Psicologia – Notas ReflexivasPSICOTERAPIA BREVE PSICODINÂMICA NA PESSOA IDOSA - PARTE IV
(Notas sobre o processo de motivação)
Por Rui Grilo
Barreiro
De uma maneira geral, quando o idoso chega à terapia, já ultrapassou inúmeras crises e situações conflituosas. Espera, por isso, que o psicoterapeuta seja alguém com sensibilidade para o compreender e compartilhar o seu sofrimento e angústia.

Por Jornal Rostos
Nesta perspectiva, o idoso estará motivado para a mudança e para alterar a dor que sente e que lhe causa sofrimento. Obviamente que aqui estão presentes dois conceitos bastante complexos quando aplicados à terceira idade: motivação e mudança.
No que concerne ao primeiro conceito – motivação – “trata-se naturalmente de motivação relativa, que pode ser aumentada, mantida ou diminuída, em virtude do vínculo estabelecido com o terapeuta” (Yoshida, 2001, p.45X).
Esta motivação terá a ver com o estabelecimento de uma aliança terapêutica, que tem um papel fundamental neste tipo de abordagem.
Num estudo efectuado por Lacaponi e Marcolino (2003) sobre a importância da aliança terapêutica em psicoterapia breve psicodinâmica, verificou-se que os pacientes que sentiram os seus psicoterapeutas envolvidos e empenhados nas suas questões e com uma maior capacidade de compreensão reduziram significativamente a sua sintomatologia depressiva.
Assim, o terapeuta deverá saber colocar-se de forma empática e acolhedora para com o paciente, facilitando as suas exposições, verbalizações e reflexões. O facto de estar disponível, atento, num processo de escuta activa e interessado na história pessoal da pessoa idosa, aumentará consequentemente a sua motivação, na medida em que esta sentirá que poderá confiar os seus segredos mais íntimos a alguém especializado e competente.
Segundo Butler (1959), o psicoterapeuta e o idoso deverão partilhar a responsabilidade na resolução da situação e na minimização do sofrimento, trabalhando em colaboração e complementaridade. Deverão unir-se em qualquer decisão que seja tomada.
Assim, em psicoterapia breve psicodinâmica, “…a escuta é mais importante do que a fala. Na realidade, a maioria das formas de falar do terapeuta durante a hora destinam-se a demonstrar que ele escuta” (McWilliams, 2006, p.156X).
Nesta perspectiva, será importante que o idoso sinta que é compreendido na sua perspectiva fenomenológica, através de uma escuta emocionalmente receptiva por parte do psicoterapeuta. A necessidade de expressão do técnico está intimamente ligada às necessidades psicológicas do idoso.
Assim, a escuta implica um encorajamento do idoso em confidenciar algo que para si é doloroso e, em última instância, confiar.
O que foi referido anteriormente, diz respeito a uma motivação que estará inevitavelmente presente no decorrer da terapia, sendo a aliança terapêutica e a escuta activa dois processos muito importantes.
Todavia, estamos perante uma faixa etária que tem um enorme desconhecimento acerca das questões relacionadas com a psicologia e a psicoterapia, logo, muitas pessoas idosas têm o sentimento que conseguem superar os seus problemas e dificuldades sozinhas. Aliás, como sempre o fizeram.
Este aspecto poderá ser, em grande medida, impeditivo de uma primeira ida do idoso à psicoterapia, uma vez, que não tem qualquer tipo de motivação para expor os seus problemas a alguém estranho e que, na maioria dos casos, é bastante mais novo.
Contudo, consideramos que se está a caminhar a passos largos para uma maior sensibilização do que é a psicoterapia junto da população idosa, uma vez que muitos idosos são apoiados ao nível institucional ou domiciliário e, por esse motivo, terão já um maior contacto com as questões relacionadas com a psicologia.
Um bem haja.
Rui Grilo














