Psicologia – Notas ReflexivasPSICOTERAPIA BREVE PSICODINÂMICA NA PESSOA IDOSA - PARTE VIl
(Considerações finais)
Por Rui Grilo
Barreiro
Independentemente da abordagem teórica utilizada pelo psicoterapeuta, a opção mais indicada e valorizada será a compreensão e a aceitação do idoso tal como ele é, num clima de afecto, segurança e respeito.
A compreensão de conceitos como vida, morte, velhice, realização pessoal, passado e futuro, ajudam o idoso na sua organização mental e na estruturação de projectos de vida.

Por Jornal Rostos
Nesta perspectiva, defendemos preferencialmente a utilização da psicoterapia breve psicodinâmica assente numa perspectiva relacional e de estabelecimento de relações interpessoais.
O facto de ser breve poderá estruturar de uma forma mais clara a intervenção do psicoterapeuta, uma vez que vai centrar-se em focos específicos com objectivos limitados temporalmente.
Essa intervenção terá sempre como base a compreensão da longa história de vida do idoso, trabalhando-se problemáticas centrais relacionadas com as relações patológicas estabelecidas, a solidão, a autonomia e a morte, bem como as expectativas subjacentes a todos esses aspectos.
A reflexão sobre a idade e sobre as limitações que por ela são impostas, a focalização no que o idoso ainda poderá realizar e não no que poderia ter feito, são igualmente objectivos a atingir.
O facto de o idoso se sentir compreendido e escutado pelo psicoterapeuta desencadeia uma atitude reflexiva e de mudança, reorganizadora em termos de projectos de futuro a alcançar, que reforça inevitavelmente a auto estima e a valorização pessoal.
Neste sentido, o vínculo que é estabelecido entre terapeuta e paciente (aliança terapêutica) é fulcral para a obtenção de resultados significativos na terapia, uma vez que despoleta a mudança.
Obviamente que, devido a condicionalismos próprios da idade de ordem física e orgânica, o acompanhamento psicológico muitas vezes não conseguirá ter uma continuidade no consultório.
Isso não quer dizer necessariamente que tenha que ocorrer uma pausa nesse acompanhamento, na medida em que o terapeuta deverá deslocar-se sempre que possível quer às entidades hospitalares ou institucionais onde decorre o internamento, quer ao domicílio.
Nesta perspectiva, a aliança terapêutica será continuamente reforçada e o vínculo estabelecido nunca se perderá. Uma vez recuperada a saúde do idoso, a intervenção deverá tomar novamente o seu rumo normal, ou seja, no consultório.
A cooperação do psicoterapeuta com outros profissionais de saúde será também algo a tomar em consideração. Como se sabe, a terceira idade é uma fase que envolve inúmeras mudanças e múltiplas sintomatologias, logo as perspectivas de outras especialidades médicas e sociais ajudarão, sem dúvida, o terapeuta a conseguir uma visão mais abrangente e compreensiva da vida da pessoa idosa.
Esta parceria ajudará igualmente a alterar e modificar o desconhecimento que as instituições e os idosos têm acerca do que é a psicoterapia e, talvez assim, se consiga no futuro outro tipo de adesão por parte desta faixa etária.
Quando existe, a participação da família poderá também ser extraordinariamente importante, na medida em que poderão ser esclarecidas histórias de vida muito complexas que, numa fase inicial, mostram ser confusas e desorganizadas.
Nesta fase, o apoio familiar é de extrema importância, mas o que se verifica em inúmeros casos, é uma desresponsabilização ao nível do cuidar. Sempre que possível, o terapeuta deverá estar em permanente contacto com os familiares mais próximos, no sentido de os ir sensibilizando para alterações significativas que ocorram no decorrer da terapia.
Em todo o caso, o psicoterapeuta deverá ter o máximo de consideração pelo *sigilo e confidencialidade do que se passa em contexto psicoterapêutico.
Para finalizar, será relevante acrescentar que, nesta fase específica da vida do ser humano, o sentimento de ser compreendido, de ser valorizado e de ser escutado, acaba por ter uma importância extrema comparativamente a qualquer outra fase. A psicoterapia breve psicodinâmica, permite desenvolver e estimular aspectos relacionais e reflexivos, com o objectivo de proporcionar ao idoso uma valorização de si mesmo e, consequentemente, um aumento da sua auto-estima.
Um bem haja.
Rui Grilo














