Direito à Saúde! A luta de todos os dias em 2026Por Antonieta Bodziony
Barreiro

Por Jornal Rostos
Em janeiro, cerca de 1 500 utentes do Centro de Saúde de Santo António da Charneca ficaram sem médico de família. Atualmente, são os restantes médicos da unidade que têm assegurado consultas, tratamentos e a renovação de receituário a estes utentes, entre os quais se incluem crianças, doentes crónicos e grávidas. Estão a ser desenvolvidos esforços no sentido de encontrar uma solução que não passe pela transferência destes utentes para a UCSP da Quinta da Lomba, que conta já com mais de 19 mil utentes sem médico de família.
Entretanto, a USF Ribeirinha, que funcionava no edifício onde também se localiza o Pingo Doce do Terminal, ficou sem condições para a prestação de cuidados de saúde, devido à falta de obras e aos efeitos das intempéries. Após vários dias sem atendimento, os profissionais foram transferidos para a UCSP da Quinta da Lomba, um edifício já exíguo e em obras.
Perante este cenário, impõe-se a pergunta: como pode a UCSP da Quinta da Lomba, com dificuldades há muito conhecidas, assegurar o atendimento aos seus utentes, responder aos milhares de utentes sem médico de família e, simultaneamente, integrar aqueles que agora para ali foram deslocados?
A recentemente inaugurada USF Alburrica, na Escavadeira, carece ainda de acabamentos essenciais para garantir, por exemplo, que os utentes sejam atendidos com a privacidade a que têm direito. Também a USF Eça de Queirós, no Barreiro, se encontra em obras, com sucessivos atrasos e prorrogações, mantendo os seus utentes, por mais algum tempo, nas instalações da Clínica Laura Seixas.
O início deste novo ano não trouxe o reforço necessário ao Serviço Nacional de Saúde, mantendo-se, e em alguns casos agravando-se, uma opção pela degradação marcada pela desvalorização dos profissionais, pela concentração de serviços e pelo desmantelamento de valências essenciais.
À preocupante realidade do elevado número de utentes sem médico e equipa de família soma-se o encerramento de serviços fundamentais: o Serviço de Cardiologia encerrou em fevereiro de 2024 e a Maternidade do Barreiro tem enfrentado períodos prolongados de encerramento, obrigando grávidas a dar à luz em ambulâncias, viaturas particulares e até na via pública.
A estes episódios juntam-se os encerramentos pontuais e recorrentes de outros serviços do Hospital do Barreiro, reflexo de uma degradação progressiva que esgota os profissionais, empurra muitos para a exaustão e leva outros a abandonar o SNS.
Importa ainda sublinhar que os territórios onde o SNS enfrenta maiores dificuldades “coincidem” com aqueles onde o setor privado da saúde anuncia investimentos de grande dimensão. No Barreiro, esse fenómeno é evidente, com a abertura de clínicas privadas, como a CUF, e o anúncio de um hospital privado.
O que se impõe, neste início de ano, é uma opção clara pelo investimento no serviço público de saúde, dotando os centros de saúde e o Hospital do Barreiro dos meios financeiros, humanos e materiais necessários para responder às necessidades da população. É com esse compromisso que continuamos atentos, exigentes e confiantes de que é possível construir um SNS melhor, em defesa dos utentes do Barreiro.
Antonieta Bodziony
Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro














