Casa da Música Jorge Peixinho – celebrar a liberdade e investir na culturaPor Ricardo Bernardes
Montijo

Por Jornal Rostos
O equipamento, resulta da requalificação da “Casa da Quinta das Nascentes”, uma residência rural burguesa, que se insere nas características arquitetónicas das “Quintas” da região e foi classificada como Conjunto de Interesse Municipal (CIM) em 2016, nos termos da Lei n.º 7/2001, de 8 de Setembro e depois de parecer da DGPC.
Trata-se de um investimento de cerca de 1 milhão de euros, parcialmente financiado por Fundos Europeus (cerca de 560.000 €), através de uma candidatura apresentada pelo Município ao “POR Lisboa 2020” no âmbito do “Pacto para o Desenvolvimento e Coesão Territorial da Área Metropolitana de Lisboa”, e que também havia sido incluído na Estratégia Municipal de Reabilitação Urbana.
Nota ainda para o Jardim das Nascentes, igualmente construído pela Câmara e a inaugurado na mesma data. Este Jardim, que se interliga com a Casa da Música e se situa no Corredor Verde Urbano do Montijo, mostra a tripla valência do projeto que agora abre portas ao público – nos planos cultural, ambiental e de proteção civil.
Assim, no primeiro domínio, proporciona-se à cidade um novo equipamento cultural de excelência, que não só permite diversificar a oferta de espetáculos, como homenageia e divulga a figura do Maestro Jorge Peixinho – nome maior da cultura montijense, cujo espólio, legado ao município, aqui ficará acomodado, dando lugar a um Museu.
Ao nível ambiental avulta sobretudo o Jardim das Nascentes, espaço verde de dimensões equiparáveis aos Parque Municipal Carlos Hidalgo Loureiro e que funcionará como um novo “pulmão” da cidade, especialmente relevante num tempo em que se impõe combater e atenuar os efeitos das alterações climáticas.
Finalmente, ao nível da proteção civil, vale lembrar que este espaço verde permitirá ajudar a reter as águas das chuvas, pelo que é importante para ajudar a evitar cheias.
Trata-se de uma obras das mais emblemáticas do ciclo de gestão autárquica do PS na Câmara do Montijo, que de certo modo recua ao Plano Geral de Urbanização de 1978, e só foi possível graças à persistência e determinação dos autarcas socialistas.
De facto, o percurso até à inauguração foi pontuado de dificuldades, que vão de uma batalha judicial difícil e morosa, aos constrangimentos habituais na contratação pública e nos processos de candidatura a financiamentos comunitários, passando pela constante pressão negativa das oposições políticas, com destaque para o PSD-Montijo. Este partido, aliás, não se cansou de desvalorizar o projeto e todos os que a ele se associaram, incluindo mesmo a Companhia Mascarenhas-Martins, uma das mais prestigiadas organizações culturais da cidade, a quem a Câmara (em boa hora) atribuiu a programação do equipamento.
A força da obra e do trabalho feito, acabou, por fim, por emergir – contra o derrotismo e a maledicência política, mas, sobretudo, em benefício do Montijo e dos Montijenses, que passam a dispor de um equipamento que reposiciona a nossa cidade no quadro do distrito de Setúbal e da Área Metropolitana de Lisboa.
Está, pois, de parabéns a Câmara Municipal que, com a inauguração da Casa da Música, nesta data, escolheu celebrar a liberdade, investindo na cultura.
Ricardo Bernardes
Docente da FDUL
Líder do Grupo Municipal do PS na Assembleia Municipal do Montijo














