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Quotidianos

Psicologia – Notas ReflexivasPSICOTERAPIA BREVE PSICODINÂMICA NA PESSOA IDOSA - PARTE V
Notas sobre o processo de mudança
Por Rui Grilo
Barreiro

F - Processo de mudança

Qualquer psicoterapia bem-sucedida, independentemente da abordagem escolhida, implica uma mudança no cliente.
Yoshida (2001, p.45X) refere que a mudança decorre de uma “experiência emocional correctiva”.

Por isto, entende-se uma nova exposição do paciente, em contexto terapêutico, a situações emocionais não superadas anteriormente.

2 min de leitura
Psicologia – Notas Reflexivas PSICOTERAPIA BREVE PSICODINÂMICA NA PESSOA IDOSA - PARTE V Notas sobre o processo de mudança Por Rui Grilo Barreiro

Por Jornal Rostos

Assim, a pessoa poderá rever as atitudes e expectativas que tinha relativamente ao problema e aos outros, podendo confrontá-las e adequá-las à sua nova realidade. À medida que essa mudança vai ocorrendo, o seu comportamento com os outros vai sendo alterado. Provavelmente, os outros também reagirão de forma diferente, reforçando diferentes níveis de funcionamento da pessoa, como a auto confiança, a valorização pessoal, as atitudes relativamente ao futuro, entre outros.

Coloca-se então a seguinte questão: será que, na pessoa idosa, poderá ocorrer qualquer tipo de mudança, uma vez que tem uma personalidade bem definida?

Novamente existe a ideia pré-concebida de que uma pessoa muda e passa a ser outra quando se sujeita a terapia (Belas, 2002). No fundo, deixa de ser o que sempre foi, na medida em que substitui e subtrai todas as coisas más por coisas boas.

Nesta perspectiva, arrancaríamos do nosso self todas as vivências menos positivas e desagradáveis e substituímo-las por outras mais significativas e positivas.

Todavia, o psíquico não funciona de forma tão simplificada e o conceito de mudança implica acréscimos e somas (e não subtracções) àquilo que somos, à nossa identidade individual.

Principalmente no idoso, não se pode apagar ou esquecer factos traumáticos, nem experiências angustiantes, nem aprendizagens adquiridas. Colaborar com este esquema, será potenciar o sofrimento e a dor psíquica.

A mudança implica a faculdade de olharmos para o nosso interior e exterior através de novos ângulos, sem menosprezar toda a experiência pessoal adquirida e utilizada anteriormente (Belas, 2002).

No que diz respeito aos estágios definidos anteriormente por Yoshida (2001A), o idoso poderá chegar à terapia quer no estágio de contemplação (em que já tem consciência do seu problema, e em que a sua vinda à psicoterapia, será já uma tentativa de superação do problema), quer no estágio de preparação (onde ocorrem já algumas iniciativas de mudança, mas inconstantes).

Obviamente que pequenos avanços serão pequenas vitórias, e os retrocessos implicam um empenho ainda maior.

Um bem haja.
Rui Grilo

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