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Quotidianos

A bolha em que vive a DireitaPor Rui Pedro Pereira
Barreiro

Portugal esta semana acordou cinzento, frio e com chuva e nos jornais : Cecília Meireles indignada e revoltada lamenta muito que ( *Em
Portugal é quase mais fácil uma pessoa divorciar-se do que despedir um trabalhador"..)
E por que motivo, e com que razão, deveria ser mais fácil despedir um trabalhador do que um casal divorciar-se? Que comparação é esta?

4 min de leitura
A bolha em que vive a Direita Por Rui Pedro Pereira Barreiro

Por Jornal Rostos

Estas frases soltas e gritos de revolta da Direita devem fazer-nos pensar a todos. A afirmação da centrista não é apenas infeliz, é reveladora. Revela uma visão política que coloca os direitos laborais como obstáculos, que olha para quem trabalha como peças descartáveis e que normaliza que despedir uma mulher ou um homem - aqueles cujo trabalho levanta o país todos os dias - possa ser tudo tratado como mero detalhe administrativo. Quando uma ex-secretária de estado considera excessivo o “trabalho” exigido para despedir alguém, percebemos bem o projeto que esta direita neoliberal está a recuperar.

O PSD e o CDS perderam a vergonha. Já nem disfarçam ao que vêm e contra quem governam, e as suas prioridades estão à vista: alterar legislação para fortalecer o patronato, facilitar despedimentos, reduzir salários, cortar direitos. Tudo isto sustentado numa narrativa perigosa que tenta convencer o país de que o problema não está na precariedade, nem na exploração, nem nos lucros milionários de grandes empresas. Não. Para eles, o problema são sempre os trabalhadores, a sua proteção, os seus direitos e a Constituição que consagra a dignidade laboral como fundamento da democracia.

É por isso que este governo, com o apoio explícito do CHEGA nesta área, avança sem hesitação para revisões legislativas que prejudicam quem trabalha. Querem impor bolsas de horas, baixar salários, flexibilizar despedimentos e transformar direitos constitucionais em meras concessões condicionais. Defendem que sejam os trabalhadores a acomodar a má gestão empresarial, as opções erradas e as quedas de lucro dos grandes grupos económicos. E chegam ao ponto de ameaçar direitos das mulheres, incluindo áreas tão sensíveis como o tempo de amamentação. Uma agenda regressiva, feita à medida de interesses privados que já não se escondem.

Mais grave ainda: estamos a assistir a um ataque direto ao próprio texto constitucional. É público que PSD e CH querem alterar a Constituição da República Portuguesa para beneficiar grandes interesses económicos, recuando décadas na proteção laboral e social. A Constituição não é um entrave, é a garantia de que o país não volta a um tempo em que o trabalhador era apenas uma ferramenta descartável. É a garantia de que a democracia serve todos, e não apenas os mais fortes.

E, enquanto tudo isto acontece, ouvimos um Primeiro-Ministro afirmar que “não percebe os motivos para a greve geral” e que “os trabalhadores estão em casa e não sabem porque vão fazer greve”. Deixe-me dizer-lhe, Senhor Primeiro-Ministro: milhares de trabalhadores já não estão em casa, Perderam-na. Estão a viver em quartos, em casas de familiares, de amigos, ou em situações de precariedade extrema. Estes governantes já não conhecem o povo. E compreende-se porquê: quem possui mais de 50 imóveis no seu património dificilmente perceberá o drama real da habitação e a luta diária de quem ganha pouco mais do que o mínimo para sobreviver.

É por isso que no próximo dia 11 teremos uma greve geral. Não é capricho sindical, não é radicalismo ideológico, é uma resposta necessária ao ataque organizado contra os direitos de quem trabalha. É uma greve convocada pelo próprio governo através das suas decisões políticas, apoiadas pelos partidos que hoje representam a direita mais retrógrada que Portugal já viu desde o 25 de Abril.
Neste momento decisivo, mais do que no passado sabemos que defender os direitos laborais é defender a dignidade humana. É afirmar que a democracia não existe sem justiça social, sem proteção de quem trabalha, sem Constituição que garanta igualdade e limite os abusos dos poderosos. Portugal construiu, com esforço e com luta, um modelo que protege trabalhadores, famílias e o futuro. Não permitamos que o desfaçam em nome do lucro de poucos. A resposta tem de ser clara, firme e coletiva. E começa já no dia 11, na defesa dos trabalhadores, da Constituição e da própria democracia.

Rui Pedro Pereira
- Presidente da Concelhia do PS Barreiro, Trabalhador dos Serviços Municipalizados de Transportes Colectivos do Barreiro e sindicalizado no STAL da CSS CGTP-IN

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