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Quotidianos

Porque se esconde a autarquia dos problemas reais dos Barreirenses?Luís Tavares Bravo
Barreiro

A igualdade de oportunidades, independentemente dos meios de fortuna e da posição social, é cada vez mais um mito, designadamente em sectores como a saúde, a habitação e o ensino, onde tudo se degrada a um ritmo alucinante. Francisco Sá Carneiro, 1978

Hoje é um dia de evocação da trágica morte de Francisco Sá Carneiro em Camarate, evento que marcou um país que se encontrava num processo de transformação política, económica e social, numa era também marcada por grandes divisões geopolíticas internacionais.

7 min de leitura
Porque se esconde a autarquia dos problemas reais dos Barreirenses? Luís Tavares Bravo Barreiro

Por Jornal Rostos

Salvaguardando as devidas diferenças de tudo o que foram as vitórias civilizacionais desde o princípio dos anos oitenta, existem algumas semelhanças em termos de contexto com o realidade que temos atualmente no país, marcado por uma enorme estagnação das perspetivas de futuro dos portugueses relativamente a prosperidade e ao emprego ou habitação, e também enorme incerteza relativamente ao que deveria ser o serviço publico – sobretudo com falhas graves no âmbito da saúde e da educação - que com uma deterioração severa das condições presentes devido à inflação e ao regresso dos conflitos da europa traz ao de cima uma inquietude que deve ser tida em séria consideração por todos.

Mas falemos também um pouco agora sobre o concelho do Barreiro neste contexto atual de mudança. O nosso município, que era dos mais pujantes no país na década de 70 e princípio da década de oitenta e que tem vindo a definhar desde décadas a esta parte.
É sempre bom relembrar, que a divulgação dos números oficiais dos censos em 2021 vieram confirmar a tese que o Partido Social-Democrata apresentou na última campanha autárquica – aliás foi o único partido que apresentou um diagnóstico sério sobre a cidade - o estudo dos 21 barómetros sobre 21 anos do século XXI no Barreiro. Hoje, a conclusão é clara e deixa pouco espaço para dúvidas. Existe uma séria e estrutural crise demográfica no nosso concelho.

O Barreiro foi dos concelhos no país que mais perdeu população desde o início do século (-5%), em contraciclo com os restantes concelhos comparáveis da Área Metropolitana de Lisboa (+7%), ou da totalidade dos concelhos que compreende o Distrito de Setúbal (+8%). Mais grave e indicativo de que este é um problema estrutural, é a evidência indicia que são os jovens adultos que mais optam por sair do Barreiro. A população entre os 24 e 35 anos foi a que mais caiu (-21% desde 2001), e o êxodo é claro à medida que as faixas adultas mais jovens vão terminando os estudos e entrando no mercado de trabalho. Isto significa que a cidade não consegue reter e ser atrativa para a constituição de famílias jovens, e consequentemente detém menos capital humano. Sendo atualmente o concelho do distrito de Setúbal com menor percentagem da população em idade ativa (59% sobre total da população), e o concelho onde a proporção da população ativa sobre o total da população mais caiu (-11,9 pontos percentuais) em toda a área metropolitana de Lisboa.

Ao mesmo tempo, a vida dos habitantes não tem melhorado, e isso é visível numa série de indicadores:

1. O Barreiro enfrenta uma severa deterioração das condições de Emprego, Empresas e de Rendimentos.

2. Existem sinais de degradação de qualidade nas escolas públicas do Barreiro.

3. Os custos com a habitação têm vindo a subir significativamente, tornando-se quase incomportáveis para as famílias,

4. A segurança e a criminalidade têm disparado nas últimas décadas, com o Barreiro a registar das mais elevadas taxas por mil habitantes na área metropolitana de Lisboa;

5. O Barreiro tributa muito mais, e investe e distribui menos do que poderia aos Barreirenses.

Portanto a falta de atratividade no Barreiro tronou-se um estudo de caso que exige uma abordagem estratégica que responda à questão obvia. Porque não cresce o Barreiro, quando todo o Distrito cresceu?
Politicamente, a resposta a esta questão não pode ser separada das decisões tomadas por que teve a gestão política do Barreiro. E durante os primeiros 21 anos do século XXI, o Partido Comunista governou durante 13 anos, e o Partido Socialista 8 anos. Ou seja, os 21 anos de gestão repartida entre socialistas e comunistas, de que forma criaram valor em termos de estratégia para a cidade, e em termos de qualidade de vida para todos.

A verdade é que ao mesmo tempo que vamos vendo a nossa cidade a transformar-se numa espécie de Beco com a melhor vista para lisboa, vamos continuando a ver o Partido Socialista, aliás, no Barreiro como no País, a manter uma ausência de discurso sobre estes problemas, e um silêncio que incomoda perante as consecutivas falhas do governo Central sobre o rol de promessas que foram fazendo em campanha ao Barreiro e aos Barreirenses:

1. Frota da Soflusa que continua a registar falhas nas carreiras. Acessibilidades cruciais para o Barreiro, como é o caso da Ponte Barreiro- Seixal ou Montijo que são sempre para mais tarde;

2. Ou como é o caso recente do Hospital do Barreiro, uma infraestrutura que é de todo distrito é um facto, mas que é estratégico também para a afirmação do município dentro do Distrito.

3. Ou ainda pela ausência de resposta aos elevados níveis de insegurança que se perpetuam e danificam o valor da qualidade de vida do Barreiro, preferindo ignorar que existe sequer este problema?

Esta é uma autarquia socialista, que consigo encerra todos os vícios que conhecemos também a nível nacional.

1. É um executivo que governa a pensar no que dá perceção conjuntural, e não na resolução estrutural dos problemas;

2. É um executivo que asfixia os números da realidade estrutural da cidade, e se esconde na narrativa política da ilusão, que pouco defende os interesses do Barreiro e dos Barreirenses;

3. Este é o executivo que recusou o programa social local apresentado pelo PSD para apoiar as famílias e os barreirenses no primeiro trimestre de 2023 para mitigar o impacte da inflação, mas que não abdica manter orçamentos de centenas de milhares de euros em comunicação, propaganda e eventos;

4. Este é o executivo que se recusa a gastar alguns milhares de euros para produzir relatórios independentes para se analisar e construir uma estratégia publica de segurança, que seja compreensiva, ampla e com metas e médias claras para num ou dois mandatos poder ser implementada de forma a inverter o desastre que vemos na cidade, mas que continua numa base semanal a atribuir adjudicações que se assemelham mais de agenda mais de política partidária do que de política para as pessoas.

5. Este é um executivo que anuncia dezenas de milhões para habitação inclusiva, projetos rodas gigantes e praias de ondas, edifícios multiusos, mas que depois convive com valas a céu aberto como que vimos aqui ao lado ainda a semana passada na Cidade Sol, ou com parques desportivos inacabados, parques infantis sem segurança para as crianças, ou parques habitacionais deteriorados, sem manutenção e sem regras.

Esta é, portanto, uma câmara socialista com certeza, forte nos eventos sociais, forte na propaganda e nos anúncios de obras que nunca acabam, ou acabam tarde (como foi o caso da esquadra de polícia no Barreiro Velho, lançada pelo governo de Pedro Passos Coelho e do PSD, e inaugurado no mês passado), ou em alguns casos, que nunca começam, como é o caso da depuradora de bivalves, já para não falar das que representam verdadeiros paradigmas de falha de gestão do processo, como foi o caso do dossier da quinta Braamcamp.

Está é sem dúvida, o que podemos chamar de uma Câmara sempre em festa, uma festa absoluta que precisa de ser contrariada por alternativa política que veja o Barreiro para além da agenda eleitoralista. Este é o dever e a responsabilidade do Partido Social Democrata nas próximas eleições autárquicas. O de construir e de liderar uma alternativa não socialista na qual os Barreirenses se possam rever e confiar para inverter os problemas estruturais da cidade, e retirar o Barreiro desta espécie de Beco em que se encontra desde à décadas, e torna-lo numa cidade Grande, Acessível e Atrativa para viver.

Luís Tavares Bravo

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