AS JORNADAS MUNDIAIS DA JUVENTUDE, O SER ATEU E COMUNISTAPor Humberto Faísca
Barreiro
Sou ateu, não sou batizado e não sei rezar o terço, dito isto vou arriscar escrever um pouco sobre coisas que tenho lido por ai escutado por acolá, sobre as jornadas mundiais da juventude e não só.

Por Jornal Rostos
Abro um parênteses escrevendo que desejo que as jornadas mundiais da juventude corram bem para os católicos, ajudará também a que não corra pior para os católicos e para os outros como eu, a cúpula ortodoxa da hierarquia da igreja não lhe deseja grande sucesso, quase que de certeza.
Muito se tem falado sobre os milhões que se tem gasto na organização da mesma, sobre a intervenção do estado no pagamento e suporte dos meios necessários à concretização de tal jornada, sobre a vaidade desnecessária e os caprichos de alguns, caprichos realmente caros numa sociedade ainda tão injusta, desproporcional e carente muitas vezes de coisas fundamentalmente básicas para a dignidade humana.
Seria sempre caro fosse o estado laico a pagar fosse a igreja, para realizar estas jornadas que nunca seriam baratas, poderia se muito bem e de acordo com o pensamento público do papa realizado a jornada guardando na gaveta toda a vaidade que acabou por vir ao de cima, existe ali muita vaidade desnecessária que resolveria muitos problemas a pessoas reais .
Falando agora do Papa Francisco , sobre o que ele prega e sobre aquilo que muitos querem pregar e executar no lugar dele, sobre dogmas infundados e teorias acusatórias mal fundamentadas.
Tenho escutado aqui e acolá que sendo comunista ( geralmente nas conversas esse é um dos motivos usados) não deveria concordar com as jornadas…não entendo a relação justificativa da coisa, como se não houvesse comunistas católicos.
Como se o partido comunista tivesse alguma coisa contra os católicos, ou os católicos só por serem católicos tivessem que ter alguma coisa contra os comunistas.
Sei que no passado e em muitos setores da cúpula da igreja o ataque aos comunistas, socialistas, anarquistas e progressistas foi real e intenso, não deixou saudades e deixou marcas.
Politicas como as do cardeal cerejeira e outros que tal, no apoio ao fascismo e ao salazarismo, na manipulação dos crentes fazendo os crer que os comunistas eram a personificação do diabo, ainda hoje faz algum caminho entre católicos, mais ainda quando na cúpula da mesma não faltam apoiantes dos cerejeiras da vida, atitudes essas que também criaram barreiras entre alguns comunistas socialistas e progressistas face à igreja, confundindo muitas vezes o trigo com o joio.
Já escrevia Álvaro Cunhal
Que existe sim, uma distinção entre a hierarquia da igreja e os católicos.
“Nós, comunistas, defensores do nosso povo e da nossa pátria, continuamos desejando sinceramente a unidade com os católicos progressistas na luta pela realização das nossas comuns aspirações.”
Edgar Pinto dizia que ser católico não implica ter uma posição politica e que existe católicos explorados e exploradores, patrões e trabalhadores.
Mas voltando às jornadas, e à sua importância atual,
Já tinha atrás referido que desejo uma boa jornada, fundamental na minha opinião para cimentar a posição do papa Francisco, um homem crente, nisso diferente de mim, mas que em algumas coisas importantes pensa parecido ou igual ao que eu penso e defendo.
A posição do papa sobre o capitalismo, critico desse modelo que aumenta e promove as desigualdades.
Sobre a propriedade privada que segundo ele não se pode sobrepor à função social da mesma.
Sobre a caridade feita de pequenos gestos individuais que nada resolve, caridade a la carte…quando o que é necessário é uma mudança estrutural do sistema.
E a posição sobre a guerra e sobre as guerras, das poucas vozes mundiais que fala de paz, que diz que as mesmas não podem ser reduzidas aos bons e aos maus, que tem a coragem de afirmar que as guerras estão a ser patrocinadas pelo capital do armamento, e por interesses de geopolítica de ambos os lados.
Em relação à guerra da Ucrânia lembro me de uma frase em que afirma que a guerra foi provocada ou não foi propositadamente evitada.
Papa francisco contraria o discurso ocidental sobre a guerra, e os motivos que levaram à mesma.
É por isso que desejo uma boa jornada, uma má jornada enfraqueceria este pontificado e abria portas aos desejosos ortodoxos de direita, salivantes à espera, apoiantes do capitalismo e cúmplices de uma extrema direita racista xenófoba anti socialista e anti comunista.
Se o dinheiro gasto, fizer com que um milhão e meio de jovens de todo o mundo, se unirem e conseguirem ver o mundo aos olhos do papa Francisco, na mudança deste regime capitalista e injusto, e numa luta real pela paz, então não foi tão mal gasto assim.
Eu cá continuo ateu.
Humberto Faísca
Barreirense














