Por Isabel Mateus BragaCrónica de um Outono anunciado
Barreiro
E pronto… acabou-se o verão! Foi num instante. Ainda ontem andávamos de chinelos, a reclamar do calor, e hoje já procuramos o casaco que tínhamos arrumado no fundo do armário, convencidos de que só voltaria a sair de lá lá para dezembro

Por Jornal Rostos
Bem-vindo, Outono!
Chegam as folhas caídas, os dias mais pequenos, o vento que sopra com vontade e as primeiras chuvas. E chega também aquele cheirinho inconfundível das castanhas assadas, acompanhado pelo fumo que nos entra pelos olhos… mas que, estranhamente, nos abre logo o apetite.
E se há coisa que anuncia verdadeiramente o fim do verão é o regresso às aulas.
Acabaram-se as férias, voltam os horários, as mochilas, os livros, os cadernos, os lápis, as canetas, as capas, as etiquetas… e uma lista de material escolar que parece não ter fim.
Antigamente era:
— “É preciso um caderno, um lápis e uma borracha.”
Hoje é quase preciso um carrinho de supermercado!
E quando chegamos à caixa, vem a pergunta inevitável:
— “É só isto?”
Não. Não é só isto. É a conta!
Depois, há que enfrentar outra tarefa de grande importância: guardar a roupa de verão e ir buscar a roupa de inverno.
Abrimos o armário e começamos a tirar camisolas, casacos, cachecóis e botas. E lá encontramos aquela camisola que não vestimos há três anos, mas que continuamos a guardar porque:
— “Um dia ainda vou precisar dela.”
Pois… esse dia nunca chega, mas a camisola fica.
E assim, entre castanhas, folhas, chuva, vento e camisolas resgatadas do armário, percebemos que o verão ficou para trás.
As férias acabaram. A rotina regressou.
Mas não vale a pena ficar triste.
O Outono também tem os seus encantos: o aconchego de casa, uma manta no sofá, uma bebida quente, o som da chuva na janela e aquela vontade de ficar mais um bocadinho sem fazer absolutamente nada.
E depois…
Basta um piscar de olhos e estamos no Natal!
Começam as luzes, as árvores, os presentes, as filas nas lojas e aquela frase que todos os anos dizemos:
— “Este ano vou começar as compras mais cedo.”
Claro que sim.
E depois estamos a 23 de dezembro, a correr de loja em loja.
Mas isso é outra crónica…
Por agora, seja bem-vindo, Outono!
Que tragas castanhas quentinhas, chuva q.b., dias bonitos, muitas cores e, sobretudo, tempo para saborearmos as pequenas coisas da vida.
Porque o tempo passa depressa demais.
E nós… temos de aprender a acompanhá-lo.
Isabel Mateus Braga














