OpiniãoQuem chama Ayatollahs a quem?!?

Por João Titta Maurício
De longe em longe surgem vozes que acreditam e defendem que só a posição de relativismo moral “politicamente correcto”, permite a convivência entre grupos que perfilham posturas diferentes perante o Real. Porém esta propugna a tolerância e a sã convivência entre diferentes culturas, mas, sendo defensável no plano dos princípios, não pode ser levada ao ponto de defender a “tolerância total”: mesmo para com os intolerantes!
Mal vão aqueles que, muito “modernos”, se dão ao trabalho de apelidar aqueles que apresentam e defendem as ideias em que acreditam, como «incapazes de respeitar quem não pense como eles», puros «absolutismos» que se dedicam a usar o Estado como «instrumento de certas concepções religiosas e morais».
Entendamo-nos: não concebo “morais” que se não revejam numa determinada concepção de mundo, numa cosmogonia de vocação universalizante. A natureza dos comandos morais reconduz-se à definição e anúncio da existência de um mundo ordenado e ideal, de uma ordem perfeita, dos comportamentos que a sustentam e reproduzem (o Bem) e dos comportamentos que a negam e destroem (o Mal). Tudo o mais é uma questão de se saber qual é a referência! Porque todas as morais tendem para a sua absolutização: para uns a ordem verdadeira é a revelada pelo Deus verdadeiro; outros a ordem é um caos ordenado pelo acaso, apenas cognoscível pelo uso das capacidades humanas e seus instrumentos! Ambas creêm numa cosmogonia, numa ordem que exige uma moral (a sua, a certa, a justa, a verdadeira). E, para cada um deles o outro é um apostata ou um talliban.
As sociedades, para se sedimentarem, carecem deste elemento agregador e unificador, que possibilita a convivência e a coexistência entre os seus membros. Seria possível uma sociedade desprovida de conceitos-referência, das noções de Bem e de Mal? Como se poderiam distinguir os comportamentos “certos” dos “errados”? Seja uma moral religiosa, seja uma moral laica, ambas possuirão uma vocação universalista. Se a moral se contentar em ser relativa nem sequer é moral: é apenas um ponto de vista (!?!), que promove o individualismo, estimula a atomização e, consequentemente, não agrega.
Mas, mesmo que pareça inusitado, existem pessoas que afirmam acreditar e defender a possibilidade da vida em sociedade sem uma ordem de Virtudes, sem uma ordem moral. Propondo-se promover a supressão da (segundo eles) degenerada e opiácia moral burguesa. Como é tarefa hercúlea, decidem tomar conta do Estado e promover a sua “neutralidade” moral, tornando-o instrumento da “libertação da humanidade” (paradoxal conceito de “neutralidade”)! Porque “detentores da verdade e do bem”, entendem que o Estado «tem o dever de obrigar os outros a submeterm-se à verdade e aos princípios [deles]!... O grupinho que propugna viver-se sem moral, que endeusa a Inovação e a confunde com Progresso, apenas nos propõe uma situação que se assemelha ao homem que corre, corre, corre... mas não sabe para onde vai. Só sabe que chegou quando sente os pés, a balançar,... no vazio de um precipício!
Por isso a ideia da negação da moral é uma falácia, que foi criada com dolo e é repetida por tolos! O Estado não pode nem deve ser indiferente ou neutro perante as crenças morais dos seus cidadãos (que, em Portugal e no Ocidente, assentam em pilares gerados pelo Cristianismo)! Tampouco o Estado foi criado para ser instrumento de “vanguardas esclarecidas” para criarem o “homem novo”! O Estado, na perspectiva liberal, foi criado para proteger a comunidade dos abusos e dos perigos que a ameaçam. Por isso, é um dever positivo do Estado proteger essas fundações, e a sua acção política não pode assentar na ilusão de que existem objectividade e neutralidade éticas.
Confesso: sou católico, acredito na Verdade que nos foi revelada por Deus, que é Único e Verdadeiro; creio e professo a mensagem de Esperança e Libertação que Nosso Senhor Jesus Cristo nos trouxe; defendo que a vida humana começa no estádio intra-uterino; propugno que as drogas, todas, devem ser proibidas e o seu consumo penalizado; oponho-me ao casamento (e a possibilidade de adopção) por não heterosexuais. E tenho muita Honra e Orgulho em ser português. Se isso faz de mim um Ayatollah, então deixem-me que diga: se eu sou Ayatollah e tenho fama, o mais Ayatollah é quem me chama!
por: João Titta Maurício
Prof. Universitário e
Vice-Presidente da Distrital do CDS-PP/Setúbal
titamau@netcabo.pt














