Barreiro, Cidade Invisível depois do pôr do SolPor Jaime Gonçalves
Barreiro
Nos últimos tempos, multiplicam-se os relatos de zonas inteiras sem iluminação pública.

Por Jornal Rostos
Ruas onde circular à noite se tornou um risco evitável, onde moradores sentem insegurança e onde o espaço público perde a sua função básica: servir a comunidade com dignidade e segurança.
A responsabilidade pela manutenção da rede elétrica é, em grande parte, atribuída à E-Redes. No entanto, limitar o problema a uma única entidade é simplificar em demasia uma questão que exige articulação institucional. A iluminação pública não é apenas uma infraestrutura técnica — é um serviço essencial que depende de comunicação eficaz entre a empresa gestora, a Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia.
E é precisamente aqui que o sistema parece falhar.
Quando a luz falha, o cidadão não quer saber quem tem a competência formal — quer saber quem resolve. E o que temos assistido é a um jogo de empurra: a população reporta às juntas, as juntas encaminham para a câmara, a câmara comunica com a E-Redes, e o problema permanece. Pelo meio, perdem-se dias, semanas e, por vezes, meses.
Esta cadeia de comunicação revela fragilidades claras. Falta transparência nos prazos, falta acompanhamento visível das ocorrências e, sobretudo, falta uma resposta coordenada que coloque o interesse público acima da burocracia.
Num concelho que se quer moderno e atento às necessidades da sua população, não é aceitável que a escuridão se torne normalidade. A tecnologia existe, os canais de comunicação existem — o que parece faltar é eficácia na sua utilização e responsabilização pelos resultados.
É urgente que a Câmara Municipal assuma um papel mais ativo de mediação e pressão junto da E-Redes, garantindo que os problemas reportados são acompanhados e resolvidos em tempo útil. Do mesmo modo, as Juntas de Freguesia devem reforçar a proximidade com os cidadãos, não apenas como recetores de queixas, mas como agentes de acompanhamento e exigência.
A iluminação pública não pode ser tratada como um detalhe. É uma questão de segurança, de qualidade de vida e de respeito pelos habitantes do Barreiro.
Porque, no fim, uma cidade às escuras diz muito mais do que aquilo que mostra — ou, neste caso, do que deixa de mostrar.
Jaime Gonçalves














