O “hastear da bandeira” e o “embandeirar em arco” no BarreiroPor Miguel Amaral

Por Jornal Rostos
Foi previamente anunciado o programa para o Hastear de Bandeiras nas diversas freguesias do município, nomeadamente: Alto do Seixalinho e Coina pelas 9h30; Lavradio e Santo André pelas 10h00; Palhais e Santo António da Charneca pelas 10h30; Barreiro e Verderena pelas 11h00, terminando com a cerimónia nos Paços do Concelho pelas 11:30h.
Embora se tenham verificado alguns pormenores inusitados como, por exemplo, a ausência de hino nacional (ao contrário do que está estipulado) e o silêncio confrangedor durante o hastear da bandeira no Lavradio, o que me marcou realmente pela negativa foi a cerimónia nos Paços do Concelho. Aconteceu que, estando definido oficialmente o início para as 11:30h, foi dada ordem para que as bandeiras fossem hasteadas e que a cerimónia iniciasse mais cedo, pelas 11:10h, coincidentemente (ou talvez não) antes da chegada dos vereadores da CDU ao local.
Para além da quebra do protocolo, da evidente falta de profissionalismo e da deselegância demonstrada para com vereadores eleitos pelos barreirenses; tal desconsideração estendeu-se também aos outros participantes, como a Banda Municipal do Barreiro, os Bombeiros Voluntários Sul e Sueste; os Grupo Corais Alentejanos “Os Amigos do Barreiro” e “Unidos do Lavradio”, bem como aos munícipes em geral, que não estavam a contar com um horário diferente do oficial. Acredito que se o Sr. Maestro da Banda, o Sr. Comandante dos Bombeiros ou um dos Srs. ou Sras. Vereadoras do PS ainda não estivessem presentes, a cerimónia não seria certamente antecipada!
Infelizmente, esta situação é recorrente; aconteceu também em 2022 nas celebrações do 25 de Abril, na inauguração das Festas do Barreiro, etc. Os vereadores da CDU são sistematicamente convidados para eventos que são, depois, antecipados sem qualquer notificação. Mais do que uma descortesia, é (premeditadamente ou não) uma forma de discriminação. Bem como o é a quase exclusão dos vereadores CDU dos registos fotográficos e das filmagens captadas pelos técnicos camarários – não fossem algumas “selfies” e raramente haveria registo da sua presença e participação nos eventos oficiais. Isto num contexto em que, o executivo maioritário na autarquia controla todos os meios e canais de comunicação, gerando uma profusão de slogans, acções publicitárias, cartazes, mupis, vídeos, e envolvendo muitos fotógrafos, operadores de câmara e manipuladores de “drones”. Há, um constante “embandeirar em arco” no Barreiro – expressão com origem no jargão náutico, quando, na Marinha, em dias festivos ou de gala, os navios dispõem os seus galhardetes e bandeiras em arco, significando festa e agitação.
É verdade que não “embandeiramos em arco” todos da mesma forma, até porque temos alguns valores, visões e bandeiras políticas diferentes. Mas festejemos sim, com entusiasmo e alegria, as datas significativas do nosso país e do nosso município; hasteemos em conjunto, de forma mais leal, inclusiva e democrática, a bandeira que nos devia unir: a do Barreiro.
Miguel Amaral
Professor Universitário
Vereador (CDU) na Câmara Municipal do Barreiro














