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Quotidianos

“Muletagate”, do disparate político aos sinais de ausência de estratégia Turística para além da propagandaLuís Tavares Bravo
Barreiro

A autarquia concessionou a histórica embarcação barreirense, a “Muleta”, a um operador turístico, que a utilizará essencialmente para passeios do Tejo, mas onde, para além da rentabilização financeira, parece ser pouco visível (se é que existe) qualquer ganho para o interesse público do Barreiro em termos do que este acordo concede em termos de potencial turístico.

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“Muletagate”, do disparate político aos sinais de ausência de estratégia Turística para além da propaganda Luís Tavares Bravo Barreiro

Por Jornal Rostos

Na verdade, a embarcação não parece estar associada a um projeto de marca “Barreiro” que possa promover a cidade como destino final, ou a um trajeto que inclua a cidade como ponto de visitação. Digamos que para um executivo que tem colocado a promoção turística como um dos pilares da sua estratégia política, justificar a concessão de uma embarcação sem qualquer contrapartida de posicionamento turístico da cidade, por mero equilíbrio contabilístico relacionado com a manutenção, parece redutor.

Os contornos da concessão, são aliás, para dizer mínimo, um disparate político. Desde logo porque se encontra desprovida de um critério de política pública que garanta um acesso privilegiado ao património histórico por parte dos contribuintes que pagaram os trabalhos de reabilitação da histórica embarcação – as condições de acesso de um Barreirense ao equipamento são praticamente exclusivas, com a necessidade de vários meses de espera e restrições de utilizações de horas para o município. Depois porque este contrato de concessão – 10 anos – é longo e bloqueia qualquer intenção de outro executivo de implementar uma alternativa estratégica para a utilização do equipamento, que é património histórico do Barreiro.

Mas mais que a insensibilidade política relativamente à fronteira que separa o que é uma parceria com saudável com sector privado, e a entrega potencialmente abusiva de ativos do domínio público a operadores turísticos, há acima de tudo uma ausência de fio condutor, de estratégia ao nível do que deve ser a oferta turística local.

Isto é, aliás, um pouco um espelho de tudo o resto que vamos vendo. Muita comunicação, mas a favor do episódio do dia, da inauguração do dia, da festa do dia. Além disto, o silêncio. Silêncio na defesa dos interesses dos utentes da saúde, silêncio dos utentes dos transportes públicos, silêncio sobre a ausência de resposta às falhas de segurança ou higiene urbana no nosso concelho. Seria quase uma espécie de silêncio dos inocentes, mas entre governo e autarquia não há inocentes. Há incoerentes e muita, talvez demasiada propaganda.

Luís Tavares Bravo
Presidente Partido Social Democrata, Barreiro

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