Psicologia – Notas ReflexivasALARME, PÂNICO E EXPOSIÇÃO
(Ataque de pânico e técnica da exposição)
Por Rui Grilo
Barreiro
Náuseas e palpitações são o que o geralmente o assolam, sempre que acontecem estes eventos...

Por Jornal Rostos
Foi numa tarde como tantas outras, que acabou o seu trabalho dirigindo-se para o metro subterrâneo. Tinha sido um dia cansativo, onde a disponibilidade e resiliência para o que aí víria, não estavam minimamente presentes...
Ao entrar no metro e após o mesmo começar a movimentar-se, sentiu um enorme solavanco que o fez parar de imediato... todo este processo até a abertura das portas do metro foi bastante moroso, sendo que esteve encerrado naquele espaço rectangular por cerca de 2 horas...
Durante este período, sentimentos de stress elevados, palpitações, ansiedade extrema, medo de perder o controlo, medo de morrer e desorganização mental... foram sentimentos experienciados...
Daqui resultou uma experiência traumática, que não mais permitiu que conseguisse estar perto de um metro... Esta situação tem-lhe prejudicado imenso o dia a dia, quer em termos pessoais quer profissionais.... e são raras as pessoas que compreendem a sua dificuldade e angústia...
Havendo a necessidade clara de utilizar um metro subterrâneo ou o simples facto de estar perto de um, promove ataques de pânico intensos.
Entenda-se que um ataque de pânico é um período breve em que a pessoa sente angústia, ansiedade ou medo extremos, que têm início súbito e são acompanhados por sintomas físicos e/ou emocionais.
Existe igualmente uma preocupação excessiva com ataques futuros e/ou modificações de comportamento para evitar situações que poderiam desencadear um ataque.
Dor ou desconforto no tórax... vertigens, instabilidade postural ou desmaios... Medo de morrer...Sensações de estar numa realidade diferente...Agitação ou arrepios...Falta de ar ou sensação de asfixia... Palpitações, suores e tremores, são alguns dos sintomas aquando da existência de um ataque de pânico.
A sua vida modificou-se completamente, começando já a revelar alguns sintomas de depressividade, que o foram inibindo no âmbito das suas escolhas e decisões...
Foi nesse momento que procurou ajuda, iniciando um processo de psicoterapia por forma a alterar os seus padrões de funcionamento mental, como também para reduzir os sentimentos de ansiedade.
E nesse processo, além de uma abordagem reflexiva, esteve igualmente em contato com a técnica da exposição, que consiste em expor a pessoa de maneira gradual e repetitiva, quer de forma imaginária e/ou real, àquilo que desencadeia o ataque de pânico.
Esta técnica é repetida até deixar de existir o sentimento de desconforto...
Na maioria das situações de exposição, são usadas técnicas de relaxamento e de respiração previamente, por forma a reduzir a ansiedade.
O facto de se repetir recorrentemente a exposição ao objeto temido, promove um conceito que se denomina de habituação.
Normalmente, inicia-se com o nível de exposição mais baixo que, neste caso em particular, passará pelo pensamento do metro numa fase inicial, e mais tarde, à exposição real feita à distância.... e aí, haver uma consciencialização que o objeto temido não lhe causará nenhum mal à distancia...
Progressivamente vai se aumentar o tempo de exposição até ao ponto da real entrada no metro, sendo que paralelamente se trabalham as emoções e sentimentos.
Este tem sido um caminho que tem percorrido, por forma a resolver o pânico que sente relativo ao trauma vivenciado, mas que cada vez mais revela resiliência para lidar com este dilema na sua vida...
Um bem haja
Rui Grilo














