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Quotidianos

Luzes, presentes… e o esquecimento de CristoPor Cláudio Anaia
Barreiro

Todos os anos, o mesmo espetáculo se repete: ruas iluminadas, árvores carregadas de enfeites, lojas a empurrar-nos a comprar, comprar e comprar. E o Menino que nasceu numa manjedoura? Sem conforto, sem riqueza, sem lar… O paradoxo de Chesterton — celebrar o sem-teto em lares cheios — perdeu-se.

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Luzes, presentes… e o esquecimento de Cristo Por Cláudio Anaia Barreiro

Por Jornal Rostos

Olhem à vossa volta: quantas árvores têm um presépio? Quantas se limitam a exibir montes de presentes embrulhados com papel colorido e laços vistosos, como se isso fosse o espírito da festa? O Natal transformou-se numa maratona de consumo, numa encenação de felicidade, num espetáculo para o consumo desenfreado. Jesus foi empurrado para o canto da memória, enquanto se celebra as abundâncias que nem todos possuem.
O que importa mais, hoje, possuir ou ser? Contam-se prendas, não gestos; contabilizam-se luzes, não olhares; medem-se valores monetários, não valores humanos. O Natal perdeu-se nesse culto ao “Ter”, completamente contrário à mensagem de Cristo, aquele por quem realmente celebramos esta data. O Menino de Belém não nasceu para que enchêssemos casas de objetos, mas para que abríssemos o coração, cultivássemos amor, compaixão e generosidade. No meio de tanto brilho e embrulho, esquecemo-nos de nós mesmos — e esquecemo-nos Dele.
O sistema económico em que vivemos conseguiu deturpar completamente o espírito natalício nas últimas décadas, empurrando-nos para um consumo excessivo e quase compulsivo. O resultado é evidente: desperdício, impacto ambiental e futilidade. Quilos de comida acabam no lixo, toneladas de papel de embrulho usadas uma única vez, milhares de quilowatts gastos em iluminações decorativas, presentes que muitas vezes ficam esquecidos numa gaveta. Em Portugal, por exemplo, a Associação Quercus estimou que, em 2021, após o Natal, foram para o lixo 1.200 toneladas de pinheiros, 54 toneladas de luzes, 6 milhões de pratos de comida e 12 milhões de rolos de papel de embrulho. Uma época que poderia inspirar reflexão, generosidade e cuidado com o próximo e com o planeta acaba, na prática, por alimentar desperdício e perpetuar o caos.
As crianças percebem rapidamente que o Pai Natal não existe, que Rudolph e os ajudantes são apenas fantasia. Mas Jesus? Quantas conhecem o verdadeiro motivo do Natal? A culpa não é delas; é da sociedade, dos adultos, da lógica consumista que ensina a valorizar presentes e decorações, esquecendo o Menino de Belém.
O Natal não é luzes nem sacos de presentes. É encontro, generosidade, atenção ao outro — sobretudo aos que nada têm. Esquecer isto é transformar a festa em mercadoria, a celebração em ritual vazio, a história em propaganda de consumo.
O paradoxo de Chesterton permanece: celebramos o sem-lar com brilho e fartura, mas raramente se leva essa atenção para além das decorações. Recuperar o sentido do Natal exige coragem — coragem de olhar para o que deixámos de lado, de escolher espírito em vez de aparência, amor em vez de embrulho.
Neste Natal, amigo leitor, abra o seu coração. Deixe Jesus entrar na sua vida. Só assim poderemos honrar verdadeiramente o Menino de Belém — não com ofertas vazias, mas com presença, coração e fé viva.

Cláudio Anaia
Militante da Justiça e Direitos Humanos

“O Natal é construído com base num lindo e intencional paradoxo: que o nascimento de uma pessoa sem lar seja celebrado em todos os lares.”
— Gilbert Chesterton

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