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A MELHOR CONTRAPARTIDA DE UMA PRESTAÇÃO SOCIAL NÃO É O TRABALHO. É A EVOLUÇÃO.Por Paulo Margalhau
Barreiro

As prestações sociais existem para garantir que ninguém fica privado de condições mínimas de dignidade quando atravessa uma situação de desemprego, incapacidade ou vulnerabilidade económica. Não constituem um prémio nem uma penalização. São um instrumento de solidariedade coletiva, financiado pela comunidade, com um objetivo muito concreto: permitir que cada pessoa recupere a sua autonomia.

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A MELHOR CONTRAPARTIDA DE UMA PRESTAÇÃO SOCIAL NÃO É O TRABALHO. É A EVOLUÇÃO. Por Paulo Margalhau Barreiro

Por Jornal Rostos

A discussão verdadeiramente relevante não é, por isso, se quem recebe uma prestação social deve ter deveres. Deve. A verdadeira questão consiste em determinar quais são esses deveres e se eles contribuem efetivamente para cumprir a finalidade da própria política social.

Tem ganho expressão a ideia de que a melhor forma de assegurar essa contrapartida passa pela realização de prestações socialmente úteis. A intenção é legítima. Pretende-se evitar a inatividade, promover o contacto com a comunidade e reforçar o sentido de responsabilidade individual.

Contudo, esta solução assenta num equívoco de base: confunde ocupação com desenvolvimento. Uma pessoa não ultrapassa uma situação de vulnerabilidade porque ocupou parte do seu tempo. Ultrapassa-a quando aumenta a sua capacidade para gerar valor, encontrar emprego ou construir um projeto de vida autónomo.

Alguns defenderão que a realização de trabalho social contribui para criar hábitos de disciplina, responsabilidade e integração comunitária. É um argumento compreensível e, em determinadas circunstâncias, pode mesmo produzir efeitos positivos. A questão, porém, não é saber se o trabalho social tem algum valor. A verdadeira questão é saber se representa a melhor utilização do tempo de quem mais necessita de aumentar a sua empregabilidade e recuperar a sua autonomia.

O recurso mais valioso de qualquer pessoa não é o dinheiro. É o tempo. Sempre que o Estado determina que esse tempo seja utilizado em tarefas de reduzido impacto na empregabilidade, está a desperdiçar uma oportunidade única de investir naquilo que verdadeiramente altera o futuro de uma pessoa: o conhecimento, as competências e a qualificação.

Essa abordagem tem ainda outra vantagem. O Estado deixaria de avaliar o esforço pelo número de horas cumpridas e passaria a avaliá-lo pela evolução demonstrada. A questão deixaria de ser "quantas horas trabalhou?" para passar a ser "que capacidades adquiriu?". A mudança parece subtil, mas altera profundamente a lógica do sistema.

Existe igualmente uma razão de natureza económica. Sempre que prestações socialmente úteis são utilizadas para assegurar atividades permanentes ou necessidades correntes das organizações, cria-se uma pressão indireta sobre o mercado de trabalho. Mesmo quando não substituem diretamente um posto de trabalho, reduzem o incentivo à contratação, permitindo que necessidades permanentes sejam satisfeitas através de trabalho não remunerado.

Também o voluntariado merece ser protegido desta confusão. O seu valor reside precisamente na liberdade. É uma manifestação espontânea de cidadania e solidariedade. Quando decorre de uma obrigação imposta como condição para receber uma prestação social, deixa de ser voluntariado na sua essência e transforma-se numa prestação administrativa.

Uma política social moderna deve exigir compromisso. Mas o compromisso que verdadeiramente importa não é o cumprimento de horas de trabalho. É o compromisso com a valorização da própria pessoa, através da aquisição de competências, do desenvolvimento pessoal e da construção de condições para uma autonomia duradoura.

O sucesso não se mede pela quantidade de trabalho social realizado, mas pelo número de cidadãos que adquiriram competências suficientes para reconstruir a sua independência económica.

O sucesso de uma política social não se mede pelas horas que consegue mobilizar. Mede-se pelas pessoas que consegue libertar da necessidade dessa mesma política.

2026 - Paulo Margalhau

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