E SE A MENTIRA, FOR MEIO PARA UMA FUTURA VERDADE ?Por João Simões
Barreiro
As fábricas instaladas no concelho, mais propriamente, as fábricas da antiga CUF, despertaram nos barreirenses, a consciência sobre o fenómeno da poluição e os seus efeitos na flora, na fauna e na saúde dos residentes, não só no concelho como também nos concelhos limítrofes.

Por Jornal Rostos
Lembro de nesse tempo, os barreirenses terem um especial olhar sobre a Serra da Arrábida e muitos a apelidavam de Serra Mãe, tal como Sebastião da Gama escreveu no seu livro.
Anos mais tarde, por força da disseminação da preocupação sobre problemas ambientais e da convergência e divergência de opiniões, os barreirenses olham de outra forma para uma área verde, com cerca de 800 ha, que apenas (?) ocupa cerca de 23% da área total do concelho, a Mata da Machada e o Sapal de Coina. Uma mata e um sapal, periurbanos com enorme envolvência na vida dos barreirenses.
Primeiro tomam consciência da sua importância no contexto da época dos Descobrimentos. Só mais tarde, demonstram para com esta imensa área, não só cuidados de preservação, mas também a intenção de a estruturar para a área da educação ambiental.
Em 2005 foi criado o Centro de Educação Ambiental da Mata da Machada e do Sapal do Rio Coina, com instalações dentro da Mata, tendo em atenção um mundo de flora e fauna que se quer estudado, protegido e preservado.
Um passo importante para aquilo que todos os barreirenses desejavam para aquela zona. Sete anos depois através de Decreto, foi criada da Reserva Natural da Mata da Machada e do Sapal do Rio Coina.
Sob a administração do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, gerida em coordenação com a Câmara Municipal do Barreiro, que de modo positivo, insere as duas Zonas, em todas as reformas do Plano Diretor Municipal e Planos de Pormenor, sendo também de referir os cuidados dispensados pelos Bombeiros, na prevenção de fogos, que possam afetar o “pulmão”.
Os barreirenses chamam-lhe, o “pulmão” do Barreiro, em perfeita analogia com a inferência entre toda aquela mancha verde e a qualidade do ar que se respira no concelho, onde existem dois parques de merendas, diversos fontanários, percursos pedestres e de BTT.
A criação da Reserva Natural da Mata da Machada e do Sapal do Rio Coina, também permitiu definir clara e eficientemente, as zonas de servidão que têm de ser respeitadas, tais como:
Gasoduto / Linhas média e alta tensão / Faixas proteção IC13, IC 21e IC 33 / Faixas proteção EN 10-3, 11-2 e 510 / Reserva Ecológica Nacional / Domínio Público Hídrico / CINCIBERLANT.
Tudo isto define, identifica, caracteriza e limita a Mata da Machada e o Sapal do Rio Coina.
Mas,
A Mata da Machada, o tal “pulmão” barreirense, já se encontra ferida nos seguintes aspetos:
- Área de terreno já modificada, para futura instalação de industria junto da EN 11-2, no sentido Palhais / Santo António da Charneca / Zona de Reserva Ecológica Nacional;
- Zonas desafetadas à Mata da Machada, por construção do IC 21 e IC33, com impacto ambiental de ruído na Mata e com sapatas de fixação em terrenos do Sapal do Rio Coina;
- Urbanização Casas de Santo António, impacto ambiental direto sobre a Mata da Machada, bem como a própria urbanização sofre impacto ambiental de ruído, por não respeitar distância regulamentada ao IC21 / Decreto Lei 13/94 de 15 de Janeiro, Art. 3.° - 1 - As faixas de terreno de 200 m situadas em cada lado do eixo da estrada, bem como o solo situado num círculo de 1300 m de diâmetro centrado em cada nó de ligação, são consideradas zonas de servidão “non aedificandi” de proteção á estrada a construir ou reconstruir;
Mais ainda
A Reserva Natural da Mata da Machada e do Sapal do Rio Coina, enquadra-se no Plano Regional de Ordenamento Florestal – Área Metropolitana de Lisboa, Decreto Regulamentar 15/2006 de 19 de Outubro menciona :
Artº 12 :
Objetivos específicos: Melhorar e racionalizar a oferta dos espaços florestais na área do turismo e lazer;
Pois então, penso eu de que, se:
- Existir um investidor;
- Um investidor significa IMI;
- Se existir vontades;
- Se a parte do Artº 12 em que menciona “….turismo….”, permitir habitação turística;
Talvez
……………..
João Simões
Nota - Texto editado a propósito do texto editado pelo jornal «Rostos» no Dia das Mentiras - 1 de abril
https://www.rostos.pt/postais/15002286-projecto-de-modernidade-pode-vir-a-nascer-na-mata-da














