defesa do Património faz-se com a intervenção legítima das Associações vocacionadas e dos cidadãos interessados (Lei de Bases do Património). Os barreirenses não têm nada a dizer? A juventude tão preocupada, e bem, com o futuro ambiental do planeta, não tem uma opinião crítica?
A gestão do bem público pode fazer-se durante algum tempo por iniciativas pontuais. Pode a gestão do erário ser feita por muito tempo por “navegação à vista”. Mas o futuro da Cidade não pode ser feito todo o tempo sem estratégias consequentes e sem a participação da cidadania.
Barreiro, Janeiro de 2022
Armando Sousa Teixeira














