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Quotidianos

Psicologia – Notas ReflexivasPSICOTERAPIA BREVE PSICODINÂMICA NA PESSOA IDOSA - PARTE IIl
(Notas sobre os Obstáculos à terapia)
Por Rui Grilo
Barreiro

D - Obstáculos à Terapia

No âmbito da minha experiência profissional enquanto psicólogo, verifico que existe uma ideia menos positiva relativamente às pessoas idosas, na medida em que o envelhecimento é considerado social e familiarmente, como uma fase de senilidade, de rigidez nos pensamentos e nas maneiras de agir, e antiquado no que diz respeito às questões morais.

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Psicologia – Notas Reflexivas PSICOTERAPIA BREVE PSICODINÂMICA NA PESSOA IDOSA - PARTE IIl (Notas sobre os Obstáculos à terapia) Por Rui Grilo Barreiro

Por Jornal Rostos

O idoso é desvalorizado e excluído, apenas porque existe a crença que não é um elemento produtivo na nossa sociedade actual.

Os psicoterapeutas, ao reflectirem sobre os aspectos culturais, confrontam-se com estes preconceitos e ideias pré-concebidas. Muitas vezes, também eles pensam que nada poderão fazer em termos psicoterapêuticos, uma vez que a mudança será algo bastante difícil de alcançar numa pessoa com tanta idade.

No fundo, o psicoterapeuta não faz terapia ao idoso porque sente, à priori, que poderá ser um processo frustrante e pouco produtivo.
No entanto, com a terapia a decorrer, o psicoterapeuta poderá confrontar-se a si próprio com algumas questões relacionadas com a contratransferência. Apesar da importância que este fenómeno tem no processo terapêutico, a “…contratransferência purificada pode ser uma resistência do psicanalista em conhecer-se a si próprio” (Matos, 2002, p.40X).

Daí ser extremamente importante que o terapeuta se sujeite à sua própria análise ou terapia. Caso tal não aconteça, o confronto com o envelhecimento, com a alteração da imagem corporal e com a morte, poderão levar o terapeuta a questionar os seus próprios medos e ansiedades e a deixar-se influenciar de um modo menos positivo.

Os idosos parecem resistir à psicoterapia por inúmeras razões.

Uma delas terá a ver com a falta de conhecimento do que é a psicoterapia e até mesmo a psicologia. Existe a ideia pré-estabelecida de que estas áreas são dirigidas apenas para pessoas que têm doenças mentais graves, e que uma simples depressão, não será o suficiente para levar o idoso a procurar ajuda profissional. Na maioria das vezes, nem a pessoa idosa tem conhecimento que existem alternativas de tratamento para as suas questões emocionais.

Estamos perante uma faixa etária que, em momentos de crise, nunca mostrou a necessidade de se apoiar em técnicos especializados na área do comportamento humano, na medida em que os idosos foram ensinados culturalmente, a reagir ao sofrimento e angústia sozinhos. Obviamente que, na fase actual, é imensa a resistência destas pessoas para ter apoio ao nível psicológico.

Segundo Butler 1959, os idosos colaboram activamente com os estereótipos culturais associados à velhice, funcionando como protecção e defesa. Desta forma, tentam chamar a atenção dos familiares e invocam a sua velhice para receber assistência, carinho e afecto. Muitas vezes fazem-no em excesso, levando-os à perda de autonomia e aumento da dependência, à rápida deterioração cognitiva/ intelectual, à baixa auto-estima, à insatisfação e a uma morte precoce.

São estas relações de dependência que, na maioria dos casos, são um obstáculo na adesão à psicoterapia.

Ao contrário da psicanálise, os custos financeiros da psicoterapia são bem inferiores. Todavia, um obstáculo que ocorre frequentemente é o facto de os idosos não terem possibilidades para pagar as sessões de psicoterapia, uma vez que têm, de uma forma geral, situações financeiras precárias.

A estratégia a utilizar por parte do psicoterapeuta será, no fundo agir com sensibilidade perante cada caso, adequando e adaptando-se a cada situação específica. *Independentemente do preço da sessão, defendemos sempre a atribuição de um valor, mesmo que simbólico.

Desta forma, podemos procurar a alteração das mentalidades, mostrando que o trabalho que é feito em psicoterapia é relevante e deve ser devidamente reconhecido e valorizado.

A cultura do fármaco está muito enraizada na nossa sociedade, principalmente ao nível da população mais idosa. Desde sempre, o fármaco substitui o acto do sentir, camuflando a dor e o sofrimento mental. Perante comportamentos de componente depressiva e ansiogénica, o idoso esconde-se no anti-depressivo ou no ansiolítico, uma vez que ocultam de uma forma rápida a angústia. Esta parece ser a única forma de reduzir o sofrimento; aliás, na maioria das vezes, os técnicos especializados na psicofarmacologia, não lhes dão qualquer outra opção de tratamento.

Nesta perspectiva, são potenciadas as resistências do idoso e os obstáculos na adesão à psicoterapia.

No entanto, nas “…últimas décadas, tem-se visto uma marcada mudança na atitude dos (…) psicoterapeutas em relação ao uso concomitante da medicação durante a psicoterapia (…)” (Frey, Mabilde & Eizirik, 2004, p. 118).

Num estudo efectuado por estes autores, percebeu-se que o tratamento combinado entre a farmacologia e a psicoterapia teria resultados bastante positivos.

Desta forma, a associação destas duas componentes poderá ser bastante benéfica para a diminuição do sofrimento mental da pessoa.

Um bem haja.
Rui grilo

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