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Quotidianos

Câmara Municipal do Barreiro. O efeito “Boomerang”!Por José Encarnação
Barreiro

No passado dia 29 de junho, nas oficinas da EMEF (para mim serão sempre da CP), realizou-se a primeira sessão, ordinária, da assembleia Municipal do Barreiro.
Como salientou o Presidente da AMB, Pinotes Batista, há muito tempo que não se verificavam tantas intervenções no período reservado à participação do público. Foram nove intervenções, quatro versando a Terceira Travessia do Tejo e cinco abordando o ingente e urgente tema da habitação.

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Câmara Municipal do Barreiro. O efeito “Boomerang”! Por José Encarnação Barreiro

Por Jornal Rostos

Neste artigo vou-me cingir à questão da TTT e áquilo a que refiro no título, o efeito “boomerang”.
Quer o senhor vereador Rui Braga quer o presidente Frederico Rosa vieram à “liça” para tentar explicar o inexplicável.
Revelaram pouca cultura democrática e educação cívica na forma e no conteúdo quando se referiram a dois dos intervenientes. Eu próprio e o meu amigo Joaquim Matias.
Pouca cultura democrática e educação cívica quando puxaram do coldre epítetos como desconhecimento, populismo, caçar votos, vertigem, fantasmas, etc.

Falar mais alto e em tom inflamado pode impressionar, mas não dá razão. Pelo contrário. Essa forma de intervir revela fraqueza, fragilidade, temor e insegurança. Quem tem razão não precisa roçar a ofensa e a insinuação.
Frederico Rosa pode ter querido intimidar ao referir que um cidadão, eu no caso, tem feito parte de vários movimentos e causas em defesa do que julgo ser o melhor para o Barreiro. Fiz, faço e farei sempre que os interesses das populações possam vir a ser afectados. Sinto orgulho em me comprometer com a Constituição da República Portuguesa e com a Democracia Cidadã.

Frederico Rosa só se esqueceu de pedir desculpa por não ter, ainda, concretizado uma decisão camarária de construir o Centro de Saúde do Alto Seixalinho e de pouco ou nada ter feito com as extensões de saúde de Coina e de Palhais, por exemplo. Frederico Rosa devia ter pedido desculpa de se ter empenhado na venda da quinta Braamcamp e ter que recuar. O presidente da Câmara devia era ter pedido desculpa por não ter ouvido a voz de muitos barreirenses que se opuseram ao Terminal de Contentores e que a APA, Agência Portuguesa do Ambiente, chumbou. O presidente Frederico já devia ter ouvido todos aqueles que têm vindo a demonstrar que o dito aeroporto do Montijo é uma espécie de moribundo e um “activo tóxico”.

O presidente da Câmara tem, ao fim e ao cabo, estado do lado errado da história e do verdadeiro progresso. Preferiu estar do lado das inaugurações dos LIDL e de outras iniciativas de “penacho”.
Durante as lutas, mais ou menos justas, dos trabalhadores da Soflusa nunca vi lá o presidente Frederico nem nenhum vereador da maioria. O mesmo não vi nas iniciativas em defesa do SNS e contra o encerramento de valências no Hospital do Barreiro.
O presidente da Câmara está mais preocupado em estar ao lado dos donos do LIDL, da SUPERA, do Minerva, e agora dos herdeiros do Xavier de Lima.

Já agora e para ir terminando, resta colocar aqui um outro efeito “boomerang”. O desconhecimento. Chamar de desconhecimento a umas centenas de cidadãos que se pronunciaram contra a declaração de caducidade tão falada, mas pouco discutida, é de falta de gosto. O executivo não mexeu uma palha para promover um debate sério e sereno sobre as implicações, para as acessibilidades da TTT, que resultarão da declaração da caducidade. O Movimento Cívico, do qual sou um simples membro, mobilizou, através de uma Carta Aberta, de uma Petição Pública e de uma participação no período de consulta pública, mais de setecentos cidadãos e cidadãs do Barreiro, Moita, Lisboa, Setúbal e Seixal, entre outros. Mais uma vez a Câmara ficou do lado errado contra a cidadania.
Desconhecimento é o que o senhor vereador Rui Braga e o senhor presidente Frederico Rosa têm vindo a demonstrar ao insistirem na tese do corredor e do traçado que existia desde 1994.
Já agora senhor vereador, a IP não aprova, nem aprovou nenhum traçado. Isso resulta da assinatura do secretário de estado Humberto Rosa, em 2009, aquando da DIA.
Nunca houve corredor ou traçado para a TTT antes de 2009 quando foi aprovada a Declaração de Impacte Ambiental. A ideia, peregrina, de que haviam dois traçados é pura alucinação. O presidente Frederico (pode ser ouvido e visto nas redes sociais) chegou a dizer que “vamos é desimpedir e desonerar a outra solução que estava traçada”.
Trata-se de narrativa. O que a Câmara vai decidir é liquidar as zonas de proteção ao IC 21 que estavam consagradas desde o PDM de 94. Isso sim. E vai fazê-lo para “facilitar” um empreendimento cujos interesses estão ligados aos herdeiros de Xavier de Lima, na zona sobrante das edificações nos Fidalguinhos. É próximo de um embuste.
A Câmara Municipal não consegue, porque não existe, mostrar esse tal traçado de 1994 que dizia respeito à Terceira Travessia. E não existia por razões óbvias. A TTT só foi decidida, e depois suspensa a construção, em 2008/2209 com os estudos do LNEC e a DIA de 2009.
Contudo, os terrenos ora alvo da caducidade, coincidem em boa parte com os traçados aprovados para as acessibilidades rodo ferroviárias da TTT e constantes da DIA.
Terminando mesmo este artigo é minha obrigação repor aqui uma verdade face à narrativa, insidiosa, da maioria na CMB.
Nunca o Movimento Cívico afirmou que a Câmara Municipal estava contra a Terceira Travessia. Essa sim é uma forma demagógica de colocar a questão. A história encarregar-se-á de fazer jus à convicção com que cada um e cada uma defende a mais do que necessária construção da Ponte Barreiro Chelas, Rodo Ferroviária. Não nos conformemos em deixar para 2050 a realização desse objectivo.
O povo está escaldado de tanta promessa que, depois de mais uns argumentos estafados, colocam areia na engrenagem.

Barreiro, 4 de julho de 2023
José Encarnação

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