25 ANOS E ONZE LIVROS DEPOIS!Por Armando Sousa Teixeira
Barreiro
O que vos trago hoje é uma coisa diferente. Fala de estudantes que chegaram ao Ensino Médio e Superior e, como refere o engenheiro António Redol no livro sobre a AEIST (Associação dos Estudantes do Instituto Superior Técnico), se juntaram na defesa sindical dos seus interesses comuns enquanto camada social, agregando-se em associações por escola ou faculdade.

Por Jornal Rostos
Do Barreiro, nos finais dos anos 60, havia algumas dezenas de jovens, rapazes e raparigas (poucas…) que atravessavam diariamente o Tejo rumo à capital. Escassos, em relação aos jovens que frequentavam o Ensino Técnico (Liceal só em Setúbal!), oriundos de famílias operárias (e de pequenos comerciantes e artesãos) que se sacrificavam para que o rebento (só um!) alcançasse o que os predecessores não tinham conseguido, elevando assim o estatuto social de toda a família, como concluiu Ana Nunes de Almeida no seu livro-tese de doutoramento, “As famílias operárias do Barreiro”. Sem surpresa, porque em 1970 um inquérito da JUC, insuspeito, revelou que só 4% dos universitários eram filhos de classes assalariadas.
Mais surpreendente é o facto desses, não muitos, poucos se terem engajado na luta estudantil contra o obscurantismo, o conservadorismo, o elitismo e a saga repressiva da ditadura salazarista/marcelista. Certamente por em casa lhes repetirem: “Vê lá, não te metas em políticas!”. Alguns fizeram “orelhas moucas”, a consciência social falou mais alto!...
Em lutas contra “as políticas” do regime, se meteram ao longo de decénios, milhares de estudantes no Movimento Associativo Estudantil, arrostando a repressão violenta, a prisão, as torturas e até a morte. Como em 1962, num ponto alto da luta estudantil em Lisboa, faz agora 60 anos que também comemoramos!
Mas também em 1968/69/70, como conta o livro “Buenos Aires Tempo de Paixão”, que agora vos trazemos, testemunhando uma luta exemplar da ADAIIL – Associação Desportiva dos Alunos do Instituto Industrial de Lisboa – que prosseguindo-a tenazmente, em condições muito difíceis após o encerramento compulsivo da Associação, com proibições, perseguições, castigos, humilhações, incorporações forçadas, nos anos de trevas e demagogia de Veiga Simão/Marcelo Caetano, ajudou a construir a Revolução Democrática de Abril de 1974, que homenageamos na pessoa do militar de Abril convidado, o coronel Carlos Matos Gomes.
Barreiro, 31/3/2022
Armando Sousa Teixeira














