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Quotidianos

“Quo Vadis”, Concelho da Moita?(Para onde vais, concelho da Moita?)
Por Luis Nascimento

Um ano e dois meses após as eleições autárquicas, já conseguimos analisar que projecto a nova edilidade tem para o nosso concelho…

Durante anos, o concelho da Moita manteve a sua característica meio urbana / meio rural, com alguns momentos de deriva.

6 min de leitura
“Quo Vadis”, Concelho da Moita? (Para onde vais, concelho da Moita?) Por Luis Nascimento

Por Jornal Rostos

No final dos anos 60, inicio dos anos 70, foi construída a Quinta da Fonte da Prata (a antiga), surgindo assim o primeiro bairro de cariz “Bairro Social”, mas seria nos meados dos anos 70 que o grande bairro social, uma freguesia inteira, do Vale da Amoreira foi construído… Era necessário alojar aqueles que vinham das ex-colónias, quantos deles com “uma mão à frente e outra atrás”…

Estes dois bairros de cariz social fizeram o aumento da nossa população e mudaram em muito a forma de ser e de estar dos habitantes do concelho.

Mas, se é certo que tiveram forte influência nas suas freguesias, a verdade é que a Moita manteve um estatuto misto de urbano/rural…

Não temos população a menos, na verdade temos tantos habitantes como o Barreiro e muitos mais que o Montijo ou Alcochete… Mas a verdade é que o nosso comércio sente grandes dificuldades, pois a nossa população não tem poder de compra!

Não existem empregos no concelho e com a construção da Ponte Vasco da Gama começou a tendência para nos tornarmos um concelho dormitório, sem identidade própria, igual às zonas de Chelas ou Amadora.

O Montijo ou Alcochete aproveitaram melhor que nós a sua proximidade da nova ponte, recusando serem os bairros sociais da Grande Lisboa, mas apostando em serem as zonas “finas” da Grande Lisboa.

Na Moita nada acontecia… Nem crescimento urbano, nem surgimento de emprego.

O marasmo levou à lenta queda da CDU à frente dos destinos da autarquia, e assim no mandato de 2017/2021 a CDU perdeu a maioria!

Esse mandato 2017/2021, foi um mandato partilhado, a CDU sem maioria acabou por ceder pelouros às outras forças politicas, cedendo também algumas questões dos seus programas.

O PS ficou então com a Protecção Civil, o BE ficou com o atendimento dos munícipes, e o PSD (através da minha pessoa), ficou com as Actividades Económicas.

A grande diferença em relação aos mandatos anteriores, foi a clara aposta na atracção de investimento criando assim emprego:

Foi o Centro Logístico do Aldi, mais uma unidade na Riberalves, o Centro empresarial BlackSpace, o Centro de Storage OrangeSpace, no turismo, alicerçado na campanha “Moita Património do Tejo”, surgiu um hostel, uma mini unidade hoteleira, mais de 20 AL’s, inúmeros novos restaurantes incluindo o maior restaurante a sul do Tejo (o Panda), etc…

Confesso que, dado a minha influência nesta mudança de ciclo, os resultados eleitorais nas autárquicas de 2021 me surpreenderam!

Todas as pessoas falavam do problema dos transportes, do problema da segurança, mas a resolução desses problemas passa necessariamente pela criação de emprego no nosso concelho, com o deixarmos de ser um concelho dormitório… e no entanto, com o seu voto, as pessoas disseram que não queriam!

A Democracia é isto mesmo… e temos que a respeitar (quando a opinião da maioria coincide com a nossa, mas também quando não coincide).

Dessas eleições surgiu uma câmara com 4 vereadores do PS, 4 da CDU e 1 do Chega (agora independente), que fez um acordo com o PS deixando passar todas as opções socialistas… Não tendo pelouro, na verdade o grupo ex-Chega e actualmente independente, tem elementos a receber ordenado da Câmara Municipal e aprova com o seu voto ou a sua abstenção, todas as propostas do PS.

Assim, para perceber qual o caminho que a nova edilidade queria para o concelho, era necessário esperar as primeiras grandes resoluções da actual câmara municipal.

O primeiro orçamento, aprovado em 2021 para o ano de 2022, não respondia à pergunta, pois naturalmente, ele ainda era reflexo da gestão anterior.

Com toda a minha calma esperei pelo Orçamento e Grandes Opções do Plano para os anos de 2023 e seguintes, que foi aprovado em reunião de câmara na semana passada (com os votos a favor dos vereadores do PS e a abstenção, já sabida, do vereador ex-Chega) e que será aprovado na reunião da Assembleia Municipal de quarta e quinta, dias 14 e 15 de Dezembro.

Esperava eu que as novas opções da edilidade se baseassem nos esgotos (grande promessa eleitoral), na segurança (algo de que todos se queixam) e nos transportes públicos (eterno problema desde que nos tornámos um concelho dormitório)… Nada mais errado!!!

O Orçamento e as Grandes Opções do Plano, apresentados (e que serão aprovados com os votos a favor do PS e o beneplácito do ex-Chega) são uma aposta na habitação social!!!

18 milhões de euros (no prazo dos próximos 3 anos) para construção de habitação social!

O transformar do concelho da Moita, no Grande Bairro Social da grande Lisboa…

O PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), dá dinheiro para a construção de habitação social, na verdade isto não vai sair dos nossos bolsos, mas sim de verbas europeias… Mas… Trata-se de um presente envenenado!!
A população que vai atrair, continuará a ser uma população sem poder de compra, logo isto não resolverá o problema real do nosso comércio, sem empregos locais o aumento da procura dos transportes públicos será agravada, a segurança terá um agravamento pois este género de bairros transportam consigo a necessidade de mais segurança, e o nosso sistema de esgotos e demais infra-estruturas, também terão uma sobrecarga que vai agudizar os problemas que já todos conhecemos.

A construção de habitação social é algo urgente em concelhos que possuem bairros clandestinos de barracas (como Almada com o II Torrão, Seixal com o bairro dos Chixaros) ou concelhos onde se encontram sem abrigos (como Lisboa)… Não é o caso do Concelho da Moita.

A Moita o que precisava era que a câmara fosse mais ágil a aprovar as obras e a construção de quem cá quer construir e acaba por desistir tal a inoperância da nossa câmara… Essa sim, uma grande necessidade!

O caminho escolhido foi assim ao nível dos anos 80, uma falta de modernidade, de visão e o “fazer o frete” ao Governo socialista ávido de gastar o dinheiro para a construção de habitação social que a Europa nos deu através do PRR…

Isto foi aquilo que nunca foi dito na campanha eleitoral, mas que agora está à vista de todos!

Luis Nascimento

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