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Quotidianos

OpiniãoUma guerra próxima demais...

4 min de leitura

Por João Titta Maurício

Ninguém gosta de guerra. Ninguém a sério poderá afirmar a guerra como a primeira solução para problemas. Ninguém no seu juízo perfeito será a favor de uma guerra. Mas a Paz sendo um fim desejável nem sempre é atingível.
Reflecti e procurei encontrar a ponderação que entendo só poder ser alcançável através de uma análise informada. No caso em concreto, é evidente a existência de um déficit de clareza e de factos. Temos assistido a manifestações de histerismo, fundamentadas exclusivamente em leituras sloganisticas de textos diplomáticos que, já de si, são o supra-sumo da retórica oca, vazia e inócua. Esquece-se o bom uso da racionalidade e endeusam-se os discursos palavrosos, pedantes, comicieiros e demagógicos como há muito se não escutavam. E a comunicação social delicia-se com este ”bate-boca”, com cheiro a bafio muito soixante-huitard.
A História ensina-nos que alguns dos maiores males feitos à Paz são perpetrados pelos que contemporizam com aqueles que fazem da intolerância o seu modo de estar. Quem não se recorda do sorriso vitorioso, sincero (porém naїf) com que Chamberlain mostrou os “Acordos de Munique”, com os quais garantiu que jamais haveria guerra? Não me recordo quem o disse (terá sido von Clausewitz?), mas muito certo parece estar quem defende que “se queres a Paz, prepara-te para a guerra”!
Nestes estranhos e complicados momentos que ora vivemos, sobram pombas e falcões, mas faltam as corujas.... A realidade pós-11 de Setembro é diferente do que tudo o que foi vivido pelo Ocidente desde os alvores da Idade Moderna: pela primeira vez, assistimos a um conflito entre uma entidade, um Estado (uma organização assente num poder político hierárquico, circunscrito a um território identificado) e os terroristas (um poder politicamente difuso, territorialmente disperso e onde os seus agentes agem em qualquer parte do mundo – podendo até manter relações jurídicas de cidadania com o Estado agredido –, que desrespeita todo o Direito da Guerra). Este é um novo tipo de guerra, que já se combate e em que a intervenção no Iraque não é um início, antes a continuação do que começou no Afeganistão – então com a aprovação unânime em Conselho de Segurança.
Hoje já não são só os Estados que poderão estar em guerra: o actual conflito é entre a civilização e o terrorismo. Um terrorismo que é intolerante, que mata e mutila indiscriminadamente. Compactuar, contemporizar é um erro que, uma vez mais, teríamos de pagar se os “pacifistas” levassem o seu diletantismo a melhor! Se, sem o recurso à força militar, Saddam desarmar e permitir uma abertura democrática no Iraque, tanto melhor e passe-se ao Estado pária seguinte. Se não, uma vez mais ter-se-à que verter sangue, suor e lágrimas para lutar pela Democracia, pela Liberdade e pela Tolerância. Não será a primeira vez, nem tampouco será a última!
E, em todos os momentos, devemos saber qual o nosso lado!!!
Já agora, deixem-me que vos diga: não sei porque persiste a falácia que refere a intervenção no Iraque como "unilateral" e ilegal (porque sem cobertura das NU). Mas esclareçam-me: não existem 17 resoluções aprovadas pelo Conselho de Segurança a exigir o desarmamento do Iraque? Por acaso alguém invocou a preclusão, caducidade ou outras que tais em relação às anteriores resoluções? A defesa do Saddam Hussein, depois de 12 anos de sucessivas e repetidas violações das resoluções aprovadas no Conselho de Segurança, é no mínimo uma piada de mau gosto: saberiam os membros permanentes ao que se vinculavam quando aprovaram os textos das anteriores 17 resoluções? Invocaram alguma reserva em relação ao seu conteúdo, propósitos ou objectivos? E as suas decisões, se eram sérias e sem reservas, não são para cumprir?!? Argumentar que a quantidade e a qualidade do armamento dos EUA lhes retira legitimidade para exigir o desarmamento de Saddam é uma falácia: não são os EUA que o exigem! O desarmamento é uma exigência de uma resolução aprovada por unânimidade no Conselho de Segurança. Finalmente, há alguma resolução do CS da ONU que, após o início da intervenção, haja exigido o recuo da coligação ou proponha a interposição de capacetes azuis? Uma falsidade dita mil vezes não se torna uma verdade...

por João Titta Maurício
Prof. Universitário
Vice-Presidente da Distrital do CDS-PP/Setúbal
titamau@netcabo.pt

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