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Quotidianos

Efeméride - Padre Himalaia, o primeiro ‘startupper’ do Barreiro?Por Gonçalo Graça
Barreiro

Há precisamente 89 anos que faleceu o padre Manuel António Gomes, mais conhecido por padre Himalaia. Cientista, inventor, intelectual. Montou um dos seus laboratórios no Barreiro… e também era padre nas horas livres.

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Efeméride - Padre Himalaia, o primeiro ‘startupper’ do Barreiro? Por Gonçalo Graça Barreiro

Por Jornal Rostos

Como a internet é uma ferramenta poderosa na informação, não vale a pena descrever sucintamente quem foi o Padre Himalaia, o que fez e o que não fez. Apenas dois ou três lamirés. De facto, o padre Himalaia não se chamava Himalaia, mas sim Manuel António Gomes. Devido à sua alta estatura os amigos alcunharam-no de Himalaia. E assim ficou. Foi padre nas horas vagas, e as poucas missas que oficiou, foram quase sempre dedicadas às almas dos membros da Academia das Ciências de Portugal.

Também não era do Barreiro. Nasceu em Arcos de Valdevez e só veio para o Barreiro nos inícios do século XX, instalando-se em Sete Portais, entre 1911 e 1920, onde montou a empresa de explosivos "Companhia Himalaíte", fruto da sua sabedoria, e destinada a usos agrícolas. Conta-se, em jeito de mito, que numa das suas muitas experiências, conseguiu destruir parte da casa onde tinha o seu laboratório.

Um inventor nato. O professor Jacinto Rodrigues da Universidade do Porto descreveu-o na revista "Um olhar sobre o Barreiro" em 1994 como um padre "pioneiro do Desenvolvimento Ecológico". É que para além da himalaíte, ainda inventou o forno solar e o “pirelióforo”, cujo objetivo era a fundição de metais e minério com recurso à luz do sol. Uma invenção que justificou a participação na Exposição Mundial de Saint Louis, nos Estados Unidos, em 1904 (ver fotografia). E numa época onde o fumo das fábricas inundava as casas e os bebés nasciam e cresciam a tossir, foi completamente inovador. Consciente do agravamento da saúde pública, promoveu uma campanha para a utilização da energia solar. Hoje seria algo bastante comum, mas nessa época era totalmente descabido, para não dizer de loucos.

E nos tempos em que se erguem iniciativas start up’s um pouco por todo o país, com a promoção do empreendedorismo local na expetativa de criação de emprego em autênticas incubadoras de ideias, tendemos a esquecer a história dos que por cá passaram, dando a ideia que só agora surgem iniciativas. De todo. Fica a pergunta: seria o padre Himalaia o primeiro ‘startupper’ do Barreiro?

Gonçalo Graça

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