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Quotidianos

Virar a página em 2023.Por Luís Tavares Bravo
Barreiro

Olhando para o que nos deixou 2022, creio que podemos dizer que este não foi para a sociedade nem um ano fácil, nem bom. O mundo viu o regresso da guerra, o regresso da instabilidade geopolítica e uma crise económica com subidas de preços que poderá criar grandes dificuldades para as famílias.

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Virar a página em 2023. Por Luís Tavares Bravo Barreiro

Por Jornal Rostos

O mundo está de facto em situação frágil, e ainda pode levar mais algum tempo até melhorar. A nível mais local, vimos uma crise sem precedentes em sectores que demos por seguros no passado, como segurança, educação e sobretudo na saúde - onde o encerramento de serviços vitais como a obstetrícia aqui no Barreiro parece estar na triste agenda do governo socialista. Já não falamos de uma qualquer falência financeira do Estado, começamos a falar da falência operacional do serviço público nacional.

Não devemos ser negativos, ou profetas de desastres. Mas o reconhecimento dos erros e das dificuldades é um primeiro passo para podemos ajudar a agir e a ajudar a transformar o futuro. A capacidade tenaz para podermos fazer a nossa parte e ultrapassar as dificuldades é uma característica humana muito portuguesa, e estou certo de que o faremos mais uma vez. Á adversidade devemos responder com esperança, com trabalho e resiliência. E muita alegria, porque sem um espírito positivo e solidário e mais difícil superar momentos menos positivos.

Em 2023, temos um livro em branco por escrever. E as coisas não deverão permanecer fáceis por mais alguns meses, sobretudo as famílias portuguesas que enfrentarão subidas do custo de vida, à medida que as taxas de juro vão subindo de forma significativa e afetando os custos com os créditos das casas e das rendas, enquanto os custos com os alimentos e energia também vão continuar a ter um peso significativo, pelo menos durante os primeiros meses do ano. A recessão económica é uma possibilidade em muitos países europeus, e para Portugal isso significará menores possibilidades de ver aumentos reais do crescimento, e consequentemente dos salários dos portugueses, que continuam a suportar uma imensa garga fiscal, enquanto o Estado continua a falhar nas respostas a crises. Sem dinheiros europeus, um dos países da União Europeia que mais tributa, é dos que mais precisa dos mecanismos europeus para apoiar os portugueses em situações de emergência. Foi assim no caso da pandemia, tem sido assim no caso da inflação. Vamos assistindo ao empobrecimento das famílias, enquanto os serviços públicos mais básicos vão falhando operacionalmente, e vamos assistindo também a falhas graves reputacionais do Estado, com episódios de más práticas e transparência no exercício de cargos públicos, uma falta de respeito e de pudor republicano que apenas serve os adeptos dos populismos, e afasta cada vez mais os cidadãos dos seus representantes políticos. Esta grave ferida aberta que existe atualmente em Portugal, é a mais irresponsável herança desta maioria absoluta socialista, com perigosas repercussões para democracia como a conhecemos.

O Partido Socialista também detém uma maioria absoluta na CM do Barreiro. Já o referi publicamente que é uma oportunidade política para o Barreiro que deve ser aproveitada em favor da cidade, que sofreu décadas de imobilismo de esquerda. Mas o mandato que os Barreirenses passaram ao PS não é um cheque em branco, ou um exercício de poder autocrático. É exatamente nestes momentos que a capacidade de diálogo com a sociedade civil e com os restantes partidos faz a diferença. Mas os primeiros sinais mostram que o executivo socialista da maioria absoluta evidencia vícios semelhantes aos que vemos a nível nacional.

É um executivo que governa mais a pensar no que dá perceção conjuntural, do que na resolução estrutural dos problemas. É um executivo que asfixia os números da realidade estrutural da cidade, e se esconde na narrativa política da ficção, que pouco defende os interesses do Barreiro e dos Barreirenses;

Este é o executivo que recusou o programa social local apresentado pelo PSD para apoiar as famílias e os barreirenses no primeiro trimestre de 2023 para mitigar o impacte da inflação, mas que não abdica manter orçamentos de centenas de milhares de euros em comunicação, propaganda e eventos.

Este é o executivo que se recusa a gastar alguns milhares de euros para produzir relatórios independentes para se analisar e construir uma estratégia publica de segurança, que seja compreensiva, ampla e com metas e médias claras para num ou dois mandatos poder ser implementada de forma a inverter o desastre que vemos na cidade, mas que continua numa base semanal a atribuir adjudicações diretas sem nexo e de agenda mais de política do que der pessoas.

Este é um executivo que anuncia milhões para habitação inclusiva, rodas gigantes e praias de ondas, edifícios multiusos, mas que depois convive com valas a céu aberto como que vimos aqui ao lado ainda a semana passada na Cidade Sol, ou com parques desportivos inacabados, parques infantis sem segurança para as crianças, ou parques habitacionais deteriorados, sem manutenção e sem regras.

O Partido Social Democrata continuará a fazer o seu trabalho em 2023, em Portugal, e no Barreiro. Continuaremos a defender os interesses do Barreiro e dos Barreirenses, através dos nossos autarcas, através da intervenção pública em defesa das infraestruturas que importam, como é o caso da manutenção da unidade de obstetrícia no Hospital do Barreiro. A defender que a agenda Barreiro prevaleça sobre todas as outras, para que seja possível criar consenso democrático em tono do combate ao inverno demográfico, e retirar o Barreiro desta espécie de Beco em que se encontra desde à décadas, e torna-lo numa cidade Grande, Acessível e Atrativo para viver.

Continuaremos regularmente também a contactar as populações, através das nossas iniciativas dos roteiros das freguesias, para que possamos dar voz aos problemas de proximidade que existem, e a resolver esses problemas junto das entidades competentes. Podem contar com esta equipa para defender os vossos interesses, e ajudar a construir um Barreiro mais Forte!
Por fim, a todos os leitores, a todos os Barreirenses, deixo os votos de que este novo ano seja um ano de virar de página, que ultrapassemos todas as dificuldades iniciais, e que desta tormenta possa vir a bonança com um novo ciclo com crescimento, saúde e paz. Bem hajam, Feliz Ano Novo!

Luís Tavares Bravo

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