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Quotidianos

Pobres passageiros!...Por António Neves
Barreiro

Depender do comboio para chegar ao trabalho ou a um destino está a tornar-se um pesadelo no país.
Hoje são os trabalhadores da ferrovia, outro dia serão os revisores, num outro os maquinistas e por aí fora.
Não estão em causa as justas razões para os protestos dos trabalhadores.

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Pobres passageiros!... Por António Neves Barreiro

Por Jornal Rostos

Mas contra quem podem protestar os outros trabalhadores que pagam adiantadas as viagens para um mês de trabalho e tantas vezes se vêm obrigados a recorrer a outros meios de transporte que têm de pagar de novo.
Uma greve para ter eficácia deveria prejudicar seriamente a entidade patronal, para que esta faça os possíveis e impossíveis para evitar ser penalizada pelos prejuízos financeiros da greve.

Não é o caso destas inúmeras greves dos comboios que até beneficiam o orçamento de quem os explora, visto que os passes estão pagos e as paralisações poupam milhões.
Mas quantos milhões custam estas greves à economia nacional, quanto desgaste psicológico e sofrimento fisico provocam aos milhares de utentes dos comboios do país?

Talvez se devessem fazer esses cálculos e tê-los em conta quando se fazem as negociações salariais,e não só, entre sindicatos e entidades empregadoras.
Tudo se deveria fazer para garantir, em cada negociação, pelo menos um ano de paz laboral.
Mas não apenas com um sindicato, ou uma parte dos trabalhadores de uma empresa.

De nada adiantaria um acordo com uma parte, que não faria greves, se o mesmo não acontecesse com os trabalhadores de todos os sectores dessa mesma empresa.
O que acabo de escrever sobre os comboios pode e deveria aplicar-se aos campos da saúde, da educação, das forças de segurança etc.

No fundo, poderíamos e deveríamos exigir um Ministério para a negociação coletiva do Estado, credivel, que teria como objetivo, um acordo salarial anual, pelo menos, negociado até ao cêntimo que o Estado pudesse pagar, a cada função.
Como estamos, cada ministério ou empresa pública a negociar, por si, e cada sindicato com sua força negocial desigual, estaremos condenados a um desgaste a conta gotas ao longo de cada ano, com greves "a la carte" hoje nos transportes, amanhã nos hospitais, no dia seguinte nas escolas, e por aí fora.
Uma sugestão para o próximo governo.

António Neves

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