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Quotidianos

Vamos desafetar terrenos da nova ponte, por uma espécie de renda acessível que não é mais que um inútil cupão de desconto?Por Luis Bravo
Barreiro

A gestão do processo de desafetação de terrenos que estavam reservados para a terceira travessia do Tejo é em si um tratado sobre desinformação, e incapacidade de criar debate público estruturado a favor dos interesses do Barreiro e dos barreirenses.

E porquê?

4 min de leitura
Vamos desafetar terrenos da nova ponte, por uma espécie de renda acessível que não é mais que um inútil cupão de desconto? Por Luis Bravo Barreiro

Por Jornal Rostos

Em primeiro lugar porque é gerador de confusão informativa junto das populações,

que pouco entende das zonas cinzentas técnicas ou das ligações legais que existem entre esta proposta e o Plano Diretor Municipal, do qual aliás muito pouco a sociedade civil e partidária Barreirense sabe, apesar de estar “por aí”, a ser debatido. A perceção que transparece para as populações é que este é, mais uma decisão feita em moldes pouco abertos e de que sabem pouco. Não merecia este tema, uma discussão pública e devida divulgação mediática local? Eu diria que que merece pelo menos a mesma campanha de outdoors que a marca “fabricado no Barreiro “ ou que a esbracejante campanha do “cheque cultura”. Não merece o debate sobre uma decisão estratégica sobre esta desafetação dos terrenos reservados para a ponte, uma digna amplificação mediatica e espaço de discussão? A favor da transparência e esclarecimento da sociedade civil? Eu diria que sim.

Em segundo lugar, descartar este território sem ter discutido a proposta de revisão do PDM,

é uma má prática de gestão em termos de transparência, e denota incompetência técnica e política da gestão processual do dossier. Politicamente acrescento, a maioria socialista não envolveu nenhuma força política num processo que esta acima da sua maioria absoluta e pode influenciar as próximas gerações. E cai no mesmo erro que acusou a CDU de fazer durante décadas. A de não escutar, não envolver, não criar lobby a favor de uma estratégia Barreiro, criando pontes entre partidos e não se escondendo atrás da sua maioria absoluta.

Em terceiro, o Partido Socialista argumenta esta decisão pela inevitável necessidade de criar habitações de renda acessível,

mas apresenta descontos comerciais e que não são modelo estratégico que resolva o problema estrutural das rendas no Barreiro. Pelo menos o executivo assume que existe uma grave crise de habitação no município - Menos mal. Mas isso não pode ser desculpa para tudo, e para a criação desenfreada de betão. Os erros do passado deviam conduzir a maiores cautelas nestas decisões. Acresce que, novamente, vemos surgir o conceito de “cupão” na qual assenta a propaganda socialista (já é assim com o anedótico cheque cultura que apenas serve para ocupar outdoors publicitários na nossa cidade, e que apresenta resultados residuais), é no mínimo, risível. Pergunto eu: um Barreirense que ganhe os cerca de 1100 euros médios (INE, Pordata), se em vez de pagar 700 euros de renda por um T2/T3 , pagar 630, está a resolver o seu problema com a renda?

As rendas no Barreiro subiram mais do que no país inteiro - cerca de 45% em três anos, de acordo com um artigo do ONOVO. Alguns estudos apontam para muito mais. São 10% desconto sobre o preço de mercado das rendas que representam uma estratégia de renda acessível? Óbvio que não. Qualquer estratégia de renda acessível tem de estar assente no peso médio da mesma, sobre o rendimento médio do concelho. Não deve ser mais de 35% do rendimento médio do agregado que aluga, para não desequilibrar as contas das famílias. Ou seja, precisamos de rendas em torno dos 350/400 euros.

Por fim, também não precisamos de fazer nos fidalguinhos as selvas de pedra

que tão erradamente construímos no passado noutras localizações. Os espaços verdes e a comunhão entre habitação e qualidade de vida devem estar na mente de todos. O projeto que o PSD apresentou no passado (ver aqui: https://www.rostos.pt/bastidores/2003018-candidato-do-psd-a-presidente-da-camara-municipal-do) teria muito valor nisto.
Gostaria muito, assim como sei que o PSD e os seus eleitos, de poder ter tido um fórum político para explicar a CM e ao executivo socialista está nossa visão. E de ter participado num debate público ou até apenas entre partidos. Mas não houve debate. Então temos isto. Resta ao PSD denunciar e defender o interesse maior do Barreiro. Porque isto não foi, nem é comportamento político adequado para um partido democrático, a quem foi conferida uma maioria absoluta.
É esta a maioria que queremos para o Barreiro?

Luís Tavares Bravo
Presidente CPS PSD Barreiro

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