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A inflação deverá representar maior desafio à estabilidade das famílias Barreirenses que a pandemia.Por Luis Tavares Bravo
Barreiro

Este ano foi marcado por eventos de cariz geopolítico e financeiro global que trouxeram ao de cima uma combinação de variáveis que são perigosas para todas as famílias europeias e portuguesas.

O PSD Barreiro efetuou uma simulação sobre aquele que pode ser o impacto desta combinação de riscos em 2023 para as famílias Barreirenses, e que no total pode representar para um agregado familiar, cerca de 250 euros mensais, entre aumento dos juros da casa, aumento das contas de supermercado, e aumento da conta da eletricidade e do Gás

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A inflação deverá representar maior desafio à estabilidade das famílias Barreirenses que a pandemia. Por Luis Tavares Bravo Barreiro

Por Jornal Rostos

Em um ano tudo ficou mais caro (juros dos créditos, despesas do supermercado, e preço da energia elétrica e dos combustíveis), e as expectativas apontam para um agravamento do custo de vida, com a inflação que poderá rondar os 8% em 2022, ao mesmo tempo que os salários deverão subir pouco – o governo indiciou recentemente uma embaraçosa intenção de subida de 2% dos ordenados da função pública, o que poderá significar significa um corte de salário superior ao que Portugal foi forçado a aplicar no acordo da intervenção externa, assinado em 2011 pelo governo do então Primeiro Ministro, José Sócrates.

A combinação de riscos é assim potencialmente devastadora para as famílias em 2023, e potencialmente mais devastadora que a pandemia.

O potencial deste alarme social é reflexo de uma série de fragilidades estruturais que têm sido negligenciadas durante os governos socialistas, ou seja:

1. Enorme nível de endividamento das famílias portuguesas;

2. Peso excessivo de estruturas flexíveis de crédito habitação em Portugal;

3. Ausência de estratégias de crescimento da economia desde 2015, indutoras de criação de valor suficiente para que os salários e pensões acompanhem a inflação;

4. Enorme pressão no mercado de habitação, que aumentou subida exponencial dos custos de aquisição e das rendas;

5. Ausência de capacidade de resposta fiscal do governo central capaz de mitigar o efeito da subida de preços para as famílias, apesar do valor recorde de impostos cobrados;

O PSD Barreiro efetuou uma simulação sobre aquele que pode ser o impacto desta combinação de riscos em 2023 para as famílias Barreirenses, e que no total pode representar para um agregado familiar, cerca de 250 euros mensais, entre aumento dos juros da casa, aumento das contas de supermercado, e aumento da conta da eletricidade e do Gás. Isto representa cerca de 15% do rendimento disponível medio de uma família do Barreiro, que ronda os 1738 euros líquidos mensais.

Também fizemos a análise do impacte que isso pode ter na poupança das famílias do Barreiro que, de acordo com a taxa de poupança média (10,9%) indicada pelo INE, será de cerca de 189 euros por família Barreirense.

As conclusões são claras. Estes aumentos estimados de 250 euros - que são um cenário conservador e podem ser mais elevados - retiram a capacidade de poupança das famílias, e colocam-nas em défice mensal, que no total de um ano chega quase a 750 euros. Ou seja, para algumas famílias, menos endividada, isto representa uma perca de qualidade de vida e terão mais um degrau de empobrecimento invisível socialista. Para outras, porém, estes aumentos será uma espécie de assassino silencioso financeiro, que as colocará em sérias dificuldades para chegar a coisas tão simples como acesso a energia, habitação e alimentação.

Subida das Taxas de juro: impacte sobre orçamento familiar

Impacte aumento de juros - 143,3
Impacte cabaz alimentar - 65,8
Impacte electricidade e gás - 42,5

Rendimento médio mensal de agregados familiar Barreiro

Ordenado bruto médio de um trabalhdor (TOC), incluindo horas extras, subsídio e prémios - 1107,8
- Valor liquido simulado ( casado 2 filhos) - 868,9
- Valor liquido para casal ( dois filhos) - 1.737,9

Impacte (%) da subida de preços sobre o ordenado familiar - 14,5

O despudor socialista, que acumula impostos recorde, e não oferece respostas públicas às populações
Ao mesmo tempo que esta degradação social sucede, o Estado e a autarquia vão acumulando receitas recorde na tributação de impostos. É verdadeiramente escandalosa a forma como o Estado Português se manteve silencioso durante meses relativamente a impostos como o IVA, que encheram os cofres fiscais nas costas de um aumento de preços que inclusivamente teve origem numa dramática situação humanitária que foi o corrente conflito na Ucrânia, e que tem atingido os bolsos dos Portugueses. Apenas igualada pela resposta fiscal, que é também ela embaraçosa, e traz um corte encapotado de salários na função pública e sobretudo nas pensões, com dimensões superiores ao que Portugal foi forçado a fazer, em situação de intervenção externa e de falência do país, depois de décadas de má gestão socialista. É a verdadeira queda da ilusão que este governo socialista, e a esquerda que o suportou, vendeu ao país nos últimos anos. Não reformaram, voltaram aos maus hábitos, e camuflaram a austeridade. E quando foi preciso o Estado responder na pandemia viu-se, que sem a União Europeia, não houve capacidade de acudir os portugueses.

E no Barreiro, também vamos pelo mesmo caminho? O pacote de apoio social local do PSD encontrou um muro de silêncio sem sentido.
A nível da autarquia do Barreiro, infelizmente parece que vamos pelo mesmo mau caminho. Na última informação escrita, a autarquia apresentou uma narrativa de sucesso orçamental, destacando que através apenas dos impostos diretos, muito assente nos impostos cobrados pelas transações imobiliárias, houve um impacte de 446.111 euros acima do valor comparável de 2021. Estes são valores significativos e que deverão fazer com que a CM tenha mais receitas do que o que esperava no princípio do ano.

Estes são os ciclos mais importantes para tomar decisões de políticas públicas locais, que possam ter um impacte mitigador dos efeitos da guerra, da inflação, e dos problemas estruturais em que o país e, também, o nosso município vivem. E devolver parte do excesso de tributação, sobretudo quando boa parte dele é assente em sectores de cariz especulativo como temos visto no Imobiliário.

A solução do PSD Barreiro é que a autarquia construa um Pacote Social de Resposta às famílias Barreirenses equivalente a dois terços deste valor, ou seja de 300 mil euros, salvaguardando o resto do excedente que possa aparecer, para fazer face a eventuais quebras no último trimestre do ano relativamente a execução orçamental. Esta ajuda poderia ser analisada com uma arquitetura de soluções que abrangessem a fatura da água, e também os transportes municipais.

A resposta do PS na Assembleia Municipal do Barreiro é um mau indício social
Esta proposta de resposta social foi apresentada em formato de arquitetura aberta, ou seja, não excluindo soluções finais e fechadas, e com tempo para que estivesse a ser implementada no terreno no princípio de 2023, de forma a chegar aos bolsos das famílias Barreirenses.

Foi recusada pelo Partido Socialista, contando com o silêncio cúmplice de todos os partidos da Esquerda. Em nome da qualidade dos resultados orçamentais. Assim se vê, onde mora a sensibilidade social que a esquerda tão aprecia lançar aos olhos dos eleitores. Teremos tempo para ver então, se a defesa do equilíbrio orçamental que justificou o voto contra da bancada socialista, não será mais que a tradicional inclinação do Partido Socialista e dos seus parceiros de gerigonça para tornarem o “Estado” mais rico, enquanto os portugueses, e neste caso concreto os Barreirenses ficam mais pobres e mais dependentes das ajudas desse mesmo Estado que os sobre tributa.

Luís Tavares Bravo

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