Fechar a democracia dentro de uma sala.Por Jaime Gonçalves
Barreiro

Por Jornal Rostos
Vivemos numa era digital em que as instituições públicas são chamadas a adaptar-se aos novos hábitos, às novas formas de participação e às legítimas exigências de acesso à informação. Transmitir online as sessões da Assembleia de Freguesia não é um capricho, nem um espetáculo político: é uma ferramenta simples, eficaz e cada vez mais comum para aproximar os cidadãos das decisões que afetam o seu quotidiano.
A realidade é clara: muitos fregueses não conseguem estar presentes fisicamente nas assembleias, seja por razões profissionais, familiares, de mobilidade ou de saúde. Negar-lhes o acesso remoto é, na prática, limitar a participação democrática e manter a política local afastada de quem deveria servir.
Os argumentos usados para justificar o chumbo — custos, questões técnicas ou legais e a ausência de Fregueses a visualizar as assembleias — soam a desculpas frágeis num tempo em que a tecnologia é acessível, barata e amplamente utilizada por autarquias de todas as cores políticas. Se outras freguesias e municípios conseguem transmitir reuniões públicas com meios reduzidos, porque razão a nossa não o pode fazer?
Mais preocupante ainda é a mensagem política que este voto contra transmite: a de que o PS prefere manter a Assembleia de Freguesia longe do escrutínio público, fechada numa lógica ultrapassada, em vez de apostar numa governação aberta, transparente e participada.
A moção apresentada pela AD não impunha improvisos nem irresponsabilidades. Propunha, sim, um passo natural no caminho da modernização democrática, que poderia — e deveria — ser trabalhado com bom senso, faseadamente e com o contributo de todos.
A democracia local fortalece-se quando se abre, não quando se fecha. Chumbar a transmissão online das assembleias é perder uma oportunidade de aproximar eleitos e eleitores, de reforçar a confiança nas instituições e de mostrar que a política local não tem nada a esconder.
A AD continuará a defender uma freguesia mais transparente, mais moderna e mais próxima das pessoas, porque a democracia não deve ter portas fechadas — nem câmaras desligadas.
Jaime Gonçalves
Eleito Assembleia Freguesia ASSAV
Vice presidente Mesa da Assembleia Secção PSD Barreiro














